Papoilas Saltitantes
07
Mai

2013

E tu?

Por Tiago Quartilho

 

E tu, preferes ganhar um campeonato à Trapattoni ou perder à Jesus?

 
Um jornalista da ESPN (Bill Simmons), escreveu há uns anos um artigo sobre os vários tipos de derrota. Um desses tipo de derrota é o que ele chama de “A Guilhotina”. Traduzindo a descrição dele da forma mais fiel possível, surge algo como isto:
 
“A tua equipa está a aguentar-se bem, até pode estar a ganhar e na frente, mas tu consegues sentir a inevitabilidade do colapso a chegar. Ficas sempre à espera que a guilhotina caia, e sabes que vai cair, tens a certeza que vai cair, e quando finalmente acontece ficas zangado por ter acontecido, mas ficas ainda mais zangado contigo próprio porque sabias o que se ia passar, mas por momentos acreditaste e dessa forma contribuiste para o karma debilitador. Estes são os momentos e os jogos em que as pessoas atiram comandos contra uma parede ou partem as mãos por baterem numa mesa de café. Demasiados destes jogos e podem acabar na prisão”.
 
A forma como me senti nas últimas semanas está descrita neste texto de forma quase exacta. Ontem foi a guilhotina. E eu sabia. O Jesus já nos tinha demonstrado que era capaz. O ano passado tínhamos mais pontos de avanço e ele conseguiu. Como é possível eu ter-me convencido nestas últimas semanas que ia ser diferente? Que raiva!
 
Ontem o Benfica pode ter hipotecado as hipóteses de ser campeão nacional, numa época “fantástica” em que ainda não perdeu internamente, e na qual tem (tinha) reais chances de vencer o título nacional, a taça de portugal e a "taça aeroliga", na qual vai defrontar o Chelsea na final de Amesterdão. Podemos estar na presença de uma das mais épicas vitórias morais da história do futebol.
 
A equipa pareceu muito cansada, com alguns jogadores a acusar a pressão (Lima?),  e apesar de uma entrada fortíssima em que falhámos 2/3 golos nos primeiros 10 minutos, acabámos o jogo com um empate lisonjeiro perante uma equipa do Estoril que teve mais posse de bola, mais oportunidades, um “penalty" daqueles como os do Capela não assinalado e um mais que provável golo anulado por fora-de-jogo inexistente, e talvez até um golo que não contou (gostava de ver uma repetição do lance do Artur até ao final), mas que acabou a marcar em fora-de-jogo por isso desta vez ninguém tem razão para se queixar.
 
Com todos estes acontecimentos, podia ser difícil apontar o momento mais importante da partida. Mas não. É até bastante fácil. Esse momento é claramente e sem ponta de dúvida a lesão do nosso extremo argentino reconvertido a box-to-box de alta rotação. Pior que a lesão, só mesmo a decisão que se seguiu do mestre da invenção.
 
A sério, Jesus? Carlos Martins? Já tinhas tentado essa contra o Porto em casa, e deu no mesmo.  Normalmente o Benfica joga apenas com 2 jogadores no miolo contra 3 adversários. E chega, porque Matic e Enzo estão a fazer épocas que ninguém estava à espera. Mas só chega quando são esses dois. Como é possível que o mestre ainda não tenha percebido isto?
 
Nem vou comentar a expulsão do #17, que infelizmente era previsível desde o primeiro amarelo por protestos. Pior só a simulação de lesão para tentar escapar à raiva do adepto. Nada de novo.
 
 
O Benfica ainda pode ser campeão? Claro que sim. Mas ficou incrivelmente mais difícil, porque passámos de ter de ganhar ao último classificado em casa, para termos de pontuar no dragão. E não foram as últimas duas semanas de conferências do único presidente em exercício condenado nos tribunais desportivos por corrupção e consequente subtracção de pontos e do tolinho, tolinho, tolinho que tenta imitar o Mourinho na forma de falar que me fizeram esquecer os últimos 30 anos do futebol português.
 
Sim, estou já a uma semana do jogo a dizer que vamos ser prejudicados. Muito. Para sermos campeões precisamos de ser muito melhores que o Porto e não darmos hipótese ao árbitro, ou então de um super Paços de Ferreira na última jornada (que espero ainda precise dos 3 pontos).
 
Mas o que neste momento me causa mais espécie, é que os benfiquistas estão em negação. Foram quase todos contaminados pela droga verborreica do JJ. Nas redes sociais repetem-se as mensagens de encorajamento e certezas de vitórias. Já li que não podemos julgar o JJ “apenas” pelos títulos conquistados. Porque marcamos sempre golos em casa, porque chegámos a duas meias-finais e uma final da liga europa, porque ganhámos 3 taças da liga, porque só fomos eliminados da Champs o ano passado pelo futuro campeão europeu (estrategicamente esquecem-se do Celtic e do Barça C esta época).
 
E é aqui que eu discordo em absoluto da maioria dos benfiquitas. Eu prefiro ganhar o campeonato à Trapattoni do que perdê-lo à Jesus.
 
E tu?