Curva Belíssima
26
Set

2013

Um Leão a perder força?

Por Luís Pires

 

Doeu. Doeu muito. Tanto, que custou a fazer sair este post. Já não estava habituado a ver um Sporting amorfo e sem vontade, como o que se viu em Alvalade no fim-de-semana com o Rio Ave. E o maior problema é mesmo o que se viu em campo, nem é o resultado.

 

A caminho do Estádio, dizia para um amigo, fiel companheiro de Gamebox mas que ainda não tinha conseguido ir a Alvalade este ano: “Pá, eu dou de barato que vamos perder jogos, nós não vamos lutar pelo campeonato. O único que exijo é que continuem a comer a relva em todos os jogos”.

Talvez a relva no Sábado tivesse outro sabor, talvez os jogadores já tivessem comido antes do jogo, não sei. Mas a minha única exigência – e, acredito, dos sportinguistas com cabeça - viu-se gorada na desconcertante leveza com que o jogo foi abordado pelos jogadores. Tirando uns dez minutos iniciais em que entraram com vontade, os jogadores do Sporting amoleceram, como quem já sabe que pode manter um ritmo mais baixo, ir trocando a bola sem grande fulgor, que ela vai acabar por entrar na baliza do adversário na mesma.

O problema é que isso não acontece. Pode, às vezes, acontecer, mas por sorte. E não perante um adversário como o Rio Ave, que está transformado, de facto, numa das boas equipas da liga. Sem querer reviver muito a agonizante história do jogo, a mesma conta-se de forma simples: o Sporting fez a pior exibição da era Leonardo Jardim, não teve força nem vontade, o Rio Ave bateu-se bem, com as armas que tem ao seu dispor, e o empate foi mais que justo.

Mas causa um receio: olhando para os dois últimos jogos, o Sporting perdeu claramente força e criatividade, o bom momento começa a desvanecer-se e a ser mantido a ferros. Será que o Leão está a perder as forças do início? Esperemos que não e que Leonardo Jardim saiba dar a volta por cima. Mas Olhanense e Rio Ave são sinais de alarme a que a equipa deve estar atenta.

 

Estando triste pelo resultado, a verdade é que, ainda em pleno Estádio, disse a quem me acompanhava que o Sporting estava a precisar de um desaire, para os adeptos se lembrarem de que equipa é que têm a jogar. Claro que no calor do jogo a expressão utilizada foi menos cara e muito mais ordinária, mas a ideia é a mesma.

É que o pior adversário do Sporting – que é o próprio Sporting, sobretudo os adeptos – já começou a acordar. Estive lá contra o Arouca e vi, como estando a perder 1-0 e a jogar mal, a equipa estava a ser apoiada como se não houvesse amanhã, com toda a gente a cantar e a bater palmas de ânimo. Contra o Rio Ave, numa altura em que o Sporting ganhava 1-0, estava a ser assobiado por estar a trocar a bola no meio-campo defensivo, sob um coro de impropérios por norma dirigidos à equipa adversária.

Não faz sentido. Não faz sentido os adeptos do Sporting continuarem a teimar na bipolaridade de embandeirar em arco com dois ou três bons resultados seguidos e chorarem que nem meninas de joelho esfolado após um mau resultado. Ainda bem que se perdeu pontos, ainda bem que a equipa falhou, ainda bem que a todos nos foi recordado o que é esta equipa do Sporting e o quão longe estamos de poder lutar pelo título. Talvez na próxima jornada os assobios voltem a desaparecer...

 

Este fim-de-semana vamos a Braga. Estimo o Prof. Jesualdo, estar-lhe-ei para sempre grato pelo que fez de Leão ao peito no ano passado. Mas irra, que gostava mesmo de enfardar o 4º grande e poder voltar a olhar para eles por cima do ombro. Vai ser complicado. Provavelmente, não ganhamos. Perderemos, até. Mas bora lá malta, vamos tentar ser um pouquinho mais aguerridos, ok? Percam, mas percam com orgulhosamente, com a sensação de que fizeram o máximo que podiam. Estão a ver a forma como o Carrillo tem entrado nos jogos? Não tem nada a ver, façam exactamente o oposto (Leonardo, e o gajo ir à B para sentir uns arrepios na espinha?).

 

Três notas:

1 – Boa entrevista do nosso presidente ao "Jornal de Negócios". Uma boa parte daquilo é propaganda, mas a culpa também é de quem o entrevistou. Quando foi questionado com coisas concretas, com números, com ideias, Bruno Carvalho não se furtou a resposta nenhuma. Aterrador ler a parte das comissões pagas. Inspirador ver o apelo e a vontade de lutar pela regulação de tudo o que faz mexer dinheiro no futebol, desde os agentes aos fundos de investimento.

2 – Gostava de fazer uma piada com o que se passou no final do Vitória de Guimarães–Benfica, mas tenho medo que o Jesus me bata. Ainda por cima agora que, reza a lenda de Paulo Fonseca (a sério, eu até lhe tinha algum respeito quando estava no Paços de Ferreira), o homem tem o dom de ser omnipresente.

3 – Há árbitros que erram tanto e há tanto tempo, que não se percebe como ainda andam no mundo do futebol. Xistra é um deles, certo. E o penalty no Sporting–Rio Ave é claro. Mas não é desculpa. O Sporting empata porque faz um jogo de caca, só isso. Gostei muito de ver Leonardo Jardim depois do jogo: os grandes são os mais beneficiados, não têm de chorar por causa da arbitragem (ouviste, Paulo Fonseca?), têm é que fazer por ganhar. Ou, mais directo: calem-se e joguem à bola.