O cantinho da Mágica
18
Fev

2014

Migalhas ao pôr-do-sol

Por Bernardo Sousa

 

Fim de tarde no Restelo, condimentos ideais para uma bela passeata pelo Mosteiro dos Jerónimos ou uma ida à Torre de Belém. No sofrível relvado do Estádio do Restelo a Briosa disputou mais uma contenda desta temporada, com o nulo a ser o reflexo natural da conjugação de dois factores preponderantes: em primeiro lugar, os piores ataques estiveram em despique e o esforço para comprovar esta tendência ficou bem patente na performance dos atletas; em segundo lugar, Ricardo esteve no relvado e mais uma vez mostrou o quão é importante para a preservação das redes coimbrãs. Incrível o quanto sono me está a dar pensar no que foi este desafio… acorda pá! Já passou!

 

Deste jogo fica a impressão de entre equipas muito parecidas (primar a defensiva em vez de procurar o risco) o empate seria sempre o desfecho mais natural. Se calhar para tudo ser diferente era bom (para variar) termos eficácia quando as oportunidades surgem.

A sofreguidão de concretizar é tanta que parece toldar as mentes mais iluminadas, seja a de um Rafael  ”El Tronco” Lopes (sim, a baliza estava mesmo aberta e tu conseguiste acertar no poste, rica pontaria, se quisesses não conseguias... e sim, tive grande vontade de te esganar com todas as minhas forças) ou de um Ivanildo (esperar que um "anão" marque de cabeça talvez seja demais, mas bolas, acertar na baliza era giro...).

Por sinal, fica a ideia: Salvador Agra tem lugar de caras no onze da Negra por esta altura (quando acertas Sérgio, é caso para elogiar) e muito mal anda este Cleyton para o Marcos Paulo, quando entrou para o lugar deste, ter feito bastante melhor...

 

De resto o Belenenses-Académica foi daqueles jogos chatos, por nesta altura da época as equipas já terem percebido o que valem. Neste contexto particular o risco torna-se algo obsoleto e raro, como se ao procurar o golo qualquer das equipas estivesse a entrar em apneia, a testar os nossos próprios limites sem devido prémio.

Assim o empate é o prémio dos medrosos, dos que procuram o pontinho como mal menor. Não vou ser hipócrita e dizer que me caiu mal este empate, apesar de ser evidente (a meu ver) que perdemos dois pontos perfeitamente ao nosso alcance. O Belenenses é uma equipa agressiva mas sem qualquer tipo de rasgo, a pressão no meio campo é rara e é uma equipa de cócegas em termos ofensivos, consegue criar situações de finalização, mas com raridade e normalmente em remates puramente especulativos. Sim, bem sei que na Luz e em casa com o Porto conseguiu pontuar, mas se puxarmos o filme atrás vemos bem o quanto isso foi demérito dos rivais da Cruz de Cristo mais do que outra coisa qualquer.

 

De resto, a equipa esteve ao seu nível, muito forte defensivamente. Entre Ricardo, Marcelo, Real, Halliche e Djavan temos o esteio da equipa, é um verdadeiro muro que impede os rivais de pensar com qualidade e cria uma barreira às veleidades das equipas adversárias.

No entanto não deixa de ser doloroso pensar o quanto o trabalho defensivo teima em não ser aproveitado mais à frente. A inépcia na finalização continua a ser dolorosa, e já não é novidade a quem acompanha os nossos jogos, e mudem-se os artistas ou não, a verdade é que continua a existir uma incapacidade gritante para meter a bola no fundo da baliza.

Neste contexto sinto-me um afortunado, vi a Briosa marcar 2 golos fora de casa num só jogo esta época, e tanta foi a sorte que nunca mais se repetiu. Só para se ter noção (até ver) em jogos do Campeonato a Briosa leva o soberbo registo de 3 golos marcados fora de casa, simplesmente demasiado pouco para ser verdade...

 

Próxima sexta-feira e o regresso a casa, logo com um jogo de elevado grau de dificuldade, contra o Nacional. Contra uma equipa que não perde há 11 jogos, continuar a somar rumo aos 30 será a grande prioridade, já que o fosso lá para cima (Liga Europa) já se tornou demasiado fundo para ser superado com sucesso.

Uma boa semana a todos.