Curva Belíssima
14
Jan

2014

É o karma, estúpido!

Por Luís Pires

 

A coisa começou a correr mal ainda antes do apito para o início do jogo. Depois de uma semana em que se viraram os focos para o risco de os Super Dragões desrespeitarem a homenagem a Eusébio no clássico de Domingo, afinal foram os adeptos do Sporting a fazê-lo no Sábado, no Coimbra da Mota.

Umas bestas. Não tenho outro termo para rotular a enorme quantidade de adeptos sportinguistas, das claques e sem ser das claques, que durante o minuto de silêncio se entretiveram a cantar “e quem não salta é lampião”. Quer dizer, até tenho alguns, mas este é o menos ofensivo.

Não chorei quando ele morreu, não entrei na onda mediática dos dias que se seguiram à sua morte, estou-me marimbando se vai para o Panteão ou não. Mas Eusébio merece respeito. E mesmo que não fosse Eusébio, fosse o Zé Manel da esquina, se um jogo é antecedido por um minuto de silêncio, é da boa educação que se respeite o mesmo. A boa educação e o respeito são mínimos de civismo que deviam ser respeitados, mesmo num desporto tão pouco dado ao civismo como o futebol consegue ser.

Ironia das ironias, o líder dos Superdragões, o “macaco” Madureira, ao mandar calar os pouquíssimos adeptos do Porto que ainda esboçaram uns cânticos durante o minuto de silêncio na Luz, deu uma lição de educação e civismo aos adeptos sportinguistas, que tantas vezes gostam de se imaginar os cultos e educados do futebol português. Lamentável.

 

Adiante. Com os rivais directos a encontrarem-se no dia seguinte, o Sporting tinha a possibilidade de se afastar de um, de outro, ou dos dois. Consciente disso, e não alheio à onda de força que a morte de Eusébio criou na Luz, a equipa entrou nervosa. A postura de Adrien, em protesto constante contra as decisões de Pedro Proença desde o primeiro minuto, foi o exemplo do estado de alma da equipa.

É certo que o estilo de arbitragem de Proença, a quem o apito se cola na boca e não descola até entrar nos balneários no fim do jogo, é irritante, enerva. Faltas, faltinhas, interrupções e interrupçõezinhas, não se aguenta. Mas, fora isso, nas decisões cruciais, o árbitro esteve bem, não errou, não tomou decisões que motivassem tanto protesto, tanto nervosismo. Não, o nervoso da equipa era outro. Aquele miudinho, de quem sabe que tem uma oportunidade demasiado boa para desperdiçar, mas sem qualquer margem para errar depois da abébia ao Nacional.

Mas voltou a falhar-se a oportunidade. O karma, talvez, os nervos e a ansiedade, seguramente, impediram o Sporting de jogar o que já mostrou saber e de ganhar ao Estoril (honra lhe seja feita, é uma equipa do caraças! Jogadores banais orientados por um treinador incrível). E Eusébio, o lampião, lá em cima, não só saltou, como riu.

 

Já são demasiados jogos sem marcar golos, demasiados jogos sem vitórias. Não quero entrar na onda de quem diz que a equipa está em crise, quero pensar que o tempo de crise já passou e isto é, vá lá, uma retoma gradual à base de reformas estruturais.

Até porque se há coisa que aprendi ao seguir de perto o trabalho da malfadada "troika" nos últimos anos é que tentar ajustamentos à bruta e demasiado rápido dá asneira. Mas é preciso reagir. E, de preferência, já hoje, com o Marítimo, para a Taça da Liga.

É que a reacção da sociedade à "troika" também nos ensina que pedir sacrifícios e esforço durante muito tempo sem dar bombons em troca também acaba por descambar.

 

PS1 - Não acredito na história do Nani vir emprestado, mas estou a fazer figas e tão cedo não vou descruzar os dedos. Era, obviamente, titular de caretas, o Sporting teria o ataque reforçado e, no mínimo, dava para assustar o Carrillo, no máximo, dava para o mandar embora. Estou farto do peruano. Ou lhe enchem a mona de calduços até aprender que não chega dar nas vistas de dez em dez jogos, ou que vá embora. E se calhar até dava para ir buscar mais um médio/avançado que mexesse com a equipa quando entrasse em campo (aquele Evandro do Estoril tem pinta) ou um central a sério. Sim, sim, temos lá o Maurício e o Rojo, mas atente-se que está ali escrito “um central A SÉRIO”.

PS2 – Palavras para quê? Parafraseando um bom amigo: uma vénia, Ronaldo. Com ou sem MaNdiba, és o maior!