Curva Belíssima
02
Out

2014

De volta às noites europeias!

Por Jorge Gomes Salvado

 

Alvalade em traje de gala!

Estávamos prestes a receber o poderoso Chelsea e as expectativas eram elevadas. Não somos, por natureza, um clube temido em toda a Europa mas, em abono da verdade, em casa, quase sempre, mandamos nós. Como dizem alguns treinadores, "não é difícil motivar os jogadores para os grandes jogos". E isso sentiu-se!

 

Depois da boa exibição diante do Porto, todos ficámos com a sensação de que esta equipa tem algo mais para dar e que a margem de progressão pode subir. Jogadores como João Mário continuam a evoluir e a confirmar que a formação leonina tem excelentes índices de competência técnica e táctica. Abordando ainda o jogo com FC Porto, que dizer da primeira parte? Magnifica? Excelente? As duas coisas? Não encontro adjectivos! Simplesmente questiono-me porque não pode ser sempre assim?

Nesta linha, estava confiante num bom início de partida frente ao Chelsea. Gosto de sentir que o Sporting quer ganhar o jogo. Para mim, quando jogamos em casa, o Sporting tem de entrar forte e determinado. Foi isso que aconteceu frente ao Porto. Conseguir marcar um golo cedo é fundamental para a estabilidade e confiança da equipa, frente a um adversário igualmente forte. Obviamente, e isso também se verificou, quando o adversário se chama Chelsea, os riscos são muito maiores, podendo, na maioria das vezes, acabar em goleada. E é aqui que quero firmar os dois factores mais importantes, para mim, que este jogo teve: Rui Patrício e Marco Silva.

 

Guardando os elogios a Rui Patrício para depois, tenho de admitir que gostei de ver a gestão que o Marco Silva fez da equipa, no encontro contra o Porto e contra o Chelsea. Se no primeiro jogo se sentiu que o treinador fez tudo para ir em busca da vitória, no segundo percebeu-se que Marco Silva sabia que arriscar em demasiada, e muito cedo, poderia originar um desmoronar da equipa. Olhando para as alternativas que tinha no banco, não deve ser fácil para um treinador tirar um jogador do 11, sabendo que quem o irá substituir está num momento de forma menos desejado.

Das três substituições realizadas frente ao Chelsea, duas podem ser consideradas recorrentes e uma como forçada. As duas primeiras (não pela ordem das substituições no jogo), Capel e Montero, não têm trazido nada de novo. Capel passou de super-estrela da equipa, em épocas anteriores, a mediano jogador que não faz mais do uns cruzamentos na linha e umas “cavalgadas” que, na maioria dos casos, se perdem em fintas. Quanto a Montero, que dizer? Já tínhamos conhecido um caso semelhante com Ricky van Wolfswinkel e Montero está a revelar-se muito idêntico. Ambos tiveram inícios de época com grande veia goleadora e acabaram por se eclipsar. Até hoje Montero não consegue ombrear com Slimani, mesmo que este seja tecnicamente inferior ao colombiano.

Para além destes dois suplentes de primeira opção, pouco ou nada se afigura como alternativa. Carlos Mané perdeu o "gás”, Tanaka não tem tido oportunidades (será que não merece a oportunidade ou não tem mesmo espaço no plantel?) e Rossel não deve ser bem aquilo que se esperava dele, mesmo com William Carvalho no seu pior momento. Quanto a Paulo Oliveira, finalmente (!), mas pelos piores motivos, teve a sua oportunidade num teste difícil. Não foi um jogo fácil para se entrar a meio, mas rapidamente se percebeu que é ágil, com mais técnica e... é uma alternativa que tem de ser explorada. A nossa actual dupla de centrais não está bem. Tem de se admitir, embora não se possa retirar a confiança aos jogadores de qualquer forma. Julgo que Marco Silva está a gerir bem a situação e teve, se assim se pode dizer, um pouco de “sorte” com a lesão do Maurício. Espero que, num futuro próximo, o Paulo Oliveira se mantenha e o Sarr dê o lugar ao Maurício (do mal, o menos).

Voltando ao jogo, e aos seus intervenientes, tenho de confessar que estou verdadeiramente subjugado às exibições de João Mário. Um miúdo cheio de classe. A mesma que William apresentava na época passada. Solto, decidido, preciso e construtivo! Que dure muito tempo neste rendimento e estou certo que coisas boas irão surgir.

 

Por fim, Patrício! São Patrício! Aquele que terminou a época passada num rendimento abaixo do mediano, culminando com o caso mal explicado no Mundial do Brasil, está de volta e mais seguro daquilo que significa em campo. É o nosso Capitão! A referência que os jogadores precisam para se sentirem seguros, mesmo quando já tudo parece perdido.

Nos últimos dois jogos Rui Patrício segurou o Sporting e permitiu que pudéssemos lutar de igual para igual com o FC Porto e com o Chelsea. Concordando com as palavras de Mourinho, “o jogo poderia acabar 0-5 ou 1-1” e isso, o empate, seria mérito do Rui!

Assim não aconteceu, mas nós, adeptos, recebemos mais uma prova de que o nosso Capitão está num grande momento e capaz de levar a equipa para a frente.

 

Se me permitem, quero deixar uma palavra final ao sócios, adeptos e simpatizantes do Sporting que acompanham a equipa por esse país, e mundo, fora. De que serve assobiar a Nani, quando ele não passa a bola? De que serve fazer um burburinho, quando o Sarr tem a bola nos pés? De que serve gritar, quando o William demora a passar a bola e tenta mais um drible?

Imaginem que, nos vossos empregos, têm milhares de pessoas a observar-vos durante 90 minutos e estão, ao mesmo tempo, susceptíveis à apreciação imediata de quem vos rodeia. Conseguiriam manter a calma, a concentração e a capacidade de raciocínio intactas? Isto não é uma crítica, mas o Sporting joga em casa e nós somos os apoiantes da equipa da casa!

Vivam o Sporting e vibrem com as emoções do ambiente que se vive no estádio, mas não assobiem os jogadores. Queremo-los, todos, em forma e confiantes, quando jogam em Avalade. Foi bonito ver a onda leonina depois do apito final frente ao Chelsea! Que assim se mantenha.

Em frente Sporting!