O cantinho da Mágica
04
Fev

2014

Triângulos virtuosos

Por Bernardo Sousa

 

Desde sempre se deu grande importância ao número 3, por exemplo na mitologia grega e na romana considerava-se que este número era sinónimo de sucesso e de atributos lendários.

Para Platão, o formato triangular simboliza a harmonia e a proporcionalidade máxima, sendo a forma mais fácil de encontrar um equilíbrio.

Domingo em Alvalade senti que a harmonia foi atingida, num esforço colectivo titânico que vergou o Sporting à força de uma unidade coesa, assente precisamente em três triângulos de natureza diversa.

 

Este primeiro formato permitiu dar segurança defensiva, entre os postes o gigante das balizas Ricardo, em mais uma exibição para recordar e a reivindicar um lugar nas escolhas para o Brasil (a sério, que mais o homem precisa fazer para isso acontecer?).

Flanco direito protegido pelo audaz Marcelo que ainda teve o condão de apoiar o ataque a propósito (aquele remate à trave...), lado oposto com mais um jogão de Djavan na sua versão mais defensiva, mas com a atitude, a raça e o querer que o caracteriza.

Por fim, a melhor versão da época da dupla de centrais da Briosa, inacreditáveis os jogos de João Real e Halliche, sentido posicional apuradíssimo mesmo nas alturas de maior sufoco por parte dos leões. Aqui assentou grande parte do sucesso da empreitada coimbrã no final de tarde de Domingo.

 

Na zona intermédia mais do mesmo, capacidade de trabalho estóico por parte de Fernando Alexandre (que gigante!) e de Makelele, uma formiguinha com pilhas alcalinas, que teima em não esmorecer até ao apito afinal.

Por fim Cleyton, que tentou levar o jogo para o ataque, naturalmente dificultado pela acção de William Carvalho, mas que mesmo assim nunca deixou de cumprir a sua missão.

 

Com menor protagonismo o facto é que os Speedy Gonzalez da Negra procuraram sempre as costas da defensiva do Sporting, tendo provocado incómodo, aliando a isso uma soberba capacidade de recuperação defensiva, condicionando e muito as acções ofensivas do laterais contrários (apesar do excelente jogo de Cedric).

Ficou acima de tudo provado que Salvador Agra (saído do banco) pode ser uma grande mais-valia para a equipa.

 

Como tinha mencionado na semana passada, era necessário aliar ambição e realismo, e creio que o jogo conseguido foi a prova da maturidade competitiva da Briosa, saí do jogo com uma ideia clara: finalmente temos uma equipa, os jogadores sabem o que fazer em campo, e isso reflecte-se na produção colectiva.

Hoje, ao contrário dos primeiros jogos da época, o nível de solidariedade permite colmatar erros defensivos e isso transmite uma sensação de segurança admirável.

Anteontem saí de Alvalade com uma sensação de orgulho incrível e fico feliz de saber que Janeiro acabou e nada mudou...

 

Próxima 5ª feira, o jogo mais importante da época até agora: 1/4 de final da Taça em Vila do Conde contra o Rio Ave... mesmo não podendo estar presente fica a claríssima noção de que a vitória é possível se os níveis de qualidade se mantiverem e a ambição pode vir a ser premiada.

Em termos de campeonato, o próximo jogo será decerto um desafio de elevado grau de complexidade, 2ªF à noite contra o Estoril no Cidade de Coimbra, e o ponto conquistado em Alvalade foi importante até para retirar alguma pressão da obrigação de pontuar sempre em casa.

Uma boa semana a todos….