Curva Belíssima
28
Nov

2013

O Manel já pode gritar pelo SuperSlim

Por Luís Pires

 

Todos nós temos pelo menos um amigo que tem tanto de fanático como de palhacito e que, a cada nova época, ou antes de cada jogo, provoca, exulta, goza, brinca e rejubila com a futurologia feita na sua própria cabeça daquilo que vai ser o rumo da sua equipa. Às vezes mais a sério, outras vezes na assumida palhaçada do “quinze a zero!”.

 

Neste caso, o amigo chama-se Manuel, como um dos maiores goleadores da história do Sporting, mas, à boa moda da terra natal, a malta gosta de lhe chamar só “Manel”, que é muito mais agradável ao ouvido.

Quando Islam Slimani chegou ao Sporting, o Manel vivia o habitual estado de graça de início de época. Tendemos a encarar esse período de forma diferente, eu e o Manel. Depois dos últimos quatro anos, sou sempre o do copo meio vazio, o mais desconfiado possível, pessimista por natureza, sempre à espera de mais um ano miserável. O Manel é o copo totalmente cheio, a transbordar. Para ele, o Sporting ia ganhar tudo, o Bruno de Carvalho ia virar o clube do avesso, para o lado bom, o Maurício era incrível, o Montero o maior craque desde o Liedson, o Jardim uma espécie de Mourinho à espera para explodir.

Foi no meio dessa euforia que o Manel, ao ver pela primeira vez o avançado argelino, ainda ele não tinha feito um único minuto pelo Sporting, o apelidou de SuperSlim. “Com o SuperSlim é que vai ser”, o “SuperSlim é que nos vai safar”, etc etc. Mas Slimani começou devagar, num período em que a entrada espectacular de Montero também não o ajudou.

 

Passados uns meses, o argelino está nas bocas dos adeptos, dos rivais e, claro, dos jornais, que decidiram baptizá-lo de “Supermani” depois do jogo com o Vitória de Guimarães. Eu, que já ando a aturar o fascínio do Manel pelo argelino desde o início da época, confesso que prefiro SuperSlim.

Se queremos ser racionais (algo pouco normal quando se trata de bola), temos de reconhecer que é muito cedo para saber se Slimani é mesmo super. Ainda não fez o suficiente em termos futebolísticos para se afirmar tal coisa ou, pelo menos, para que a palavra tenha o significado que tinha quando era utilizada para descrever goleadores como Jardel ou Liedson.

Mas isso pouco importa aos adeptos, muito menos aos adeptos como o Manel. A verdade é que o argelino tem-se revelado determinante nos últimos jogos e começa a pedir uma oportunidade no 11, ainda que para mim, copo meio vazio, isso signifique arriscar uma das valias que Slimani tem mostrado: frescura, garra e rapidez que sabe tirar o melhor proveito de os adversários já estarem a jogar há 60 ou 70 minutos quando ele entra em campo.

 

A vitória contra o Guimarães foi saborosa, ainda mais ganha daquela forma: não só por ser no fim, mas por ser num lance imediatamente a seguir a uma das habituais perdas de tempo das equipas pequenas quando estão empatadas. Quando a bola foi para canto, o guarda-redes do Guimarães, Douglas, deixou-se cair no terreno. Estávamos no minuto 90 e, num lance em que nem tinha sido tocado, o guarda-redes caiu ao chão e para lá ficou uns bons dois minutos. O Manel, que via o jogo a meu lado, voltou a fazer a sua futurologia: “era bem feito que agora marcássemos no canto e os gajos não tivessem tempo para recuperar”.

Assim foi. Dier desvia o cruzamento de Jefferson, mau alívio da defesa do Vitória e SuperSlim, rápido e pleno de oportunidade, fez-nos gritar por um golo em que já não acreditávamos (pelo menos, eu não). 

O Sporting jogou pouco. E essa é a análise racional. A equipa jogou sem grandes ideias e sem grande intensidade, a um ritmo lento. A vontade e determinação de ganhar estiveram lá, mas começam a tornar-se mais difíceis de serem concretizadas em bom futebol, como foram no início da época. Longe de ser uma crise (podia ser o início de uma, e até nisso o golo de Slimani é por demais valioso), é algo sobre o que convém reflectir e melhorar.

 

No próximo Domingo, recebemos o Paços de Ferreira. É para ganhar. É para continuar a consolidar um caminho que me tem surpreendido. E, com um pouco de sorte, vamos voltar a conseguir aliar o bom resultado ao bom futebol. Mesmo sem saber se é a melhor táctica, quero ver no Domingo, quando estiver no estádio, o Slimani ser titular. E ver que o Manel já tem companhia para gritar pelo SuperSlim.