Papoilas Saltitantes
01
Nov

2013

Os 10 anos do novo Estádio da Luz

Por Tiago Quartilho


Na passada sexta-feira o novo Estádio da Luz celebrou o seu 10º aniversário. 

Cada um terá as suas memórias mais marcantes destes 10 anos, mas penso que todos os que por lá passaram certamente guardam algum tipo de recordação. Positiva ou negativa, porque estes últimos 10 anos, que coincidiram com o tempo de presidência de Luís Filipe Vieira, não têm um balanço desportivo nada agradável para o clube.

 

Lembro-me muito bem do dia de inauguração. Nesse dia estive no aniversário de outro dos escritores do 11para11.pt, naquilo que seria um almoço mas se prolongou até à ida para o estádio. Fui, como quase sempre, para o piso 3, e mal entrei senti um misto de emoções.

Por um lado, saudades do antigo estádio, onde vi muitos jogos ao vivo desde os meus 3 anos de idade, incluindo duas meias-finais da Taça dos Campeões Europeus. Mas por outro, a consciência que esta ia ser a minha nova casa, e provavelmente, o último Estádio da Luz que irei ver durante a minha vida.

Não vou entrar em discussões sobre o Estádio por fora parecer inacabado. Basta pensar que o Emirates é igual por dentro mas custou 4 vezes mais. Se o nosso é menos bonito por fora? Claro que sim, mas eu normalmente gosto é de estar do lado de dentro. E por dentro, o estádio é espectacular. 

 

Outra das coisas que me lembro desse dia 25 de Outubro de 2003 é o barulho. A maioria pode já não se lembrar do antigo estádio e das diferenças nesse capítulo para este, mas logo nesse primeiro jogo, mesmo sendo amigável, deu para perceber que quando cheio, o estádio cria uma acústica incrível que leva a um som “insurdecedor”, principalmente pelo que me dizem, ao nível do relvado.

Mas as grandes diferenças a nível prático são também uma mais-valia importante. Depois destes anos já custa a imaginar ir para o estádio 3 horas antes de forma a garantir um bom lugar, para ver um jogo completamente à chuva e em pé porque os bancos estão completamente encharcados. Estas circunstâncias do anterior estádio deram-me boas lembranças e momentos bem passados, mas prefiro ter um lugar marcado e uma cobertura sobre a cabeça.

 

E as memórias desportivas são também já algumas…

O primeiro jogo a sério que até correu bastante mal, com uma derrota caseira contra o fortíssimo Beira-Mar. Aliás, o primeiro momento verdadeiramente positivo até foi um jogo da Selecção e não do Benfica. Penso que ninguém que gosta de futebol alguma vez se esquecerá daquele Portugal-Inglaterra durante o Euro 2004.

Logo na época seguinte, o novo Estádio da Luz serviu de palco ao jogo decisivo da liga portuguesa. E até teve aquele cheirinho de polémica que ajuda à imortalização de um lance. Para a maioria dos adeptos (e todos os benfiquistas) esse lance é relembrado como o frango de Ricardo, e para alguns sportinguistas mais teimosos ainda é descrito como falta clara de Luisão.

A vitória sobre o Man Utd com golos de Geovanni e Beto (o do cabelo pintado, não o que ia para o Real Madrid todos os verões) é outro dos jogos que ficarão para a história do novo estádio, por ter sido talvez a primeira grande vitória europeia no novo recinto.

 

Mas talvez a memória que mais perdurará relativa a estes primeiros dez anos não seja de um jogo específico, mas de uma época, a de 2009/10. Foi uma época de sonho, não só pelo título mas principalmente pela forma como este foi conquistado.

O Benfica jogou sempre bem, e neste novo Estádio da Luz arrancou goleada atrás de goleada, para a liga e para a Europa, sempre com nota artística elevada. Muito se lembram do 8-1 ao Setúbal, mas houve também os 5-0 ao Leixões e ao Everton e o 6-1 ao Nacional, entre outras grandes exibições e resultados.

Claro que comparativamente ao anterior estádio, estas memórias não são tantas ou tão gloriosas, porque o Benfica agora ganha menos títulos do que na minha infância, e não disputa (salvo raras excepções) eliminatórias decisivas na Europa, mas ainda assim, fazem já parte do meu imaginário enquanto adepto de futebol e do Benfica, tal como todos os outros jogos que não correram tão bem, ou em que vimos outros clubes festejar em nossa casa títulos que não conseguimos obter (mesmo que no escuro e debaixo de intensa rega).

 

É isto também que confunde os que não gostam de desporto como eu gosto, ou que não têm uma definição clubística tão intensa. Eu e os que como eu sempre foram ao estádio ver os jogos ao vivo, fazem-no por vários factores que não passam apenas pela visualização do jogo em si. Dizem-me que ver um jogo na TV é melhor porque se consegue ter mais detalhe, ou porque temos acesso a repetições, ou simplesmente porque estamos sentados confortavelmente no sofá de nossa casa.

Mas isso é apenas uma pequena parte do que nos leva ao estádio. Tal como em muitas coisas da vida, a partilha de emoções com outras pessoas que sentem o mesmo que nós, é algo que só quem as vive pode perceber.

E “ir à bola” é também isso. Até porque no estádio, podemos fazer essa partilha não só com os nossos amigos que têm Red Pass ao nosso lado, mas com os restantes milhares adeptos do nosso clube presentes.