O cantinho da Mágica
10
Mar

2014

Déjà Vu

Por Bernardo Sousa

 

O ano era o de 1988... Dora cantava uma música com o título desta crónica na final do Festival da Canção (em vésperas de mais uma edição, a minha singela homenagem...). E tal como dizia a letra dessa canção, o jogo de sexta-feira à noite entre o Rio Ave e a Académica é fácil de explicar:

“Déjá Vu, Dejá Vu, não há que inventar, tudo é Déjà Vu..(…) e o que está a dar é ser Dejá Vu”.

Para quem não tem acompanhado as crónicas que tenho feito semanalmente, era fácil pegar na minha crónica intitulada “A queda de um Anjo” e decalcá-la de forma mais ou menos fiel neste espaço, eliminando da equação o erro de Ricardo que naquela data deu o triunfo aos vila-condenses e a consequente passagem à meia-final da Taça de Portugal.

Se analisarmos de facto, os dois jogos em questão foram muito, mas mesmo muito semelhantes, com apenas duas diferenças (para além da acima mencionada): o estado do relvado ser desta vez menos penoso, e também o facto de as condições atmosféricas - ao contrário do cenário de dilúvio do jogo da Taça - permitir que o jogo não fosse uma lotaria.

 

A tranquilidade conquistada com o triunfo em Arouca (ou outro dado qualquer de matriz aleatória) fez com que a Briosa entrasse desconcentrada no jogo, dando muito espaço entre linhas ao rival, cometendo erros poucos habituais na transição defesa-ataque, com particular incidência para o espaço entre os centrais e o médio mais defensivo (meter o Aníbal Capela e o João Real a construírem jogo é pouco menos que kamikaze).

De forma mais ou menos feliz conseguimos escapar ilesos a esse período de menor acerto, tendo inclusive estado perto do golo em duas ocasiões no primeiro tempo, numa arrancada “à Djavan” bem sustida pelo guardião contrário e por um remate poderoso de Fernando Alexandre (mesmo a queimar os 45 minutos) que passou a rasar o poste. Neste contexto é relevante mencionar que apesar de tudo se terem feito notar as ausências de certos elementos que têm sido peças chave da equipa nesta fase da época: Halliche (selecção da Argélia), Makelele e Salvador Agra (castigados).

No segundo tempo tivemos outro jogo, um onze mais proactivo, com maior iniciativa atacante, procurando defender mais longe da sua baliza e visando as redes contrárias com a maior das determinações, exemplos derradeiros os fogachos de Rafael “El Tronco” Lopes que numa situação óptima para facturar conseguiu acertar nas “orelhas” da bola e o portentoso remate de Diogo Valente à barra da baliza de Ederson, fazendo com que o empate fosse então o resultado mais acertado face ao que se jogou nos 90 minutos.

Como já é tradição voltámos a contar com Ricardo no seu auge, fazendo um par de defesas para a já extensa galeria de honra desta época, provando que as sucessivas injustiças (não chamadas à Selecção) não o têm perturbado em nada, deixando que o seu trabalho fale mais alto do que qualquer reparo às decisões de quem de direito (sim Paulo Bento, já percebemos que se não é do Benfica, Sporting, Porto ou Braga e se joga em Portugal então não existe, e isto é um facto que os dados comprovam...).

 

Grão a grão vamos somando, 28 pontinhos e o 8º lugar isolado (ou 9º em caso de vitória ou empate do Marítimo no seu jogo), vida de burguês em termos futebolísticos para o que temos tido nas últimas épocas, é caso para respirar de forma desafogada... ansiosamente esperando mais um desafio de relevância assinalável: próxima sexta-feira à noite no Cidade de Coimbra contra o SC Braga, 7º da geral, o mais próximo que temos de um concorrente directo pelo prémio de ser considerado o melhor dos medianos.

Só numa nota de curiosidade (que se calhar escapa ao menos atentos), partimos agora para a 23ª jornada do campeonato... o próximo jogo será o 12º (sim, estão a ler bem) no qual vamos jogar ou à sexta-feira ou à segunda-feira... é assim que querem ajudar a encher estádios? Só se for com desempregados...

Uma boa semana a todos.