Curva Belíssima
31
Jan

2014

Coincidências e inconsequências

Por Luís Pires

 

Não vou, a sério que não vou. Não vou falar sobre arbitragens, nem sobre esquemas manhosos e violações de regulamentos há muito perpetuadas em território onde não manda a lei. Não é esse o espírito do 11para11, não foi com para isso que aceitei o convite para escrever aqui. Ainda assim... QUE PORRA FOI AQUELA, PÁ?!?

Esquecendo tudo o resto, desde quando é que aquilo é penalty? Há falta, sim, fora da área. O jogador do Porto não cai quando é puxado, segue, depois remata na perna do defesa do Marítimo e cai. E é penalty? Aos 93 minutos de um jogo onde o Porto precisava de um golo para passar à fase seguinte? São coincidências, pois sim.

 

Não vou, a sério que não vou. Vou antes sublinhar a atitude da equipa no jogo com o Arouca (que, lamentavelmente, não teve direito a crónica), a forma como, não sendo brilhante em estilo, foi brilhante na atitude. Falar sobre a ausência de golos do Montero e o quão pouco quero saber disso se a bola continuar a entrar na baliza introduzida por outro jogador qualquer. Não vou, a sério que não vou. 

Mas já agora... Como é que é possível alguém contrariar a regra de os jogos estarem a decorrer ao mesmo tempo? Como é possível o delegado ao jogo deixar que aconteça? Como é possível não haver comunicação para o outro jogo, para que também o Penafiel – Sporting se atrasasse um pouco? E como é que não se procuram explicações? Foi alguém que ficou trancado no balneário? Foi alguém que teve um ataque de diarreia? Num jogo em que convinha ao Porto saber o resultado que o Sporting estava a fazer, há um atraso anormal a começar a segunda parte? Ah, claro, são coincidências, pois. 

 

Mas não vou, a sério que não vou. Quero antes escrever sobre as contratações inesperadas do Sporting. Sobre um miúdo de 20 anos do Paraguai, um médio-ofensivo de 27 anos do Egipto, e um avançado de 21 anos de França, que mostram que a direcção continua fiel à estratégia de “não há dinheiro, não há vícios”, apostando em preparar a equipa para os próximos anos e em remendar um ou outro buraco fundamental para o que falta da época.

Quero escrever sobre Shikabala, um jogador que não conhecia e que, após pesquisa feita, me parece um jogador de alto risco mas que, bem domado, pode ser uma boa ajuda e acrescentar alguma magia ao jogo ofensivo da equipa.  Não vou, a sério que não vou. 

 

MAS PORRA PÁ, NINGUÉM DIZ NADA?!?

Como é possível que não haja uma única consequência? Já no ano passado o Porto violou os regulamentos e toda a gente assobiou para o lado. Agora é a mesma coisa. Mas que credibilidade tem o futebol enquanto estas coisas continuarem a acontecer? E o árbitro ainda leva uma boa nota, dias depois de a federação e a liga (assim, com letras pequenas, que não me merecem mais) ignorarem as queixas? Ah, sim, claro, as coincidências, elas acontecem.

Mas é que não vou mesmo, não vou. Vou antes focar-me no jogo com a Académica, um adversário que, como é visível no entusiasmo das crónicas do meu estimado Bernardo (ver aqui), está muito diferente do que era quando levou quatro batatas em Coimbra na 2ª jornada. Uma equipa que está a jogar bem e numa série mais positiva, mas a quem o Sporting, a jogar em Alvalade, tem obrigação de (que me desculpe o Bernardo) enfiar um enfardamento. Isto, claro, se quiser manter vivas as hipóteses de poder fazer uma gracinha este ano. Não vou, a sério que não vou.

 

Estou de acordo com a posição de Bruno Carvalho: se querem gozar com a nossa cara, que brinquem sozinhos. E, de uma vez por todas, Benfica e Sporting deviam alinhar-se nestes temas. Se ambos batessem o pé e fizessem uma ameaça conjunta de deixar o Porto a brincar sozinho numa competição que já é moribunda por natureza, queria ver se a pressão das audiências e do dinheiro não obrigava a federação e a liga a fazerem qualquer coisa. É que são coincidências, pois sim, mas são tanto que já fede. 

Mas não vou falar sobre isto, a sério que não vou. Vou antes desfrutar do futebol a sério, das jogadas bonitas, da atitude de campeão de um Sporting que receei morto, da rivalidade agressiva mas justa com o outro lado da Segunda Circular, das equipas mais pequenas do campeonato que todos os anos trazem uma ou outra surpresa dignas de registo. É isso que me faz ir ao estádio, é isso que me faz ver futebol. Do resto não vou falar, a sério que não vou. 

 

PS  - Depois da eliminação da Taça da Liga, o Sporting fica apenas com 14 jogos para realizar até final da época. Em termos de frescura física podia ser uma vantagem, mas acho que é um risco. São poucos jogos, pouca competição. E os que jogam menos ficam ainda com menos perspectivas de jogar. Uma prova de fogo à capacidade de motivação de Leonardo Jardim. Esperemos que a supere.