O Fantasista
06
Set

2013

Trends

Por O Fantasista

A frustrante Gameweek 3 veio reforçar uma ideia que começou a ganhar corpo logo após o último apito do escaldante jogo de Old Trafford que fechou a 2ª jornada da Premier League. Serão finalmente os defenders capazes de garantir mais de duzentos pontos por época?

Até à data os mesmos tinham um tecto pontual que rondava os 175 pontos, registando uma média anual, em 38 jogos, nunca superior a 4.6pts/j – à la Leighton Baines. Relegados para uma espécie de cave fantasista no decorrer dos últimos sete anos, parece que agora poderão estar prestes a emergir nas prioridades do mero fantasy coach.

Em termos pontuais observamos que somente 3 midfielders atingiram até agora a marca dos 17 pontos. Enquanto 4 goalkeepers, 7 forwards e 16 defenders igualam ou sobrepõe essa fasquia. Uma análise mais profunda revela que no Top-25 só encontramos 2 médios, revelador e alarmante. 

Três factores contribuem para este fenómeno. As 25 clean sheets em 30 jogos realizados, o novo sistema de atribuição de bónus (BPS) que favorece claramente os defenders (principalmente os centrais), e o falhanço completo dos heavy-hitters do miolo do parque. Na verdade só um midfielder conseguiu marcar por mais que uma vez – Yaya Touré (£8.8m). 

 

Investiguei então o novo BPS e a forma como os bónus têm sido alocados, e ao final de três jornadas foram atribuídos 228pb, ou seja, uma média de 7.6pb/j. Nesses 30 jogos disputados, em 9 deles (ou 30%) ambas as equipas marcaram (média de 7.1pb/j), em 17 (57%) só um team encontrou o caminho do golo (7.2pb/j) e finalmente outros 4 (13%) que resultaram num nil-nil (10.5pb/j).

 

Ambos marcam

Analisando os pontos de bónus dos 9 jogos em que ambas as equipas marcaram, percebe-se, aliás sem surpresa, que os marcadores dos golos dominam por completo. Nestes jogos foram distribuídos um total de 64pb, e 48 destes (75%) foram destinados aos "goleadores" - forwards e midfielders que marcaram golo - com a seguinte distribuição: 9x3pb, 9x2pb e 3x1pb.

Isto quer dizer que só 16pb (25%) ficaram reservados para outros jogadores, nomeadamente para Coleman (1g e 1a, 3pb), Whittaker (1g e 1a, 1pb), Rooney (2a, 1 pb), Lampard, Ward-Prowse e Huth (todos com 1a, 2pb), Hernández e Colback (1a, 1pb) e ainda Clark, Lovren e Szczesny (1 pb).

Concluindo, em jogos sem clean sheets é muito provável que os marcadores de golos sejam os beneficiados em termos do novo BPS, reunindo 81% dos pontos disponíveis. Pelo contrário, os que só assistem parecem não ser valorizados pelo novo sistema, quedando-se pelos 14% dos pontos atribuídos.

 

Só uma equipa marca

Passando aos 17 jogos em que uma das equipas conseguiu garantir a tão almejada clean sheet, verifica-se que os "defensores" - conjunto dos goalkeepers e defenders com clean sheet, com os guarda-redes a produzirem retornos residuais apenas - surgem claramente à frente dos "goleadores" no que toca à distribuição dos pontos de bónus.

Para um total de 122pb, os "goleadores" só conquistam uma fatia de 34% com 41pb - distribuídos por 8x3pb, 7x2pb e 3x1pb - sendo que os defesas ficaram com 55pb - 6x3pb, 11x2pb, 15x1pb -, para 45% do bolo.

Os restantes 26pb foram distribuídos da seguinte forma: Agüero (1g e 1a, 3pb), Hernández (1g e 1a, 2pb), Davies (1g e 1cs, 3pb), Aspas e Fer (1a, 2pb), Zabaleta (duas vezes 1a e 1cs, 3pb e 1pb), Shaw, Enrique e Agger (todos com 1a e 1cs, 3pb) e ainda Nzonzi (1pb), com o único ponto de bónus dado a um midfielder/forward sem golos ou assistências.

Com isto, vemos que médios e avançados que só consigam uma assistência muito dificilmente conquistaram pb com o novo BPS - só Aspas e Fer para 4% dos pontos deste tipo de resultado. Em jogos de 1-0 e 2-0, os "defensores" ultrapassam os "goleadores" nas probabilidades de garantir os dividendos do BPS, com 45% dos pontos de bónus para os elementos mais recuados... ou 56% se adicionarmos os que somam clean sheet e assistência. Pelo contrário os marcadores de golos garantem apenas 34%... ou 40% se juntarmos os que somam um golo e uma assistência.

 

Nil-Nil

Nos restantes 4 jogos, os tais nil-nil, foram atribuídos uns estonteantes 42pb (10.5pb/j), com os "defensores" a receberam 9x3pb, 6x2pb e 3x1pb. Ou seja, temos 100% dos pontos de bónus definidos pelo novo BPS alocados aos goalkeepers defenders

 

Com tudo isto, vemos que o valor da clean sheet claramente mudou. O que antes estava avaliado em 4pts passou agora a valer 5, 6 ou 7pts. Se o score da equipa que alcança a clean sheet não passar dos dois golos, temos quase 50% de hipóteses de vir a garantir retornos através do novo Bonus Point System. Substancial...

Se esta tendência continuar fará todo o sentido reajustar o equilíbrio do plantel e talvez até as rotações. Estas passariam a ser feitas no miolo do terreno, libertando assim fundos para tornar o sector defensivo mais forte. A equipa passaria a estar apta para apresentarmos uma defesa a quatro. Desta forma, os forwards mantém o valor, os midfielders baixam, e os defenders e goalkeepers aumentam.

Estarão os médios criativos, os que predominantemente só assistem, em perigo? Poderá o 4-3-3 ser a solução para maximizar o retorno pontual? A tendência será mantida ou o futebol ofensivo retornará imediatamente após o international break?

Uma defesa com 4 players de equipas defensivamente seguras e um miolo de 2 heavy-hitters (os tais keepers já falados) com uma rotação a 3 entre elementos mais baratos poderá ser o caminho futuro.

 

Quanto à liga do 11para11, neste primeiro international break é Jonas Pereira com os seus "Prior V Lions" que lidera, com uma vantagem de 11pts em relação ao mais próximo competidor. Veremos como gere a pressão daqui em diante.