O cantinho da Mágica
04
Mar

2014

Safe and sound

Por Bernardo Sousa

 

Minuto 42: Marcos Paulo ganha uma bola dividida no meio campo, avança de forma fugaz sem oposição à vista, linhas de passe abertas - Salvador Agra completamente só na direita-, remate a solução fácil... tão fácil quanto o solto do grito ao ver a bola atingir as redes locais com uma destreza muito própria.

E que grito este, depois de 400 minutos de atroz sofrimento, empates (que deviam ser vitórias) e derrotas (que deviam ser empates). Soltou-se a raiva e a angústia, e acima de tudo acreditei na vitória.

 

A Briosa tem este ano uma marca muito própria, como que de um bom carro antigo - uma Renault 4L - se tratasse, parece que com a idade cada vez está melhor, mais segura, mais cheia de carácter, mais forte. Numa circunstância difícil, é capaz de fazer um Dakar sem acusar o esforço e sair do desafio com um orgulho muito próprio. Ok, será ousadia comparar o campo do Arouca a uma prova pelas areias africanas, mas de certeza que os nossos bravos tiveram de chafurdar mais na lama do que um carro comum faz na sua vida toda.

Foi mais um jogo igual ao que os últimos têm sido, temos sido uma equipa na verdadeira acepção da palavra. Não temos estrelas, não temos nenhum factor particularmente diferenciador a não ser um querer e uma vontade de vencer sem igual. E hoje, ao contrário dos últimos jogos nenhuma bandeira se levantou fora de horas, nada impediu o rumo natural das coisas: a Briosa quando marca não perde, quando se vê numa posição favorável não cede. Talvez tenhamos esgotado a torrente de golos para o mês de Março, mas num jogo de tão particular importância era a hora do tudo ou nada, chegar aos 27 pontos era fundamental para poder respirar melhor e entrar naquele limbo dos que têm a manutenção na mão, mas que por este ou aquele motivo (vêm-me uns quantos à cabeça assim de repente) não podem lutar de forma convicta pelo acesso a um lugar na Liga Europa.

 

Falando do jogo propriamente dito: cedemos como é hábito a iniciativa à equipa local, especialmente lógico se falarmos de uma equipa como o Arouca, boa troca de bola, ideias definidas, mas uma incapacidade no último terço para finalizar que é típica das equipas deste campeonato. Numa ocasião especial para o treinador Pedro Emanuel (defrontar a 1ª equipa que treinou deve ser sempre especial, um grande obrigado pela alegria que nos deste no Jamor, não esqueci...) sentia-se que este jogo era deveras importante para ambas as equipas, mais um no qual a primeira equipa que fizesse golo teria uma vantagem muito importante para o que restasse do jogo.

Felizmente foi Marcos Paulo a partir o ferrolho e deixou a Briosa a jogar como mais gosta: em vantagem e na expectativa. Como seria de esperar, na segunda parte o risco teve de ser assumido pela equipa aveirense, colocando Roberto em campo para colocar pressão sobre a zona central da Briosa. Como é hábito nestas circunstâncias a entreajuda foi fundamental para solucionar os problemas que foram surgindo (gigante jogo de Aníbal Capela, bem ajudado por Fernando Alexandre nas dobras). Neste contexto servia à Académica tentar contra atacar com objectividade, e após um primeiro ameaço de Moussa Gueye (belo remate ao poste), não foi surpresa o golo de Salvador Agra num lance simples de ataque rápido. Perante o desnorte local o 3º golo de Diogo Valente acabou por ser a cereja no topo do bolo, como que a premiar o esforço colectivo encetado durante todos os 90 minutos naquele projecto de relvado.

 

Mais um ano superado com louvor, um curso de bem defender, aprovação com nota máxima. Resta-nos avançar para mestrado sem medo de querer mais, porque muitos queriam estar por esta altura no nosso lugar, mas poucos podem...

Continuando na senda de campos mais propícios para a prática agrícola, segue-se uma deslocação a Vila do Conde... todos os prognósticos são inúteis, digamos que dependerá muito do que o vento nos puder dar (ou tirar). Com esta atitude e vontade de vencer tudo é possível!

Uma boa semana a todos!