Curva Belíssima
02
Set

2013

Empate justo com sabor amargo

Por Luís Pires

Este Sporting empatar com o Benfica não pode ser um mau resultado, ainda que jogando em casa. Mas empatar com este Benfica, que ainda tem muito pouco futebol nos pés, deixa um sabor amargo. Mesmo sabendo que até é capaz de ter sido o resultado mais justo.

 

A primeira parte é nossa. Sim, o Salvio resolveu jogar rugby quando só precisava de encostar na pequena-área. E sim, o Rodrigo matou uma mosca que estava na trave a incomodar o Rui Patrício (que, diga-se, tinha lá a patinha pronta a defender a bola caso fosse mais abaixo). São duas jogadas isoladas, que deram perigo. E esta equipa, está mais que visto (vide posts anteriores), vai sempre dar umas abébias por jogo na defesa, por muito que jogue bem do meio-campo para a frente.

Mas a primeira parte é do Sporting. Jogou mais, jogou melhor (sem jogar bem), com uma intensidade e atrevimento que desorientou os jogadores do Benfica. Então mas afinal os putos que deviam entrar de cueca castanha iam ali para ganhar o jogo e até davam uns toques na bola? Mau... Faltou definir melhor em muitas alturas, mas a intensidade a pressionar sem bola e as jogadas rápidas em dois ou três toques com ela nos pés foram suficientes para dar a ideia de jogo controlado e entusiasmar quem estava nas bancadas.

A segunda parte foi muito diferente. Ter uma equipa apoiada em três médios (William, Adrien e André Martins) e fazer dois deles (Adrien e Martins) pressionar daquela forma e cobrir todo o espaço do meio campo defensivo para a frente tem custos. Os miúdos rebentaram e o Sporting ficou sem meio campo. E nem sequer foi a pouco e pouco, foi uma queda quase abrupta, agudizada pelo crescendo do Benfica.

Sim, porque o Benfica também entrou muito melhor na segunda parte. Não jogou bem, longe disso, mas foi equipa, foi experiente, soube explorar as fragilidades crescentes do Sporting... E claro, tem um puto de 19 anos que custou 10 milhões de euros, mais do que todos os reforços do Sporting juntos.

 

O Leonardo Jardim, por muito que custe, também tem culpas no cartório. Afinal as cuecas castanhas não eram as dos miúdos do Sporting, mas sim as do seu treinador. Numa altura em que tinha perdido o meio campo e o Carrillo pedia para ser substituído desde a primeira parte, Jardim tirou Wilson Eduardo e fez entrar Eric Dier. O inglês foi jogar para central, Rojo (que até estava a jogar bem) foi para lateral-esquerdo e Jefferson subiu para extremo. Ora bem, qual dos erros é pior? Hum...

Esquecendo que o Jefferson a extremo não faz a ponta, que a saída do Wilson tapou o Montero, que desapareceu do jogo, e que quem devia ter entrado era o Rinaudo para equilibrar o meio-campo (treinadores de bancada são do melhor que há, não são?), o pecado capital de Jardim foi ter desfeito a dupla de centrais. Também acho que ela deve ser desfeita, mas não é a meio do jogo! Ainda a equipa se estava a tentar reorganizar quando o Messi sérvio foi por ali fora (a sério, também não havia ninguém, entre os cinco que o tentaram parar, que soubesse levantar-lhe os dois pés do chão?) e empatou.

Está bem que o Benfica já estava a jogar com quatro avançados, mas porra, bastou ver o Cardozo vestir a camisola e deu-me o cheiro da cueca do Leonardo Jardim. Tanta miúfa por causa de um gajo que está sem ritmo? Vá lá meu, isto não é o Olympiakos...

 

Depois do golo, o Benfica cresceu e o Sporting tremeu. Foram 30 minutos agonizantes. Haverá quem lhe chame “saber sofrer”, eu prefiro o “foi um vê se te avias”. Os jogadores leoninos pareciam baratas tontas, a bola voltou a queimar a espaços e abriram-se crateras lá atrás. Nessa altura, o Benfica só não faz o segundo porque não calha, só não faz o segundo porque jogar à bola este ano, até ver, também não é com eles.

Fim do jogo, resultado justo entre duas equipas que podem jogar muito mais do que isto, numa partida com alguns casos. E sim, é penalty, sobre o Cardozo. E sim, parece haver fora-de-jogo no início da jogada do golo do Montero. Mas irra, que ver o Maxi acabar o jogo também revolta um gajo. “Ah, aquilo não era vermelho, era amarelo”, dizem-me os meus amigos benfiquistas, sobre a fruta que ele deu no Jefferson. Pois sim, certíssimo, mas eu dou de barato que era amarelo. Ele devia era ter sido expulso depois, numa das duas frutas que deu na segunda parte e o perdoaram.

Para variar, ri-se o Porto, que lá voltou a enfardar o Paços de Ferreira e já está sozinho lá em cima (ya, o Estoril pode igualá-los hoje, mas... err.. vá, ok).

 

Quanto aos jogadores: o Adrien é o homem do jogo, até rebentar. Podia ter saído muito mais cedo. O Montero lá meteu mais uma batata, mas sem o brilho dos outros jogos (faz diferença ter defesas a sério pela frente). O Patrício é enorme e continua a valer pontos. Do Benfas, só dois apontamentos: o Markovic vai ser um caso sério, não engana ninguém, e o Cortez é pior do que o Evaldo.