Papoilas Saltitantes
19
Set

2013

Todos rotos... ou talvez não

Por Tiago Quartilho


Nesta última semana o Benfica fez dois jogos em casa contra equipas manifestamente mais fracas e venceu ambos.

Contra o Paços de Costinha, que conta por derrotas todas as partidas oficiais disputadas até ao momento nesta época, esperava-se um jogo fácil e tranquilo. E foi, em grande parte devido a várias estreias. Cardozo jogou a titular pela primeira vez esta época, Garay marcou dois golos no seguimento de lances de bola parada, e o Benfica marcou finalmente um golo de livre ensaiado após 4537829 tentativas falhadas, muitas das quais a roçar o ridículo ou a lançar contra-ataques adversários.

Claro que houve o golo sofrido da praxe (nem que seja para arruinar a aposta d’ O Tubarão) num lance em que Artur pareceu novamente mal batido, mas a tremideira e os assobios foram evitados com o 3-1 logo nos minutos seguintes num belo cabeceamento de Garay. 

 

Mas o jogo fica também marcado por outros factores, nomeadamente o primeiro momento de "sorte" da época, com a lesão de Rúben Amorim. Sem querer desejar mal a um profissional do Benfica, penso que é claro que qualquer outra opção para o lugar é melhor que o ex-"não _volto_ao_benfica_enquanto_jesus_for_o_treinador". Aliás, pela segunda jornada consecutiva, as substituições não forçadas parecem melhores que as escolhidas pelo mestre.

Quando mexeu por sua iniciativa, Jesus lançou para o relvado o irmão mais gordo do Ola John conseguindo apenas com uma substituição deslocar 3 jogadores das suas posições mais lógicas. Marković continuou na esquerda quando podia ter ido para o meio, o irmão mais gordo do Ola John ficou na direita sendo que na época passada jogou sempre na esquerda (obrigando Gaitán a mudar de faixa) e Enzo Pérez mudou-se para a 4ª posição diferente da época (depois de médio centro, ala direito e defesa direito) acabando a partida nas costas do avançado.

Genial! Por estas e por outras é que o mestre é um dos treinadores mais bem pagos do mundo...

 

No final da partida, os comentários variavam entre "Não jogamos nada", "Que pena não podermos jogar todas as semanas contra equipas do Costinha", "Ao 4º jogo da época já estão todos rotos" e "Assim é que é. Marcar 3 golos num jogo com 2 ocasiões de golo".

Independentemente da opinião de cada um, o facto é que a equipa voltou a parecer cansada, e mais preocupante, com lesões musculares apesar de pouco correrem durante os 90 minutos. Pelo menos desta vez o preparador físico do mestre não está a deixar para o último mês de competição o débâcle fisíco da equipa. Este ano começa logo desde Setembro para o sócio não criar falsas espectativas.

 

Na terça-feira o Benfica iniciou a sua participação na Champions League desta temporada. E de entre os 6 jogos que constituem a fase de grupos, não se podia pedir um jogo melhor. O jogo foi na Luz, e contra o adversário mais fraco do grupo. 

O mestre mudou a equipa e a táctica, com as entradas de André Almeida, Fejsa e Đuričić, apenas com avançado e com Matić como médio mais ofensivo da dupla sérvia do miolo. E apesar de não terem sido brilhantes, foram claramente os melhores 45 minutos da época.

Com um golo logo aos 4 minutos de Đuričić e Fejsa a matar todos os lances de ataque dos belgas, fazendo lembrar Javi Garcia no ano do único título de Jesus, a equipa tranquilizou e galvanizou-se jogando com uma intensidade muito superior ao que tem sido habitual. Como defendi aqui, este é um talvez o factor mais importante, e talvez a única verdadeira diferença neste jogo em relação aos anteriores.

Afinal eles não estão todos de rastos e a cair que nem tordos...

 

O golo aos 30 minutos surgiu com naturalidade numa bela execução do “Capitão das Vitórias”, e a partir desse momento o vencedor da partida nunca esteve em dúvida. A segunda parte foi muito mais fraca, com o Benfica a ceder a posse de bola ao Anderlecht, que terminou o jogo com superioridade nesse campo estatístico, mas sem quase nunca conseguir desenhar de forma eficiente os lances de contra-ataque apesar da velocidade de Marković e Đuričić, devido a um défice de qualidade no momento da decisão.

Ainda assim, a melhor ocasião coube a Cardozo num lance que o paraguaio dificilmente falharia se estivesse com ritmo competitivo. No geral, uma exibição segura ainda que pouco fulgurante, com uns primeiros 45 minutos fortes a fazer acreditar que é possível dar a volta a este início de época cinzento e apagado.

 

PS1: Pela reacção do mesmo para com Artur nos momentos a seguir ao golo do Paços, o adepto careca do Piso 3, sector 21, fila O, lugar 21 não vai ter uma época nada fácil...

PS2: Uma palavra para os No Name. Se muitas vezes no passado os critiquei pela falta de apoio, ou pelas atitudes prejudiciais ao clube, deve reconhecer-se que este ano a principal claque não oficial do clube tem estado muito bem (talvez ainda embalada pelos épicos, marcantes e inesquecíveis 90 minutos de apoio louco e histérico à equipa em Amesterdão). Forte no apoio do início ao fim dos jogos, com grande entusiamo e variedade de cânticos. Até agora, tem sido a claque a puxar pela equipa e não o contrário.

PS3: Habemus defesa esquerdo