Curva Belíssima
09
Out

2013

Sporting chega sólido ao Dragão

Por Luís Pires

 

A curva belíssima acompanha sempre a equipa. Infelizmente, esta do mundo virtual viu-se obrigada a um interregno nas lides futebolísticas, ausentando-se do país. Não foi muito tempo, mas foi o suficiente para falhar dois jogos: a vitória por 2-1 ao Braga e a goleada de 4-0 deste fim-de-semana ao Setúbal.

Vistos e revistos os resumos e os golos de ambos os jogos, pouco ou nada mudou (e ainda bem): o Sporting continua a jogar bem a espaços, continua a ter falhas que prometem manter-se durante toda a época, continua a marcar golos e a ganhar e, importante, está cada vez mais sólido. Ganhar em Braga é fenomenal. Ok, os guerreiros do Minho estão com dificuldades em atinar. Mas é o Braga, o suposto quarto grande. E é o Sporting, em crise vai para quatro anos.

 

Dirão alguns que, quanto ao Setúbal, também não é de embandeirar em arco a goleada, até porque o Sporting voltou a fazer uma primeira parte sem grande brilho. Talvez. Mas não se trata de embandeirar. Trata-se de justamente reconhecer o mérito de uma equipa de miúdos que não aponta ao título, mas à oitava jornada vai chegar ao Dragão com possibilidade (ainda que remota) de se isolar no primeiro lugar, caso vença o actual campeão. Uma coisa tão surreal que nos faz sentir, sportinguistas, como o Michael J. Fox no “Regresso ao Futuro”. E o Sporting de Jardim é o nosso DeLorean.

Retenha-se a parte mais importante da frase anterior: esta é uma equipa que “não aponta ao título”. Não o era quando o campeonato começou e continua não ser agora que passaram sete jornadas. É, isso sim, uma equipa cheia de garra, com dois ou três jogadores mesmo bons, uns miúdos que prometem e alguns jogadores sofríveis. É preciso manter o objectivo de ir pensando jogo a jogo, com as competições europeias no horizonte. Se houver um milagre no fim, será ainda mais saboroso.

 

Uma palavra para Leonardo Jardim: classe. O que o treinador do Sporting está a fazer neste início de campeonato é de louvar. Pegou numa equipa destruída, reconstruiu-a e está a colher frutos muito mais cedo do que seria previsível até pelo mais optimista dos adeptos (daqueles que são minimamente racionais, pelo menos). Ainda há muito jogo pela frente e o Sporting até pode, obviamente, quebrar e daqui a umas semanas ou meses estar aqui a debater-se o que está a falhar e porquê. Mas, neste momento, não está a falhar praticamente nada. E, mesmo que venha a falhar, o treinador não deve ser tema de debate. Leonardo Jardim é uma lufada de ar fresco depois dos Sá Pintos desta vida. Acarinhemos o rapaz, que ele merece. E se ele consegue endireitar o Carrillo e pô-lo a jogar à bola...

Ainda vai haver tempo para falar do jogo com o Porto, para antecipar esse embate que, à partida, parece quase impossível de vencer. Mas fazemos já dois votos:

1- Que o Leonardo mantenha a coragem que tem demonstrado até aqui e não altere a estratégia de jogo da equipa;
2– Que não aconteçam episódios extra-futebol a manchar aquilo que pode ser um bom jogo, o primeiro em muitos anos em que o Sporting pode efectivamente ter capacidade de fazer frente ao Porto.

 

Esperemos é que esta pausa pelo meio não seja prejudicial. Sim, porque estas paragens de duas semanas para ver o REInaldo jogar chateiam. Nunca chegam em boa altura. E a malta pode vê-lo jogar no Madrid, chega perfeitamente, até porque já os leva a eles às costas. Sim, sim, há quem goste de o ver vestido de vermelho. Mas vá lá, mete dó ver o rapaz jogar sozinho. Enfim, boa sorte Naldo, vai lá apanhar o Pauleta e jogar sozinho contra Israel para ganhares ânimo e, quando voltares a Madrid, veres que o Morata não é assim tão mau.