Curva Belíssima
13
Ago

2013

O olá de um leão

Por Luís Pires

 

- Pai, o gadelhudo é bom, não é?

- É, mas hoje não. 

- Mas tu gostas dele? 

- Quando marca golos. Hoje não gosto. 

 

Estava-se na época 92/93 e esta é a parte que me recordo do diálogo que tive com o meu pai no primeiro jogo do Sporting que vi até ao fim. Já me gabava de ser leão, já tinha visto algumas coisas, mas nunca um jogo até ao fim. Naquela noite, por uma qualquer razão que desconheço (ou que não me recordo), resolvi sentar-me com o meu pai no sofá a ver a bola. Mal eu sabia que ver bola na sala, refastelado no sofá, era um luxo daquele dia, que não se iria repetir com frequência nos próximos tempos (irmã + mãe + novelas = pai e filho recambiados para a cozinha a ver a bola na televisão mais pequena). 

O “gadelhudo” de quem o meu pai não gostava naquela noite era o Cadete. Que até marcou quase no fim desse jogo, com o Chaves, dando a vitória ao Sporting. E o meu pai gritou golo e disse que assim já gostava dele. 

Aquela noite foi o meu verdadeiro despertar para o mundo do futebol e, sobretudo, para o mundo do leão. Ao longo dos anos, foram vários os avançados que vi passar pelo Sporting após a saída do Cadete: desde cepos como o Missé-Missé, a alguns que podiam ser craques não fosse gostarem mais de copos do que de bola, como o Leandro. 

Sou da geração que viu o Sporting campeão pela primeira vez em 99/00. Lembro-me, aliás, de uma aposta com um amigo que envolvia rapar o cabelo à máquina zero e mergulhar na fonte da rotunda de Elvas (sim, alentejano de gema) se o Sporting ganhasse o campeonato. Ganhou, claro, com uma vitória por 4 – 0 sobre o Salgueiros (Acosta, Duscher e dois do André Cruz), e lá se rapou o cabelo e mergulhou na fonte. 

Sou da geração que soube à quinta jornada da dupla Jardel/João Pinto que o Sporting iria ser novamente campeão. E foi, claro, com um super Mário a fazer 42 golos, apoiado num menino de ouro que fez os sportinguistas esquecer a maldade que lhes fez uns anos antes, num 6 – 3 que ainda hoje custa a digerir.

Sou da geração que perdeu a UEFA em casa, contra o CSKA. Que depois de chorar de alegria com um golo do herói de Alkmaar (vulgo Miguel Garcia) na meia-final, conseguiu estar a vencer os russos por 1-0 na final, em casa, e deitou tudo a perder porque esse fenómeno chamado José Peseiro se acagaçou e deixou de fora do onze titular jogadores como o Hugo Viana (peça fulcral do SCP desse ano), para jogar com dois médios-defensivos. Brilhante… 

E sou da geração que hoje vê o Sporting tentar regressar de um fosso para o qual se atirou de cabeça, entre má gestão e complexos de inferioridade para com o rival da segunda circular. 

 

E, espero, serei da geração que viu o Sporting regressar desse mesmo fosso para voltar a colocar-se no topo do futebol português, a gerar entusiasmo nos adeptos e medo nos adversários. Um Sporting que voltará a ser campeão, desejavelmente mais cedo do que tarde. 

Todas as alegrias e tristezas pelas quais o leão terá de passar até lá serão aqui partilhadas, comentadas, vividas com intensidade, numa tentativa de fazer chegar a todos o que faz esta equipa fantástica, apoiada numa agora aumentada curva belíssima.