Papoilas Saltitantes
02
Jan

2013

Regressos

Por Tiago Quartilho

 

 
Depois de ultrapassado o dia 21-12-12 e ao contrário do que se pensava o mundo não ter acabado, posso finalmente voltar a escrever neste espaço.
 
Desde o meu último texto muito aconteceu, mas vou tentar abordar os temas mais importantes em jeito de resumo:
 
O Benfica perdeu a Liga Portuguesa de Futebol para o seu rival por 6 pontos, depois de uma série de maus resultados contra os fortíssimos Carlos Xistra, Hugo Miguel e Pedro Proença. De referir que este último foi escolhido para o prémio de melhor árbitro da época transacta, a que acumulou os prémios oficiosos de árbitro mais decisivo da liga (atribuído pela associação de futebol do porto) e de melhor golo validado em lance cujo marcador nunca esteve em posição legal durante todo o desenrolar do lance (atribuído pela Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e que tem um valor anual de 500 euros)
 
Fomos eliminados da Champions pelo eventual campeão europeu, depois de dois jogos muito disputados, e nos quais ficou a sensação que podíamos ter conseguido o apuramento, mesmo tendo em conta que terminámos o jogo com 9 jogadores, depois da expulsão do Maxi Pereira, e da entrada em campo de Yannick Djaló. De referir, que para esse jogo decisivo, o mestre da táctica colocou o futuro na competição nos pés do referido Djaló e de Nélson Oliveira (ambos jogadores que não pertencem ao plantel para esta época) substituindo Cardozo e Gaitán. Jesus terá comentado mais tarde que pensou que podia ganhar a Champions.
 
Voltámos a ganhar a Taça da Liga, fraca compensação pelos desaires em todas as outras competições, após uma vitória por 2-1 frente ao Gil Vicente na final da competição, clube que tinha ficado em primeiro lugar do respectivo grupo, deixando para trás o ainda 4º grande, Sporting, e eliminando depois o 3º grande nas meias finais.
 
E assim terminou a época de 2011/12, apenas mais uma página nas desilusões dos últimos anos. Arrancamos para nova época, ainda com o mestre da táctica como treinador (este tema merece um texto mais aprofundado, o que acontecerá nos próximos tempos). Em três anos como treinador do Benfica, ganhou apenas um campeonato num ano em que tinha um dos melhores 11 da história do clube, e mesmo assim, com luta até à última jornada por parte do poderosíssimo SCBraga de Domingos Paciência.
 
Em relação ao plantel, até dois dias antes do fecho do mercado, tudo parecia calmo e com poucas alterações. No que diz respeito às entradas, reforçámos naturalmente as posições em que já éramos mais fortes, e descurámos as restantes. As entradas mais importantes foram as de Sálvio por um valor recorde e de Ola John cujo total currículo se resumia a ter feito a cabeça em água ao Maxi durante 20 minutos na época passada. Logicamente que estamos a falar de dois extremos, posição para a qual apenas tínhamos no plantel 79 jogadores capazes.
 
No que toca a saídas, apenas alguns empréstimos e as saídas de Emerson e Capdevila chamaram a atenção, estas últimas rapidamente colmatadas com as entradas de um avançado e um extremo esquerdo, ambos a actuar no Passos de Ferreira, para os dois postos de defesa esquerdo do plantel. Apesar de não existir nenhum defesa direito no plantel, deixámos partir, como seria de esperar sem jogar um único jogo oficial pelo benfica, um jogador de 23 anos internacional pela Dinamarca, selecção pela qual esteve presente do Euro 2012. Diz-se que foi por Wass não saber falar brasileiro nem nunca ter alinhado numa partida transmitida pelo PFC que o mestre da táctica nunca contou com ele.
 
Mas o melhor estava guardado para o fim. Nos últimos dois dias de mercado mostrámos a verdadeira grandeza e capacidade de planeamento a médio e longo prazo que realmente distingue o Benfica e a sua estrutura directiva de quase todos os clubes de topo na Europa.
 
O negócio de Saviola não deixa margem para dúvidas, visto que El Conejo foi substituído por outro elemento em nada pior e com um vencimento mensal muitíssimo inferior.
 
São as vendas dos dois elementos mais importantes do nosso meio campo da época passada, ambos jogadores jovens e um deles com potencial para ser um dos melhores centrocampistas do mundo que deixam qualquer um perplexo. Não tanto pelas vendas em si, que de uma forma ou outra, com ou sem cláusula de rescisão me pareceram inevitáveis, mas principalmente pelo timing e por não existirem alternativas já pensadas.
 
Isto porque ambos os jogadores já estavam a ser seguidos à algum tempo por vários clubes dos mais ricos da Europa, tempo esse que podia e devia ter sido utilizado para precaver a eventualidade dessas mesmas vendas. Pelo menos era o que teria acontecido em qualquer clube liderado por pessoas inteligentes e com uma estratégia pensada. Não é admissível que num negócio de milhões, não existisse já um plano B e vários jogadores referenciados possíveis de contratar mesmo em tão curto espaço de tempo.
 
Resultado de tudo isto, o Benfica estreia-se na Champions deste ano na Escócia, contra o Celtic de Glasgow, com o seguinte 11:
 
Guarda Redes – Artur
Defesa Direito - um médio centro que jogou na 2ª liga na época passada
Defesa Central - Garay,
Defesa Central - um Jardel, porque o nosso “capitão das vitórias” decidiu mostrar a sua virilidade correndo 20 metros para ir contra o árbitro de um jogo particular, onde o SLB era convidado)
Defesa Esquerdo - um avançado que jogava no Passos de Ferreira na época passada
Médio Defensivo - um Matic. Relembro que Matic na altura ainda era um jogador sem qualquer experiência de jogo e sem provas dadas, e não era ainda anunciado na Sporttv como muito melhor que Javi Garcia
Médio Centro - um extremo direito argentino que na época passada amuou e voltou para a Argentina
Médio Centro - Aimar (substituído como habitualmente aos 63 mins)
Segundo Defesa Direito – Sálvio. Não se via o Benfica a jogar com quatro defesas laterais desde Paris, com Koeman a treinador
Segundo Defesa Esquerdo – Gaitan
Avançado – Rodrigo
 
 
Apenas para juntar a este belo 11, o mestre da táctica, quando se apercebeu que o Celtic nunca marcaria um golo a não ser por pura sorte (como fez nos outros dois jogos em casa), decidiu arriscar, e durante uns loucos 7 minutos manteve dois avançados simultaneamente em campo com a entrada de Cardozo para o lugar de Aimar. Claro que de seguida, em mais uma mexida de mestre, retirou Rodrigo para colocar em campo um dos piores jogadores da história do SLB. O jogo terminou 0-0, naquilo que acabaria por se comprovar (tal como eu disse na altura), o resultado decisivo da fase de grupos, apesar de Jesus ter considerado o empate um óptimo resultado.
 
Também já nesta época realizaram-se eleições para a presidência do Benfica, com reeleição de Luís Filipe Vieira para novo mandato, o que não surpreende, tendo em conta o magnífico trabalho que esta direcção tem efectuado ao nível do sucesso desportivo com uns fabulosos dois títulos de campeão e uma taça de Portugal em 9 anos, a consolidação financeira do clube com um aumento do passivo que faz pensar que foi José Sócrates quem esteve à frente das finanças do glorioso e o lógico e perspicaz apoio para presidente da FPF de um antigo dirigente do FCP. Mas nem tudo é mau, visto que o antigo sócio do FCP tem enriquecido a sua conta bancária e temos neste momento o 14º treinador mais caro do mundo.
 
No próximo artigo falarei sobre a eliminação da Champions contra o Barcelona C.