Papoilas Saltitantes
14
Mar

2014

Show

Por Tiago Dias

 

Show. Show do Capitão. Show de bola. E que show do Mestre!

Não sei qual foi o melhor, mas claramente que a família Benfiquista pode e deve estar muito contente, não só pelo resultado, mas também por sentirmos que estamos num momento em que a equipa transpira saúde, pragmatismo, solidariedade e muita personalidade. Jogue quem jogar.

 

Quero começar por apresentar os meus pêsames ao Artur. Sei que é um momento delicado, mas no início do jogo de Londres soubemos, em segunda mão, que o Mestre decidiu acabar com a sua carreira no Glorioso. Devem concordar comigo que não foi brilhante, mas por momentos e em certa altura da sua primeira época connosco pensei que estivesse abençoado por Jesus. Por Deus. Ou pela sua fé. E imaginem a fé deste cidadão brasileiro.

Lembro-me das inúmeras bolas que eram paradas apenas pelos postes, desviadas pelo seu olhar ou simplesmente porque os adversários demonstravam pouca perícia. Nós adorávamos. Mas por incrível que pareça temos um miúdo esloveno de 20 anos, muito grande, muito calmo e que caso não se lembrem, tentou fugir do Glorioso (alegando que tinha assinado o seu contrato profissional com menos de 18 anos) no defeso passado. Teve sorte. Já o Bruma não.

O esloveno não ganhou o braço de ferro e agora está a fazer um pequeno brilharete. A vida ensina, não se preocupem. Já ninguém tem dúvidas da sua qualidade e mais-valia para o Glorioso. E isso é o que conta. Pena para o Jan que sofreu um golo indefensável. Christian Eriksen é um jogador especial. E provou-o nesta execução perfeita de um livre direto frontal. Claramente o melhor golo e momento da noite.

 

Grande Luisão. Grande Capitão. Grande atitude. Faz realmente jus à sua altura e nós agradecemos. É uma carreira dedicada à nossa causa. Faz parte da nossa História e não tenho dúvidas que estará na lista dos grandes centrais de sempre do Glorioso. Fulcral para que encaremos o jogo da segunda mão com uma vantagem que parece no momento confortável. Dois golos que fazem com que esta seja a sua melhor época de sempre desde que se transferiu do Cruzeiro para o Glorioso em 2003/2004. 

A rotação está a dar resultado e, nesse aspeto, o Mestre denota uma evolução muito positiva. Estamos mesmo fortes e até me dá prazer saber que tenho a obrigação de escrever isto. Estamos com uma consistência defensiva quase perfeita o que tem permitido criar um fator extra de motivação para os sectores mais avançados. Somos uma equipa coesa, muito criativa e acima de tudo muito vertical e eficaz. A nossa qualidade individual faz claramente a diferença.

Sei também que o mundo do futebol é muito volátil. Quem não sabe? Todos sabemos. Mas nem sempre temos a sobriedade necessária e o afastamento emocional para controlarmos as nossas emoções. Falo por mim e falo pelo Jorge. Note-se que me refiro ao nome que tanto gosto e que apenas me atrevo a cometer essa loucura porque hoje o Jorge não se portou bem. Apesar disto, é e será o meu Mestre da táctica.

Estou convicto que durante largos períodos do jogo, o Jorge teve algumas paragens cerebrais. Visíveis e muito cómicas. Nada de grave. Acreditem em mim, sei do que falo. Acredito que o Mestre simplesmente não se consegue controlar quando atinge um certo, e determinado, número de pulsações por minuto. E nesse momento, o que acontece é um simples curto-circuito.

Que estaria o Mestre a pensar quando fez aquela dança após o primeiro golo do Glorioso, marcado por Rodrigo? O que é que foi aquilo? Será que o que ele queria dizer, mostrar, está relacionado com a sua capacidade para escolher ou movimentar as peças do jogo de uma forma quase perfeita? Parece que não precisa de se vangloriar de uma forma tão exuberante e espontânea. Porque o foi. Não sei o que pensar, tenho de ser sincero. 

Quanto à conversa "animada e perfeitamente normal" que teve com Tim "Show" estou mais preocupado. Parece-me que o curto-circuito foi mais prolongado. Não sei se foi pela obrigação de ter de falar inglês, se por ter esfregado três dedos na cara do "Show" (Sherwood para os mais entendidos!)?

Ficaste maluco Jorge? Cair de joelhos nas Antas não foi humilhação suficiente para te teres tornado mais humilde? E já agora, mentir numa conferência de imprensa não é solução para nada. E o número do Capitão é o 4! Quatro, Jorge.

Apesar de o criticar aqui, de forma veemente, gostaria de vos dizer que considero este tipo um diamante em bruto muito difícil de lapidar. Começo a pensar que aquele sangue fervilha numa temperatura que nos vai levar a mais uma Época de ouro da nossa história. Com letra grande.

Atenção, gosto dele. Mas tenho os pés assentes no chão, apesar de por vezes a minha incoerência no discurso ser tão grande quanto a loucura dele ou tão grande como a minha paixão pelo Glorioso. Não interessa.

Deixem-me sonhar. É isso que nos move! É isso que me move.

Hoje tenho a certeza que nós, os Benfiquistas, vamos para a cama cheios de moral porque sabemos que amanhã vamos trabalhar com o melhor e maior sorriso que tivermos. Sei disso. Gosto dessa sensação. E somos tantos sorrisos.

 

Agora. Peço que anotem o seguinte.

Nós o ano passado festejámos na Madeira, lembram-se? Tudo aos saltos no centro do terreno e no final, apenas ficou essa imagem. O pior é que vai ficar para sempre. Conhecido com o maior melão coletivo assistido por Portugal fora. Houve gente que não saiu de casa durante meses. Não conseguiam.

Não quero reservar nenhum local em especial este ano. Quero ir para o Marquês no dia em que formos matematicamente Campeões. Quero comprar novamente a viagem para a final da Liga Europa que este ano será em Turim. O ano passado comprei e não fui. No dia e hora da viagem marcada de Lisboa para Amesterdão estava a ser operado de urgência.

Fiz a lesão no sábado anterior na parte da tarde e permaneci no hospital até à meia-noite. Claro que soube da evolução do resultado nas Antas. Claro que fiquei ainda mais deprimido. Segunda recebi a notícia. Não poderia ir. Nunca mais me irei esquecer daquela semana na minha vida. Nunca. Está bem visível, todos os dias enquanto conduzo, na enorme cicatriz que tenho na minha mão esquerda. 

É o destino. A fé deu no que deu. Uma nação inteira deprimida e sem vontade de fazer seja o que for. Tudo por causa de Jesus. Tudo por causa da nossa falta de humildade. Ou então, do minuto 92´. Que por acaso é a capicua do número 29.

Acreditem no que vos faz mais felizes mas não percam a humildade. A pouca que temos. A suficiente...