Curva Belíssima
01
Set

2014

O Sporting está de volta!

Por Jorge Gomes Salvado

 

Desde 2004 que vou a Alvalade com assiduidade quinzenal. Aprendi a viver o clube naquilo que são as suas vitória e derrotas. Vi o Sporting perder a final da Liga Europa em casa, vi o Sporting ser humilhado na Champions e vi vitórias, muitas vitórias importantes, ao longo destes últimos 10 anos. Mas, e certamente antecipando o que se poderá pensar, os clubes vivem de títulos e o Sporting continua a ver o campeonato fugir-lhe desde 2002 (12 longos anos).

O final da época de 2012/13 foi um marco negro na história do Sporting mas, em abono da verdade, podemos também referi-lo como um virar de página irreversível. A equipa não tinha ambição, os jogadores queriam sair e não sentiam que o clube os pudesse ajudar na sua progressão profissional. A massa associativa sempre foi dura na hora da derrota, embora acabasse, quase sempre, por apoiar a equipa do primeiro ao último minuto. Foi uma época bastante pobre, que ninguém, certamente, esquecerá. Mas tudo muda!

Neste caso, mudou a direcção e o princípio maior que o dirigismo desportivo tem de ter: O Amor ao Clube. Não referindo nomes, até porque seria tornar importante quem nunca o foi, muitos foram aqueles que se aproveitaram do Sporting Clube de Portugal para aumentar o seu património pessoal e a sua carteira de “clientes”. Contratações sem visão de mercado (jogadores em fim de carreira), renovações tardias ou sem sucesso (Djaló, Moutinho e Veloso) e, para espanto de muitos, delapidação da Academia com estratégias ruinosas (Venda de % no passe de William Carvalho e “negociatas gitanas” no contrato de Bruma).

Na Primavera de 2013. Bruno de Carvalho toma posse como Presidente do Sporting e, já no seu mandato, o Sporting atinge a sua pior classificação de sempre: o 7º Lugar. Felizmente, e hoje acredito literalmente nisto, o Presidente Bruno de Carvalho cruzou-se com os destinos do clube. Não basta ter “apelido abastado”, muitos zeros na conta bancária e um “dr.” antes do nome, para que se seja um bom gestor de capitais. O futebol tem de ter paixão, emoção e vitórias.

A época de 2013/14 iniciou-se sem ambições desmedidas, sem candidaturas ao título e sem disputa de provas europeias. Aos pouco foi-se arrumando a casa, alguns jogadores foram saindo e os jovens da academia começaram a reaparecer.  Que faziam Boulahrouz, Onyewu, Gelson Fernandes, Pranjic, Jeffrén, Izmailov, Labyad e Wolfswinkel em Alvalade? Eis a gestão danosa, no seu expoente máximo! Com a nova direcção veio também um treinador novo, com ideias modernas e um sistema de jogo mais atrativo, comparado com o desfile de treinadores que passaram, num curto espaço de tempo, por Alvalade (por onde andará o Vercauteren?).

A verdade é que o Sporting fez, na época passada, um temporada tranquila, em que as preocupações se centravam, apenas, no campeonato e nos respectivos jogos ao fim de semana. Parece uma situação pouco usual, num clube com a dimensão do Sporting, e é mesmo, mas foi o suficiente para que a equipa pudesse estabilizar emocionalmente e também para que os adeptos se reaproximassem do clube, sem que existisse um sentimento de cobrança, jogo a jogo. O Sporting termina a época 2013/14 em segundo lugar, na 1ª Liga, e com isso obtém o passaporte directo para a Champions League.

Mais uma vez, e após uma época cheia de “vassouradas” no plantel, o Sporting aproveitou a pré-epoca 2014/2015 para dar “guia de marcha” aos jogadores que não se identificavam com as ambições do clube. Podem até ser exageradas as cláusulas que são imputadas aos contratos dos recém-chegados, mas sente-se, hoje em dia, que no Sporting existe uma gestão minuciosa dos seu activos e uma intenção concreta em aumentar o potencial do clube, caso se verifique a venda de qualquer um dos jogadores.

Hoje já não basta estar insatisfeito para que as portas da saída se abram. Com Bruno de Carvalho o clube deixou de ser um antro de negócios ruinosos. A venda de Rojo, a gestão da “birra” de Slimani (a quem até reconheço alguma razão – é, ou era, o mais mal pago do plantel) e a chegada de Nani, revelam que o Sporting quer crescer de forma sustentada. Mas tudo isto não chega!

 

O Sporting tem ainda um longo caminho a percorrer, até que possa equiparar-se aos outros dois “grandes” do futebol nacional. Hoje, em dia de Derby, o Sporting deu bons sinais de que está a crescer naquilo que diz respeito ao seu sistema de jogo e à forma como se deve apresentar em campo. Ainda não conseguimos ver um Nani ao seu melhor nível. Sinceramente, e para que fique bem claro, tenho sérias dúvidas que um dia o Nani volte a ser o que era. Ele próprio sabe disso, pois o seu regresso a Alvalade revela que o jogador não estava preparado para assumir um papel exigente nos dos maiores clubes europeus. O Nani, como o Sporting num passado recente, precisa de tempo!

Sem grandes surpresas verificou-se um empate na Luz, com as duas equipas a demonstrarem que estão em sentidos bem diferentes. O Sporting continua a construir um grupo de trabalho e a assimilar rotinas, enquanto o Benfica vai vivendo com as pérolas do passado que, aqui e ali, aparecem para dar algum brilhantismo ao Benfica versão (mais pobre) 2014. Resta-nos esperar pelos próximos três meses de campeonato, para que seja possível perceber se as duas equipas terão, ou não, capacidade para ombrear com um FC Porto que se apresenta poderoso.

 

Finalmente temos um campeonato em que os 3 “grandes” voltam a estar presentes na Fase de Grupos da Champions League e o Sporting volta a incomodar os seus principais adversários, sem que seja apenas considerado o “outsider” do costume.

Sporting Sempre!

 

Jorge Gomes Salvado