Papoilas Saltitantes
18
Out

2013

Deixem jogar os miúdos

Por Tiago Quartilho

 

Depois de (mais) uma pausa no nosso futebol de clubes devido aos compromissos da nossa selecção contra o fortíssimo Israel e o muito organizado Luxemburgo, esta semana há taça.

O adversário, apesar de merecer o nosso respeito, é, convenhamos, fraquíssimo. É portanto a ocasião ideal para dar minutos a jogadores que não têm ainda possibilidade de jogar nos jogos mais a sério. Muito se tem falado da possibilidade de Ivan Cavaleiro poder jogar. Além deste penso que se estiverem em condições físicas devia haver minutos para Oblak, André Gomes, Đuričić e Rodrigo (para aumentarem os níveis de confiança), Funes Mori, Bernardo Silva, João Cancelo, basicamente, jogadores jovens pouco utilizados ou vindos da equipa B mas que já têm mostrado potencial.

Algumas das críticas que são (com justiça) apontadas ao mestre sobre as útimas 4 épocas são o facto de não rodar a equipa vezes suficientes, principalmente nestes jogos mais fáceis ou nas segundas partes de jogos já decididos, o que leva inevitavelmente a finais de época cansados e pouco fulgurantes, e o não lançar nem dar qualquer hipótese a jovens jogadores provenientes da nossa formação ou equipa B.

 

Sendo teoricamente o jogo mais fácil da temporada, seria lógico o aproveitar para motivar jogadores, lançar miúdos, justificar os treinos com o plantel sénior. Basicamente dar alguma ilusão à miudagem de que tem futuro no clube.

E é por fazer tanto sentido que, naturalmente, nada disto vai acontecer. Vão jogar os Cortezes, Amorins, Stevens Vitórias, Paulos Lopes, e até possivelmente um ou outro habitual titular.

Aliás o mestre já veio alertar que “com ou sem Ivan Cavaleiro, o importante é passar a eliminatória”. E também que não vai “poupar a pensar na Champions”, entre outras pérolas lançadas aos jornalistas.

Até por este discurso, se percebe que ele simplesmente não entende do que está a falar. Não tem só a ver com poupanças. E espero que ele nem sequer tenha dúvidas que a passagem não está sequer em causa.

 

O principal motivo para dar minutos aos miúdos não é poupar os outros para a Champions (apesar de ser uma consequência positiva), mas sim porque faz sentido. Porque estes jogadores aumentavam os níveis de confiança, porque jogavam com os "crescidos”, porque acreditavam que poderiam ter algum futuro no clube e que alguém acreditava neles.

Mesmo nós sabendo que o mestre prefere suplentes brasileiros ou desconhecidos sérvios do que dar uma verdadeira chance a algum produto da nossa formação, claro...

 

PS - Faz hoje dois anos que Cardozo marcou pela última vez de livre directo. Até quando vai ter carte blanche para bater os livres junto à área? Não está já provado que a sua eficácia é sofrível? Não defendo comprarmos um colombiano de 1,50m só para bater bolas paradas, mas será que ninguém dos que por lá andam consegue fazer passar a bola por cima da barreira?