Papoilas Saltitantes
12
Nov

2014

Por acaso

Por Tiago Quartilho

 

O Papoilas está como o Benfica. Sem chama, sem fulgor…

Dos três contribuidores para este espaço, dois estão M.I.A., e o escriba residente continua desencantado com o clube e a estrutura para o futebol. Resumindo, e parafraseando um amigo meu que sempre foi um dos maiores defensores de Jorge Jesus, “já não aguento mais o Mestre”.

Mas em altura de aniversário do 11para11 não podia deixar de escrever algo, e portanto, segue mais um desabafo sobre o nosso clube.

 

O Benfica segue na frente do campeonato e prepara-se para ser eliminado da Champions. Ou seja, o costume das últimas épocas do Jorge na Luz. A ver vamos se conseguimos o apuramento para a "Aeroliga", para animar a malta mais uns tempos.

Mas este ano, estamos a sofrer de algo que o Mestre ainda não tinha experimentado enquanto treinador do Benfica: Falta de qualidade no plantel e opções para posições chave. O Benfica de Aimar, Di María, Saviola, Ramires, David Luíz, Fábio Coentrão já lá vai.

O ano passado tínhamos muito melhor equipa, e isso nota-se em campo. Trocámos Oblak, Siqueira, Garay, Matić/Fejsa, Marković e Rodrigo por Júlio César/Artur, Eliseu, Jardel, Samaris/Cristante, BébéTiago/Ola John e Talisca. Ficámos a perder em todas as posições. O facto de estarmos em Novembro sem um #6 (ou #4) que permita ao Enzo jogar no lugar em que mais rende seria cómico se não fosse tão triste.

Um dos argumentos que muitas vezes utilizei para criticar o Mestre foi que ele tinha à disposição os melhores planteis desde há muitos anos, e o mérito que ele considera ser só seu tem de ser distribuído por todos esses jogadores que tinham uma qualidade muito superior a todos os outros planteis da Liga Portuguesa, excepção feita ao outro candidato ao título.

Mas na Europa dos Crescidos, em que o nível qualitativo é muito mais elevado, fomos apurados para a segunda fase da Champions apenas 1 vez em 5 anos. Depois na Europa dos Pequeninos até fomos fazendo brilharetes, e cumprimos totalmente o objectivo do Mestre. Isso porque penso que neste momento todos já sabem que para ele, as Finais não são para ganhar, mas para participar.

Aquilo que sempre me responderam os defensores do Jorge (são cada vez menos, até o careca meu vizinho de cativo já não aguenta mais) é que jogamos melhor, marcamos mais golos, praticamos um futebol ofensivo e atractivo, e todos estes méritos são dele.

 

Este ano não temos claramente a mesma qualidade, e desde início que penso que será um dos primeiros verdadeiros testes à competência do nosso treinador. Até agora, penso que até os mais irredutíves concordarão que não tem sido brilhante. Nem sequer tem sido bonzito. Tem sido mesmo muito mau. E por favor, não comecem com o “estamos em primeiro”. Não vão na cantiga populista do Mestre.

NADA. NÃO JOGAMOS NADA.

Por acaso estamos em primeiro, porque o outro candidato ao título ainda está a perceber como montar uma rotação de 39 jogadores para 11 titulares, e já consegue ter jogadores contrariados porque estão a jogar menos minutos do que “deviam”. O facto de ter 197 espanhóis no plantel pode também não ajudar.

Mas não se enganem. O bom do FCP tem sido muito melhor do que o nosso bom, e se não dermos a volta ao nosso futebol, arriscamos a perder a liderança muito rapidamente, e nunca mais a alcançar. E até agora só jogámos contra duas equipas das que provavelmente ficarão nos primeiros 5-6 lugares. Empatámos em casa contra o Sporting e perdemos em Braga.

Isto esquecendo já a Liga dos Campeões, até porque depois de não conseguirmos passar um grupo de Celtic, Spartak Moscovo e Barcelona C há dois anos, e no ano passado um grupo que continha o Olimpiacos e o Anderlecht, não sei porque haveríamos de sequer pensar em passar este ano, num grupo “fortíssimo” do qual fazem parte o actual 8º classificado do campeonato francês e o 6º classificado do campeonato alemão para além do Zenit de AVB.

 

Por este motivo tem sido muito complicado encontrar tema ou motivação para escrever, porque os temas e as queixas são as mesmas há anos, esta época exacerbadas pelo facto de não jogarmos mesmo nada de nada, e arriscarmos sair da europa antes do natal. Deixo aqui o compromisso de tentar voltar pelo menos a uma periodicidade quinzenal. E de encontrar os dois desaparecidos, para preencherem os meus hiatos.

Como notas finais deixo a minha opinião sobre três temas técnico-tácticos a pedido de dois amigos meus:

- Ao contrário do que parece pensar a massa associativa que só vê os resumos e olha para o número de golos como único medidor de sucesso de um jogador, o Talisca é um dos motivos para o fraco futebol do Benfica. Sem ser rematar à baliza (isso ele faz muito bem) não sabe fazer nada em campo que se traduza em acções positivas para o clube. Posicionalmente é péssimo, defensivamente fraco e sob pressão não acerta um passe (na Pedreira houve um lance caricato que deu contra-ataque do Braga, em que quando pressionado no miolo, passou a bola para onde estava virado, uma zona em que só estavam jogadores do Braga e cujo colega mais próximo estava a uns bons 10 metros). Estranhamente, sem ser o Dani, quando comentou o último jogo europeu, os próprios comentadores parecem ofuscados pelo número de golos, e esquecem-se de analisar todos os restantes dados. Até parece que não basta ter um curso de letras/comunicação social para se conseguir analisar um desporto...

- O Mestre o ano passado tentou a saída para o ataque "à Barcelona”, com o médio defensivo (o tal que “para vocês é a posição #6, mas que para mim é a #4”) a aparecer entre os centrais, com maus resultados, dificuldades na construção ofensiva e fraco futebol. Corrigiu durante a época essa opção (a não ser quando jogava o atleta que não voltaria a jogar no Benfica enquanto JJ for o treinador) e a transição ofensiva melhorou rapidamente. Mas claro que este ano voltámos ao mesmo, porque ele ou é tão teimoso que quer à força que isso funcione, ou é tão burro que não percebeu o que se passou o ano passado. Ou ambas…