No Caldeirão, Domingo às 4
28
Jun

2013

As caras novas

Por Paulo Pereira

 

Com o regresso aos trabalhos marcado para esta segunda-feira, vale a pena actualizar a ficha do plantel e perceber mais claramente em que pé é que se vai começar a temporada. Já aqui fizemos uma análise ao que ficou do Marítimo 2012/13, e agora é hora de abordar os reforços já confirmados.

 

Referências
Vinícius (ex-Braga) é claramente o jogador com maior estatuto a chegar ao plantel. O disponível médio de 27 anos vai encarar a sua quarta época na primeira divisão, depois de ter brilhado na Olhanense, chegado aos quadros do "quarto grande" e evoluído no Moreirense, no ano que passou. É um médio possante, de passada larga e capaz de encarrilhar as transições da equipa. Podemos dizer que é uma certeza, e dificilmente não fará parte da espinha imediata da equipa. Sob o seu posto, pairava o peso muito particular de preencher a partida de uma das referências do clube - Rafael Miranda -, mas Vinícius parece uma aposta à altura do desafio. 

Menos "reforço", porque já estava no plantel, mas igualmente motivo de todo o regozijo, é a confirmação da permanência de Artur, novamente por empréstimo do Chernomorets, da Bulgária. O aveirense é um futebolista brilhante, um jogador de tanto talento quanto rendimento, na posição particularmente excelsa que é a de número 10. Será, sem ponta de dúvida, uma das referências maiores do Marítimo 2013/2014.

 

Promessas
Jorge Chula, 23 anos, formado no Porto e acabado de sair dos quadros do Sporting, é outra das chegadas. Ainda não é garantido que seja absorvido pela equipa principal no imediato, mas o extremo é um reforço bastante promissor. Tem história nas camadas jovens, é novo e é português. Não posso dizer que já tenha visto muito dele, mas o pique e a rebeldia ficaram na retina e, na Madeira, terá tempo para crescer de forma sustentada, beneficiando, justamente, desse paralelo entre equipa principal e secundária.

Outro que não é cara nova, mas que pode muito bem vir a entrar com autoridade no plantel principal é José Sá. Chegado há dois anos dos juniores do Benfica, o guardião tem sido uma das figuras maiores da Selecção no Mundial de Sub-20 que está a decorrer, e tem feito por merecer a consideração de Pedro Martins no curto-prazo. Com um vazio na baliza, deixado pela saída de Salin, exibições como esta podem estar a fazer muito pela vida do jovem de 20 anos. E Pedro Martins não tem tido pejo em dar oportunidades aos jovens.

 

Interrogações
Na última semana, chegaram igualmente ao clube 4 jogadores brasileiros, todos de divisões profundas do futebol carioca. Rodrigo Lindoso (24 anos, médio-ofensivo) e Derley (25 anos, ponta-de-lança) foram contratados ao Madureira (3ª divisão brasileira), ao passo que Sidney Silva (25 anos, trinco) e Thiago Carioca (25 anos, médio-ofensivo) vieram do Angra dos Reis, algures nos distritais do Rio de Janeiro. Não é correcto criticar seja o que for por antecipação, e qualquer um deles merece primeiro a oportunidade de mostrar o que vale. De qualquer das formas, são o tipo de contratações que custam muito a perceber. Estamos a falar de jogadores feitos, que chegam das profundezas do futebol brasileiro, ainda por cima aos pares... certamente representados pelos mesmos empresários. Não tenho nada contra comprar em divisões secundárias, antes pelo contrário, e admito que, dada a dimensão do mercado, o Brasil seja uma tentação, tal como é fácil constatar que clubes médios portugueses já terão dificuldades em contratar sequer na Série B do Brasileirão. Ao mesmo tempo, custa-me a crer que alguém tenha ido observar jogadores à 2ª Divisão de um campeonato estadual. Mesmo que até sejam futebolistas interessantes no binómio preço/potencial, estamos a falar de jogadores de 25 anos a fazerem a transição de um distrital para uma primeira-divisão europeia. Neste cenário, e porque a falta de dinheiro é um dado irrebatível, investiria sempre em jovens para a equipa B, de preferência a jogarem em Portugal. Nem têm de ser portugueses, mas que sejam mais novos, estejam adaptados ao país e que sejam efectivamente observados primeiro. Quem sabe, todos os quatros acabados de referir vão dar jogadores, e sou o primeiro a torcer por isso, tal como serei o primeiro a reconhecê-lo, caso suceda. O que se critica aqui é o princípio em si: contratar jogadores como se se estivesse a pescar à rede não é política desportiva nenhuma. 

Pelo pouco que é possível especular, a atenção deverá estar sobretudo em Lindoso que, entre 2011 e 2012 passou pelo Fluminense, e em Thiago Carioca, formado na Portuguesa, e com duas passagens anteriores pela Europa, primeiro no Sarajevo (2009/10), e no, ano seguinte, em Portugal, no Vizela.

 

Na linha do que defendi na antevisão, podemos considerar que o plantel já está praticamente alinhavado: chegou o substituto de Miranda, continua Artur, o miolo foi muito reforçado (um médio-defensivo, dois ofensivos), e estão contratados mais um extremo e mais um avançado. Não foram comprados nem um guarda-redes nem um central experiente, mas, para já, com a emancipação de José Sá e, eventualmente, com a de Bauer (central alemão de 20 anos que brilhou na equipa B, e continua emprestado pelo Estugarda), pode ser o próprio seio do plantel a resolver essas questões. Mesmo que haja um sentimento algo agridoce em relação aos nomes que já chegaram, uma coisa é certa: o plantel está feito antes do dia 1, e isso é a fórmula ideal para começar a trabalhar. Só fica a faltar saber que anéis é que se vão perder.