Papoilas Saltitantes
09
Jan

2014

D'EUSébio

Por Ponto G - 23

 

Falar do King é, à partida, uma tarefa incompleta, como se tem assistido desde a sua morte; e tudo o que se diz ou escreve parece pouco para a magnitude do Pantera Negra...

Claro, com a excepção de Mário Soares, esse sim, conseguiu dizer tudo e mais alguma coisa... felizmente (para ele), hoje talvez já nem se lembre...

Aqui o escriba sente-se pequenino quando fala do King... o Rei deixou o Mundo dos vivos, e o seu lugar no Panteão é inquestionável...

Um Herói do Povo, acima de tudo...

 

Eusébio, que não vi jogar in loco, representou e representará sempre o Meu Benfica, aquele em que eu acredito e aprendi a gostar, sendo parte de mim: uma vontade ímpar de vencer, um fair play perante a derrota e um sorriso superior perante a arrogância e a baixaria...

Senti em várias partes do planeta, que não é só o enorme talento que o Mundo reconhece ao King; é também a sua postura perante a adversidade e a dureza sofrida e aquele prazer que emanava “apenas” por jogar futebol dentro do rectângulo mágico...

Custa-me, por isso, por vezes olhar para alguns jogos do Benfica e ver o Manto Sagrado ser envergado por jogadores que não parecem dar o máximo, que se conformam e desistem, quase conformados com um triste fado...

 

Acerca da universalidade de Eusébio, deixo apenas um pequeno “perfume”, humilde, mas vivido na primeira pessoa:

Há cerca de quatro anos, fui até Liverpool assistir, no Estádio do Everton (Goodison Park), o Benfica vencer o Everton por 0-2.

Mais do que a vitória, que é sempre aprazível, trouxe daquela viagem, a imagem inesquecível da standing ovation que Eusébio recebeu ao entrar em campo antes do jogo...

É imortal aquele local, onde o King marcou um póquer à Coreia, naquele que Eusébio considerou como o seu "melhor" Estádio, num Inglês "simples", como Ele...

Mas recordo que já bem após o jogo, enquanto terminávamos de forrar o estômago e olear as gargantas, fomos abordados num restaurante distante do estádio, por um cidadão inglês, recordando de forma entusiasmada que em 1966, então com 6 anos, o seu pai o levou a assistir ao Mundial, onde viu Eusébio pulverizar a Coreia...

Disse ainda, com visível emoção, que desde essa idade, decidiu que daria o nome de Eusébio, caso algum dia viesse a ter um filho...

E em seguida, para nosso espanto (e orgulho), mostrou-nos a identificação do seu filho Inglês EUSÉBIO...

Só me ocorre dizer: ETERNIDADE...

 

PS – Eusébio é o Pantera Negra, mas isso não obriga a ficar enclausurado numa “redoma”, qual fera, peixe ou lontra de Oceanário... Eusébio é do Povo e a sua estátua deve respirar e poder ser abraçada por todos...