Papoilas Saltitantes
04
Jun

2013

Uma Final Europeia, Pt. 2

Por Tiago Quartilho

 
Retomo onde acabámos da última vez, com uma pequena adição à última entrada.
 
14 de Maio
 
14:00 – Saída de Lisboa com destino a Sevilha, mas não sem antes fazermos questão de estar com o nosso amigo que desistiu da ida a Amesterdão depois do empate com o Estoril. É a primeira de várias interacções forçadas durante os próximos dias, para ele se aperceber da parvoíce que foi essa decisão. Como dizia o pai de uma amiga minha: “Aquelas que se perdem nunca mais se dão”.
 
14:05 - Ligamos ao meu irmão para ele imprimir o mapa do ViaMichelin com o caminho para o aeroporto de Sevilha. Sabemos ir dar à cidade mas não ao aeroporto e queremos evitar mais percalços.
 
14:15 – Rotunda Centro-Sul em Almada para o meu irmão nos dar o mapa.
 
14:20 – Olhamos para o mapa e temos de facto o caminho detalhado, mas para a Calle Aeropuerto Viejo em Sevilha. Quem conhece o meu irmão está já a pensar que a culpa foi nossa, e tem toda a razão. Ainda bem que temos GPS e no carro e não sabíamos. Assim vamos poder ignorá-lo várias vezes, horas mais tarde, já em Sevilha. (nota do editor - o mapa além do destino errado, tinha também uma seta na zona de Valladolid que dizia "Boa Boate")
 
17:45 (18:45 em Sevilha) – Viagem decorreu sem problemas e num ritmo tranquilo, mas tanto tempo sem nada para fazer criou uma oportunidade para inventar cânticos personalizados para cada jogador do plantel do Benfica. “Curva que é curva tem uma música para cada jogador”. Era esse o espírito da viagem. Benfica, Benfica, Benfica. Claro que depois de algumas horas a lucidez ia diminuindo, e o cântico do Luisão saiu com a música dos Heróis do Mar – Paixão. A partir do 1:18, no refrão, tentem a seguinte letra:
 
“Luisão, Luisão,
Ninguém passa por ti,
Serás Patrão,
Até ao fim...”
 
Acho que já estão ver a ideia... O outro ponto a realçar na viagem foi o facto de não termos passado por nenhum daqueles touros nas colinas espanholas. Vocês sabem do que estou a falar. O que acabou por ser positivo, porque nos fez abandonar a ideia de um foto-report, no qual aparentemente o touro era personagem de cartaz. Como tantas outras coisas, à distância isto parece fazer pouco sentido mas na altura pareceu-nos óbvio.
 
18:45 – Chegados a Sevilha pelo lado Oeste, tínhamos de chegar ao aeroporto que fica do lado oposto. E logo no segundo cruzamento, como homens e portugueses que somos, decidimos ignorar o GPS pela primeira vez e seguir uma placa com a indicação de Aeropuerto.
 
18:50 – Nova indicação do GPS, novo caminho diferente escolhido. Mais tarde o GPS tentaria assassinar-nos e ninguém nos convence que não foi por vingança. Lá chegarei.
 
19:00 – Chegamos ao aeroporto, passamos pela zona das saídas e perguntamos a um polícia espanhol onde é o parque low-cost de longa duração que tínhamos pesquisado na internet. Claro que ele sendo espanhol finge que não percebe o nosso português, não fala inglês e quando tentamos mudar para o espanhol manda-nos numa direcção aleatória onde não havia nenhum parque sequer. Saímos em busca da zona dos parques low-cost, onde ignoro uma indicação do co-piloto (que tem problemas de visão documentados) e quando dou por mim, estamos na mesma via rápida por onde tínhamos chegado mas em sentido contrário, direitos ao centro de Sevilha.
 
19:05 - Ligamos novamente o GPS, sem sabermos que ele tinha ficado ressentido por ter sido ignorado. Devíamos ter mudado para o GPS com voz de homem, e nada disto teria acontecido (além de que penso que o homem não deve repetir a mesma indicação 3 vezes em 10 metros). Seguimos então as indicações do GPS, e depois de várias saídas, curvas, entrada numa bomba de gasolina para sair pelo lado oposto, ele tenta que entremos numa via rápida em sentido contrário, para atravessar as 4 faixas e o traço contínuo para retomarmos a direcção correcta.
 
19:10 - Mais uma vez viragem contrária ao que dizia no GPS, que nos leva a uma estrada de campo, onde dois tractores seguem à nossa frente a uns irredutíveis 7 km/h. Ainda havia bastante tempo para chegar ao aeroporto, mas sem sabermos o que tinha o GPS em mente para nós. Depois de alguns quilómetros conseguimos finalmente passar os tractores e tentamos regressar a uma estrada com pelo menos uma faixa completa e alcatroada.
 
19:15 - Depois de mais alguns minutos a ignorar o GPS e a seguir simplesmente as placas da estrada, fomos dar ao aeroporto errado, mas lá conseguimos finalmente voltar à estrada que desejávamos e estamos de volta ao aeroporto, o certo.
 
19:20 - Desta vez encontramos um parque de longa duração (não o mais barato que tínhamos pesquisado, mas já se vai fazendo tarde), estacionamos o carro, vamos para a zona das partidas e logo aí damos de caras com mais benfiquistas equipados a rigor.
 
19:30 - Depois de passado o controlo de passgeiros (já tínhamos feito o check-in online), dirigimo-nos para a porta de embarque, sempre à procura de algum estabelecimento para comer qualquer coisa sem sucesso. O aeroporto parece estar encerrado e apenas as vending machines e os WC's estão em funcionamento. Afinal era dia de huelga. Quando chegamos à porta de embarque, apercebemo-nos que afinal este voo é outro charter do Benfica, apenas diferente por ter saída de Sevilha, e pelos 10 a 20 passageiros espanhóis e holandeses perdidos no meio do mar de adeptos d' O Glorioso.
 
19:40 - Claro que mal a porta de embarque abre, todas as 200 pessoas naquela sala de espera se levantam imediatamente, para terem o privilégio de fazerem uma fila em pé, de cerca de 20 minutos, como se não houvesse lugares marcados. Um dia alguém ainda vai ter que me explicar este fenómeno.
 
20:15 – Avião levanta voo e ao meu lado um adepto susurra “Vamos, Benfica!”. Durante a viagem nada de especial a relatar, excepto o meu vizinho do lado, holandês, me ter perguntado se havia algum jogo em Amesterdão. Eu ainda pensei dizer que não, que andávamos sempre equipados à Benfica, que era assim mesmo o "Benfiquismo", mas lá confirmei que sim, expliquei qual era o jogo e ele perguntou-me logo se ainda havia bilhetes.
 
22:40 - Começamos a aproximação a A'dam com outro ponto a realçar mas habitual para quem já voou numa companhia aérea espanhola: o maravilhoso inglês das assistentes de bordo e, especialmente, o do comandante. Só ouvido. Aliás, os meus vizinhos do lado, holandeses, nem sequer tinham percebido que era inglês, e quando eu finalmente os convenci que era, não pararam de rir enquanto o comandante "falava".
 
23:00 – Aterragem em Amsterdam, e um dos pontos altos da viagem. Mal as rodas tocam no solo ouve-se um grande “Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica, Benfica”. Tal e qual o Estádio da Luz, mas durante mais de 5 segundos.