Curva Belíssima
21
Out

2014

Taça é Taça!

Por Jorge Gomes Salvado

 

Vivemos para estes momentos.

Vivemos para memorizar os momentos em que nos superiorizamos e em que sentimos que podemos ir mais além.

Num passado recente o nosso orgulho bateu no fundo. Era rara a vez que conseguíamos fazer uma deslocação ao Dragão e vir de lá com um resultado convincente. Umas vezes porque os árbitros se encarregavam de nos dificultar a situação, outras por motivos inerentes aos fracos plantéis que fomos construindo. Mas este ano foi diferente. Fomos ao Dragão confiantes num bom resultado. Os resultados anteriores deram-nos essa margem e tudo parece ser mais fácil quando os jogadores acreditam que é possível.

Bem sei que tenho “batido” muito no nosso treinador. A minha tarefa não é fácil! Expressar uma opinião por escrito, e deixá-la à mercê de quem lê, pode sempre gerar incompreensão. “Bati forte e feio” no Marco Silva. É verdade. Não há para onde fugir. Está escrito! Tão escrito como as palavras que escrevo neste momento e que me obrigam a reconhecer que o nosso treinador me está a convencer e a mostrar que percebe da “coisa”.

Na vida, como no futebol, 50% são empenho e os outros 50%, forçosamente, entregamos “nas mãos da sorte”. Claro que nem tudo se poderá resumir a isto, mas o Sporting tem jogadores em grande forma e isso torna a missão do treinador mais fácil na hora de incutir, realmente, aquilo que pretende que aconteça dentro de campo. E é este o ponto principal de hoje: Os jogadores! 

 

Estou subjugado às exibições do nosso capitão!

Ainda agora me arrepio ao ver as palavras que ele “segredou” ao ouvido do Maurício depois do penalti cometido no Dragão. Pode ser a minha imaginação, e a de muitos, ao tentar ler os lábios do Patrício mas “isto”, meus caros, é de Capitão! A probabilidade de ele defender o penálti era mínima e sabia que, ao estar a dizer aquilo, poderia não significar nada, como poderia significar tudo se fosse bem sucedido. E foi...

Quando as coisas não nos correm da melhor forma, quando tudo parece estar contra nós, é muto importante termos alguém que nos ajuda na hora da queda. O Maurício tem mais de mau do que de bom, naquilo que diz respeito às suas capacidades técnicas e tácticas mas… é o que temos! Prefiro um Maurício que acredita (só ele) que vai para o Manchester United, do que um Maurício titular que não acredita que vai ganhar a próxima bola.

Espero isso dele e de todos os que vestem a nossa camisola. É muito bom sentir que os nossos jogadores acreditam, verdadeiramente, que entram no jogo para ganhar. Queremos sempre que a equipa seja reconhecido num todo. Quem jogou foi o Sporting e não, só, o Patrício ou o Nani.

Mas é difícil! Muito difícil! No futebol, mais do que uma táctica bem construída ou de um jogo bem lido, os golos são o culminar deste desporto e aí quem os faz fica na história. Se o primeiro e o terceiro golo foram “às 3 pancadas”, quero realçar o golo do Nani, não tanto pela nota artística, mas sim pelo próprio Nani.

Conseguir recuperar um jogador desta envergadura e fazer com que se sinta motivado a disputar um campeonato secundário é digno de reconhecimento. Se, por um lado, o treinador e o clube fazem o seu papel, que dizer de Nani? Se o nosso Capitão está na baliza, e continua a mostrar que sua solidez, que dizer do nosso General do ataque? Estou satisfeito.

Consigo olhar para dentro de campo e ver referências. Consigo finalmente perceber que a nossa Academia não forma, só, “Cristianos Ronaldos”, mas também jogadores que conseguem servir várias posições em que a equipa estava cheia de lacunas. Nem todos podem ser jogadores acima da média, mas a equipa está construída para que o conjunto elimine as limitações individuais de cada um. Tenho notado isso de jogo para jogo.

Gosto desde Sporting jovem, deste Sporting que fala português, na sua maioria, e que se revela como uma “amazónia” das selecções. A juventude pode custar-nos títulos, vitórias e algumas alegrias a curto prazo, mas o trabalho implementado, a continuar assim, irá, forçosamente, dar frutos muito saborosos. Espero que esta onda de boas exibições, e de pontos conquistados, continue a dar-nos a vitalidade suficiente para podermos continuar a acreditar que é possível dar um passo em frente nas competições em que estamos envolvidos.

 

Mesmo depois dos dois resultados menos conseguidos, que obtivemos na Champions League, continuo a achar que é possível assegurar um segundo lugar. Basta que seja dada continuidade a esta postura confiante que temos apresentado em campo. Se o segundo lugar da Champions, que está ao nosso alcance, não se concretizar, a Liga Europa é a nossa obrigação.

A não ser que as “bolas quentes” estejam de volta, penso que podemos ir um pouco mais além na Taça de Portugal, até que seja necessário encontrar um “grande”. Por fim, mas não menos importante, continuo a achar que o mundo é feito de imperfeições e os clubes no topo da tabela classificativa da Primeira Liga também irão perder pontos, permitindo-nos pressionar quem já julga que a coisa se afigura garantida.

Nos próximos dois meses e meio o Sporting, entre Liga Portuguesa e Champions League, defrontará o Schalke 04 (F), o Marítimo (C), o Vit. Guimarães (F), o Schalke 04 (C), o Paços de Ferreira (C), o Maribor (C), o Setúbal (C), o Boavista (F), o Chelsea (F), o Moreirense (C) e o Nacional (F). 5 jogos fora de casa (2 para a Champions e 3 para a Liga) e 6 jogos à nossa frente (2 para a Champions e 4 para a Liga). Não tenho a mínima dúvida, hoje em dia, que temos equipa para dar boa resposta nestas duas frentes e para chegar ao final do ano com os objectivos bem encaminhados.

Por último, gostava que apelar ao bom senso do nosso presidente Bruno de Carvalho. Na minha opinião perde-se, por vezes, em jogos de palavras, comunicados e entrevistas na Sporting Tv, que acabam por descredibilizar muitas das coisas acertadas que diz em público.

Esta “coisa” de andar, constantemente, a aparecer nas capas dos jornais, em discurso directo, por muito que seja com a intenção de abanar aquilo que está mal no futebol, acaba por ridicularizar o Sporting no panorama do futebol nacional. O Presidente tem de falar do Sporting. A mim, em particular, chateia-me ver o presidente do meu clube sempre com o Benfica e FC Porto na boca. Não deve ser às nossas custas que os outros clubes devem ter visibilidade. Vamos fechar o clube aos seus adeptos, sócios e simpatizantes.

Unidos e coesos seremos sempre mais forte e menos vulneráveis àquilo que nos rodeia no sujo e promíscuo mundo do futebol.

Em frente Sporting!