Papoilas Saltitantes
14
Fev

2014

E agora Jesus?

Por Tiago Quartilho

 

Neste passado fim-de-semana houve derby. Ah, afinal não houve. Mas houve na 3ªF. Quer dizer, mais ou menos...

 

Penso que a questão do adiamento do jogo já foi suficientemente abordada, pelo que apenas vou falar sobre dois aspectos. Um que é do conhecimento geral mas não posso deixar de o mencionar, o segundo mais particular.

Em relação ao sucedido, não há muito a dizer. Podia acontecer em qualquer estádio, e as condições climatéricas eram de facto propícias a algo do género.

Aquilo que não aceito, é que durante 40 minutos não tenha existido qualquer comunicação por parte do speaker do estádio, para os 60.000 espectadores que aguardavam pelo início da partida. Só em Portugal. Percebo que havia poucas certezas, mas é para isso que existem responsáveis de comunicação nos clubes. Para saber o que podem e devem dizer de forma a por um lado informar, e por outro não criar pânico ou aumentar a insatisfação.

Podia e devia ter sido comunicado que estava a existir um atraso no início do jogo, por não estarem reunidas as condições para o início do mesmo, e que uns minutos depois haveria nova informação. Algo deste género. Algo de qualquer género. Qualquer coisa!!!

A nível particular, até correu tudo pelo melhor, uma vez que por motivos de saúde não tinha oportunidade de me deslocar ao estádio no domingo, mas consegui ir na terça-feira. Tenho de agradecer à fibra de vidro. Ou lã de vidro. Ou lã de rocha.

 

Na terça-feira o “jogo” foi outro, e este sim é que a malta gosta. Penso que a total superioridade do Benfica foi clara, e mesmo assumida pelos dirigentes e adeptos lagartos sportinguistas. No entanto, deixo aqui algumas notas sobre o jogo que penso serem essenciais.

Em primeiro lugar, fico triste que o Sporting e o seu treinador tenham entrado para o jogo com um complexo de inferioridade óbvio, a la mestre da táctica nos jogos contra o Porto. Não me interessa se jogou com três avançados ou não. Aquilo que eu vi foi o Patrício a perder tempo aos 8 minutos num pontapé de baliza.

Ainda na primeira parte foi fácil constatar que simplesmente, e sem tentar escamotear os factos, os jogadores do Benfica são melhores. That’s it. Os miúdos de Alvalade têm feito um campeonato espectacular, o Jardim um trabalho fantástico, a provar a minha teoria de que na maioria dos jogos a componente psicológica de motivação, de entrega é o mais importante. Mas a diferença de orçamento não pode nem deve ser esquecida. Ainda assim estava à espera de muito mais do Sporting, que se limitou a “chutar bicos para cima” e tentar arrancar faltas que permitissem meter bolas na área, para o “xing-xong” como diz um amigo meu.

Aliás, outras das notas a reter deste jogo, é que realmente não era possível jogar a partida se houvesse o mínimo de vestígios de material que não relva no estádio, porque tendo em conta a facilidade e o número de vezes que Héldon, André Martins, Adrien e Montero se atiraram para o chão ao mínimo sopro, a integridade física destes atletas estava realmente em risco no Domingo. Eu sei que eles têm todos menos de 1,50m mas ainda assim, para uma equipa que na primeira parte teve para aí 3 minutos de posse de bola, as 379 faltas que conseguiram cavar devem ser algum tipo de recorde. E nem jogou de início o maior artista dessas lides, o grande Capel.

 

Quanto ao Benfica, mais uma vez o que fica na memória é a falta de eficácia. Gaitán, Luisão e Rodrigo por duas vezes podiam ter criado um resultado mais adequado ao que se viu durante os 90 minutos. Exibição segura dos centrais que tiveram de cortar vários cruzamentos que podiam ter levado perigo, Fejsa foi importante pela rapidez com que roubava a bola e a colocava, na maioria das vezes, jogável.

E depois houve um enorme Enzo. Fantástica exibição do médio argentino. Grande capacidade de passe e transporte em posse, desta vez culminada com um belo golo - vamos todos fingir que o Patrício não podia ter feito mais. Para um extremo falhado, este argentino acho que já justifica o #10 na camisola.

 

Após o jogo aprendi duas coisas. Primeiro que não é só para mim que o Sporting já não é bem um grande, a não ser no número de adeptos. O próprio treinador lagarto sportinguista admitiu na conferência que não têm conseguido jogar bem e sobrepor-se “contra os grandes”. Não é contra os “outros grandes". É contra “os grandes”.

A segunda, e que me deixa mais transtornado, é perceber que na segunda metade da década de 90 e nos primeiros anos do novo milénio andei totalmente enganado. Pensei estes anos todos que o Benfica tinha tido equipas fraquíssimas, sem qualidade e sem qualquer possibilidade de lutar a sério pelo que quer que fosse. Afinal não. Obrigado aos adeptos lagartos sportinguistas que desde 3ªF me demostraram que ao Benfica nunca faltou qualidade nos anos de Artur Jorge, Paulo Autuori, et al. A única coisa que nos faltava era um William Carvalho...

 

PS - No início do ano, um amigo meu dizia maravilhas de Fredy Montero. Era um goleador nato. Parecia o Falcão. Bastava olhar para as movimentações dentro da grande área, fantástico tempo de reacção, etc. Era um verdadeiro “rato de área”. Após o dérbi de terça-feira, este mesmo amigo disse o seguinte sobre o posicionamento de Montero no derby: “Ele é mais um jogador do tipo para jogar nas costas do avançado”… Estes adeptos de futebol...