O cantinho da Mágica
20
Ago

2014

Entroncados

Por Bernardo Sousa

 

E está de volta o maior espectáculo do mundo!

A Liga 2014/2015 finalmente começou e para trás ficaram meses de tranquilidade e de expectativa moderada pelo que poderia surgir de bom depois da razia habitual a que normalmente dá-se o nome de “defeso”. Para trás ficaram perdas irreparáveis: Djavan (qual bruxo, previ acertadamente que iria acabar na Pedreira), Halliche (oh, petrodollars are so sweet), Ricardo (que voltou à sua missão de aquece-bancos profissional), Marcelo Goiano (Braga o destino em versão overrated), Cleyton (perdido em parte incerta), Salvador Agra (como para todo o lado seguiu o papá, bem educado o rapaz), Diogo Valente (desterrado em Barcelos) e Makelele (também adepto de petrodollars), isto para além do místico Sérgio Conceição, mais um fã da teoria “amor à camisola, mas com moderação”.

Com isto tudo perdemos basicamente 80% do onze titular da época passada, ou seja, o chamado business as usual. Para o lugar de treinador chegou o fã de pinheiros Paulo Sérgio (Rafael Lopes, estás em casa enfim). Pela amostra a aposta será um misto de jogadores experientes (Lino para a lateral esquerda, Rui Pedro que tem experiência de Champions) com outros jovens com pouca experiência de Primeira Divisão (Ricardo Nascimento para o eixo defensivo, Obiorah acabadinho de chegar do Mundial, Iago para a lateral direita, e Cristiano para ocupar a vaga de Ricardo).

 

Lado A: O terror da 1ª parte

Com tanta troca e baldroca, é sempre um desafio alucinante ver o primeiro jogo da época, tentando descobrir quem são as caras novas e procurando algum tipo de segurança em nomes conhecidos como João Real e Marcos Paulo, dos poucos sobreviventes da época passada.

Começar em casa contra um candidato ao título é sempre prenúncio de complicação, e os primeiros 15 minutos do jogo deixaram-me a pensar que estava muito mais feliz de férias... neste período de tempo o Sporting tomou conta das rédeas do jogo aproveitando o pânico supremo causado em grande medida pelas incursões pelo espaço do nosso tenro defesa esquerdo Ofori (emprestado ao União da Madeira o ano passado e claramente mais verde que uma melancia).

Como corolário desta sequência de eventos sofremos um, como podíamos ter sofrido mais... a equipa estava manifestamente perdida e demasiado receosa e foi com manifesto alívio que atingimos o intervalo com uma desvantagem mínima no marcador.

 

Lado B: Iniciativa de ataque? Ai, as saudades...

Depois de uma primeira parte tão má, só podia esperar melhor na segunda... não só em termos de qualidade como também falando da atitude e agressividade. 

E finalmente viu-se algo! A equipa parecia outra, mais em sintonia com o jogo e com maior predisposição para pressionar à frente, e isso fez-se notar obrigando o Sporting a adoptar uma postura mais conservadora, tentando manter mais a posse (este Sporting de Marco Silva tem muito do Estoril do ano passado, muita posse estéril para basicamente arruinar os nervos ao rival) e procurando resolver o jogo em ataques rápidos.

Para mim há dois momentos fundamentais neste período de jogo: primeiro, Paulo Sérgio decide ser um homenzinho e mete o Magique aberto na direita para dar profundidade nos corredores abdicando um pouco da luta de meio campo, aposta mais do que ganha; em segundo lugar como é óbvio a expulsão de William, ocorrida em mais uma das arrancadas do novo mago de Coimbra, que dá pelo nome de Rui Pedro.

Em relação a destaques, sublime o momento em que "El Tronco" Rafael Lopes decidiu mostrar que pode marcar golos que não sejam anulados por este ou aquele motivo, explosão de alegria natural depois de quase perdermos um jogo em que claramente fizemos tudo para pelo menos conquistar um ponto, com um futebol mais atrevido do que na época passada, com futebol mais ligado.

Um resultado positivo contra uma equipa que, tendo muitas das virtudes da época passada promete voltar a lutar pelos primeiros lugares e que me deixa esperançado num bom resultado na próxima jornada quando visitarmos um Marítimo que à partida estará enfraquecido em relação à época passada.

 

Nem me lembrei de falar do penalty de Jefferson na 1ª parte, aquilo realmente viu-se a milhas... as férias realmente acalmam um homem, está mais do que provado. Mas realmente começou oficialmente a época, até neste capítulo! Há coisas que mudaram, como o primeiro golo do Tronco na I Liga, mas há outras que nunca vão mudar...

 

Uma boa época a todos!
Bernardo Sousa