O cantinho da Mágica
02
Abr

2014

A ternura dos 30

Por Bernardo Sousa

 

Paco Bandeira, alentejano de gema... cantante popular de dúbia reputação, é uma figura de certa forma reconhecida por êxitos como o tema “Ternura dos 40”. Por certo tal tema dizia respeito à idade e não a outros atributos quaisquer, mas decerto que nunca pensou ele que tal tema fosse pretexto para uma qualquer crónica sobre o desporto-rei.

Por fim, atingimos os 30 pontos (32 para ser mais exacto), lufada de ar fresco tremenda depois da dispensável demonstração de inoperância da última jornada. Em casa frente a um dos pesos-mortos deste campeonato (Olhanense, mas sim Belenenses, i’m thinking of you), uma vitória era tão obrigatória quanto o regresso ao nosso paradigma de jogo, lutar contra as adversidades a todo o custo.

Depois de uma primeira parte terminada em vantagem (tão justa quanto escassa) o erro de Fernando Alexandre a oferecer ao empate - caidinho do céu com todas as letras - a equipa voltou a demonstrar o seu carácter tomando as rédeas do jogo com unhas e dentes, em busca da vitória (tão normal como justa).

 

Não somos um Barcelona, nem tão pouco... mas olhando para a classificação era tão lindo pensar que tudo poderia findar assim, 6º lugar é tão inacreditável quanto mágico, e vezes sem conta me recordo que a equipa que agora é tida como óptima, era há meses atrás vista como a soma de limitações várias que se iria traduzir sem grande agravo numa época de grandes sobressaltos.

Por algum motivo a Briosa é das equipas mais “low profile” deste campeonato. Doses de realismo abismais reforçadas com uma noção de que “o caminho faz-se caminhando”, sem grandes euforias, sem grandes rasgos de brilhantismo. Afinal, o nosso maior mérito é saber reconhecer as nossas limitações e perceber as nossas forças. E tal feito cabe em grande parte ao treinador, depois de alguns jogos a testar vezes sem conta soluções (muitas vezes sem grande sucesso) finalmente se percebeu que o maior trunfo que uma equipa com estas características poderia ter seria sempre a coesão colectiva, com poucas mudanças no onze inicial, com a consequente criação de uma identidade colectiva forte.

A partir do momento em que esta simbiose foi alcançada os resultados são quase imaculados, salve os pontos perdidos em casa com grande influência arbitral, a equipa tem estado que nem um relógio suíço, fazendo o que tem a fazer sem grande alarido. O jogo com o Olhanense foi mais um em que se vestiu o fato-macaco, procurando explorar ao máximo os desequilíbrios provocados pelas alas (afinal o ponto mais débil do adversário) a nossa equipa conseguiu estar sempre por cima, sem massacrar, mas com a noção de superioridade natural face a um rival preso por arames. Destaques para Salvador Agra (uma clara mais-valia nesta fase da época) e para o já habitual Djavan, que muita falta irá fazer na deslocação ao Dragão na próxima jornada.

 

Momento religioso da crónica: Aleluia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Enfim, 24 jogos depois um homem do apito percebeu que as áreas são locais onde se podem marcar faltas sobre os nossos jogadores! E como a fome costuma dar em fartura foram logo duas no mesmo jogo, mantendo no entanto a tendência alarmante de anular golos ao Rafael “O Tronco” Lopes em circunstâncias no mínimo dúbias... Bruno Paixão, um general sem medo de ter olhos na cara, coisa que não devia ser transcendente na classe, e no entanto...

 

Próximo fim de semana, deslocação ao Dragão num jogo de dificuldade elevada, talvez possamos aproveitar o desgaste resultante da jornada europeia do rival, mesmo não indo contar com Djavan para travar os adversários. Mas não há que temer, pouco temos a perder nesta fase, sendo essencial preservar a garra e a atitude vencedora do último Domingo.

Uma boa semana a todos.