Papoilas Saltitantes
10
Jan

2013

Há coisas que não nos deixam em paz

Por Tiago Quartilho

 

 
Pinto, Thiago, Montoya, Song, Sergi Roberto, Planas, Rafinha e Tello.
 
E mesmo assim, não passámos.
 
Houve oportunidades claras de golo, bolas no poste, avançados isolados no último minuto.
 
E mesmo assim, não ganhámos.
 
Tivemos um lance de dois contra zero, com dois jogadores isolados na cara do guarda-redes adversário.
 
E mesmo assim, não marcámos.
 
Depois de um nulo a abrir a competição em Glasgow sobre o qual já escrevi no meu texto anterior, e uma derrota em casa contra o Barça num jogo constrangedor tal o medo com que entrámos em campo, fomos perder a Moscovo com outro adversário fraquíssimo, numa partida claramente marcada pelas dificuldades sentidas pelos jogadores do Benfica em adaptarem-se ao piso sintéctico1 e ao frio da capital Russa. E eis que, apesar de estar num grupo mais que acessível, o Benfica acabava a primeira volta da fase de grupos com 1 ponto apenas. Mesmo assim, teoricamente, e apesar do resultado surpresa do Celtic em Moscovo (ganhou 3-2), bastaria ganhar em casa às duas equipas mais fracas do grupo para passar, contando que os catalães ganhassem os seus jogos. Mas foi então que o Barcelona perdeu na Escócia e tudo se complicou.
 
Cumprimos a nossa obrigação, ganhando de seguida os dois jogos em casa, mas fomos para a última jornada, em Camp Nou, a precisar de igualar o resultado que o Celtic conseguisse no seu reduto frente ao Spartak. Parecia uma tarefa no mínimo complicada, tendo em conta o jogo da primeira volta na Luz. E aí tivemos mais uma vez sorte, pelo facto do Barcelona, que já estava apurado, ter decidido apresentar o onze do Barça C. Caso não se tenham apercebido ou não os conheçam, os 8 nomes do início deste texto foram todos titulares nessa partida. É difícil pedir mais.
 
E mesmo assim…
 
Costuma dizer-se que é fácil a posteriori dizer o que podia ter-se feito de diferente. Mas neste caso, foi sempre óbvio para mim, e penso que também para qualquer adepto mais “experiente”, quando e onde se falhou. E quem.
 
Na minha opinião, o mestre da táctica teve muitas responsabilidades no não apuramento (tal como obviamente tem nos resultados positivos), principalmente pela forma como abordou os jogos de Glasgow e Moscovo, sempre a jogar para o empate, com a ideia que seriam bons resultados. E mesmo em Barcelona, apesar de enfrentar o Barça C, na segunda parte não se sentiu a garra e a vontade de ganhar que se justificava. Penso até que as substituições efectuadas e forma de gestão da partida, mostram que o mestre pensava que os russos conseguiriam manter o empate na Escócia até ao final (sim, o golo foi de penalty inventado, mas vendo o jogo dava a sensação que era uma questão de tempo).
 
Já sei que os defensores do JJ virão dizer que ele é o melhor que passou pelo nosso banco nos últimos largos anos. Mesmo que isso possa ser verdade, será sempre pela fraca competição. Jesus leva três épocas completas de Benfica (uma raridade), e apenas um título de campeão (e taças da liga). É pouco. Muito pouco.
 
E não podemos esquecer o facto desse título ter sido ganho numa época em que o onze base era Quim, Maxi, Luisão, David Luiz, Coentrão, Javi Garcia, Ramires, Di Maria, Aimar, Saviola e Cardozo, ou seja, de longe e por larga distância, o melhor 11 do glorioso desde há muitos muitos muitos anos atrás. Tendo em conta que Aimar e Saviola estavam ainda (ou novamente) em grande forma, estamos a falar de 9 jogadores de grande categoria e com lugar em quase todos os clubes do planeta (sendo o Quim e o Cardozo2 os restantes). Ainda assim, foi decidido apenas na última jornada, devido à grande luta dada pelo Braga. E com o Domingos a treinador!
 
No próximo, recapitulamos o plantel, um a um.
 
 
 
1 - Constou entre as hostes benfiquistas mais próximas do Campus no Seixal que não foi feito um único treino nos vários sintéticos que existem na margem sul do Tejo antes da deslocação a Moscovo.
 
2 - Lírico, o que se escreveu noutros sítios sobre Cardozo, colocando-o em patamares muito deslocados das qualidades que lhe são atribuídas por quem já o viu ao vivo com regularidade. Não vou negar os números, mas não descanso enquanto não encontrar uma estatística relacionada com eficiência (golos/oportunidades por 90 minutos) que demonstre que não passa de um ponta-de-lança pouco eficiente, apenas alimentado por uma equipa que gera muito fuitebol ofensivo e é complacente com a necessidade de o deixar bater penalties para estabelecer metas de golos.