O cantinho da Mágica
14
Jan

2014

Tempos de redenção

Por Bernardo Sousa

 

Domingo à tarde, Benfica-Porto em qualquer ecrã do nosso país (qualquer um que tivesse essa hipótese pelo menos), regresso a tempos idos em que qualquer jogo era ao Domingo à tarde. Ao mesmo tempo no Estádio Cidade de Coimbra, a Briosa fez o que lhe competia: bater o Paços de Ferreira contra tudo e contra todos.

 

Revivalismos à parte, anteontem foi de facto um dia especial... a Briosa conseguiu 14 meses depois marcar 4 golos num só jogo, isto depois de ter apontado apenas 7 nas 14 jornadas disputadas até Domingo. Sobrevivemos a tudo, à vantagem madrugadora oferecida por Magique, à cambalhota no marcador operada através de mais um penalty cometido pelo Halliche (vamos bater recorde de penalties cedidos numa época a este ritmo) e de um golo completamente bafejado pela sorte e contra a corrente do jogo, e fomos acima de tudo mais competentes conseguindo empatar o jogo numa altura fundamental e sendo mais audazes na busca da vitória, ou seja, por fim não esperámos pelo que o rival fizesse, tivemos finalmente iniciativa e isso ficou reflectido no resultado.

Enquanto procuro dar nexo a esta crónica, penso no quão mais complicado é escrever quando se está satisfeito... não é preciso soltar frustrações porque as coisas correram como deviam ser sempre, a redenção começou em campo e foi feita por quem a devia fazer: pelos jogadores, e isso deixa-me aliviado.

Contra o Paços, mais do que nunca precisávamos de algo diferente do que temos tido: pouca inspiração individual e incapacidade de fazer a diferença. Neste contexto só posso dizer: bem-vindos Ivanildo e Cleyton! Sejam bem aparecidos nesta Liga, foi preciso esperar 15 jornadas para vos ver a ser relevantes, mas em boa hora apareceram para mudar o destino da nossa época. Com a contribuição do Ricardo (mais um punhado de defesas impressionantes) a preservar o 4-2, numa altura em que um terceiro golo pacense certamente nos faria tremer por todos os lados, fico necessariamente feliz por perceber que também conseguimos ganhar jogos sem precisar de penalties defendidos!

 

Finda a primeira volta, é simples fazer um balanço daquilo que é o campeonato da Académica até agora: temos mais pontos do que a nossa qualidade de jogo apresentada poderia fazer supor, e a margem de progressão é por isso enorme.

Em condições normais, 27/28 pontos chegam para a manutenção, o que significa que 2/3 do caminho está feito, e isso é tranquilizador quanto baste. A falta de produção ofensiva da equipa é claramente aquilo que mais preocupa, mas com as chegadas de Salvador Agra e de Gueye (extremo e avançado) para os lugares de Abdi (vai para a Turquia) e de Bedi Buval (um dos 3 estarolas que mencionei na 1ª crónica que produzi neste espaço) respectivamente espero melhorias nessa faceta do jogo da equipa.

 

Despeço-me com uma nota de felicidade! O meu poste de sinalização preferido dentro do plantel da Académica (Reiner Ferreira, nº35, ver crónica da semana anterior) acaba de rescindir contrato!!! Claramente a segunda volta só pode ser diferente para melhor... os sinais começam a ser demasiado inequívocos para eu não conseguir estar (por pouco que seja) optimista para o que aí vem...

Que por sinal é mais um jogo para vencer: Domingo, novamente às 16 em Coimbra espero mais uma vitória contra o Gil Vicente para conseguir enfim abrir um sorriso aberto e acreditar que vale a pena pensar alto por uma vez na vida!