No Caldeirão, Domingo às 4
05
Ago

2013

Ano novo n'O Caldeirão

Por Paulo Pereira

 

Com o primeiro jogo de apresentação em muitos anos, os Barreiros declararam abertas as portas da campanha 2013/2014. O Las Palmas foi um adversário na boa medida, simpático, pelo que deu para explorar as boas sensações e coroar a festa com a primeira vitória caseira do ano.


Desde logo, sublinhar os 25 nomes apresentados: 15 transitam do ano passado (ainda que a saída de Rúben Ferreira esteja iminente), 5 sobem da equipa B (Sá, Bauer, Gegé, Brígido e Alex Soares), 2 voltam de empréstimo (Marafona e Fábio Santos), estreando-se em folha somente 3 reforços: Rodrigo Lindoso, Derley e Danilo Pereira (ex-Parma), uma das figuras da Selecção de Sub-20 que, há dois anos, foi vice-campeã do Mundo na Colômbia. O jovem português foi, aliás, o último a chegar, em sentido contrário ao de Ricardo Ferreira e Semedo, dispensados após o estágio. Como é patente, a aposta é no projecto e na continuidade. Pedro Martins tem-no advogado sempre pelo exemplo, e, pese a perda de várias referências do ano passado, voltou a provar confiança nos homens que trabalham consigo de perto há mais tempo. Este ano já foram mesmo excluídos vários reforços e, no onze titular, calçaram nada menos do que 10 jogadores que já faziam parte dos quadros. Sublinhem-se os 5 portugueses titulares, dos quais 3 madeirenses.

O miúdo Sá, ainda nas bocas do mundo pelo excelente Mundial de Sub-20 que realizou, não fez por menos e já entrou como #1. A defesa quase não mexeu, e, no miolo, o duplo pivot nas costas de Artur foi composto por Marakis e por João Luiz, depois de um ano inteiro lesionado. Nas alas, Héldon e Sami confirmaram a tendência do ano passado, e foram escolhidos sobre Danilo Dias. Na cabeça do ataque, Derley foi a única cara nova, com a tarefa ingrata de substituir Suk. No geral, foi uma primeira-parte cinzenta. A equipa entrou envergonhada, a pisar o terreno pouco segura de si, e não emprestou qualquer rasgo ao jogo. Nessa fase, o bom toque do Las Palmas, inspirado por um velho mestre - o brilhante Juan Carlos Valéron que, aos 38 anos, regressou a casa -, foi, aliás, a nota de registo. Numa equipa muito cordata, ficou difícil tirar conclusões dignas desse nome. Ainda assim, José Sá reclamou o lugar com duas grandes defesas, uma delas sensacional. João Luiz deixou no ar que pode ser um box-to-box importante para a estratégia da equipa, e Artur deixou subentendido quem é a estrela da companhia. Derley não confirmou, para já, o estatuto de surpresa da pré-época, e perdoou à frente da baliza.


Na segunda-parte, pelo contrário, o jogo encheu-se de vida. Os "suplentes" encarregaram-se de rechaçar a etiqueta e deixaram óptimas indicações. Danilo Dias, pela extrema-direita, reclamou alto que quer voltar à forma que o celebrizou há dois anos e, imparável, foi o melhor da tarde. Na ala oposta, Rúben Brígido também deu nas vistas com a bola colada ao pé. É bom que um talento como o seu pareça estar de volta. Na retina ficaram especialmente os dois médios interiores da segunda parte, que inverteram o triângulo e emprestaram grande intensidade à equipa: Rodrigo Lindoso, reforço ex-Madureira, que marcou um golo de bandeira, tem técnica, força e à vontade a chegar à área; Alex Soares, recém-promovido da B, é um médio de excelente passada mas extremamente elegante a conduzir a bola. O poder do quarteto no último terço - na psoição 9, Fidélis também não deslumbrou - foi suficiente para afogar o adversário ilhéu, que não teve forma de se remediar, pese tenha merecido o golo de honra.


Com 5 vitórias em 7 jogos, a preparação continua com a recepção ao Celta de Vigo, no próximo Sábado, nos Barreiros.