Curva Belíssima
15
Set

2014

A mulher de César

Por Jorge Gomes Salvado

 

“À mulher de César não basta ser séria, tem de parecer séria.”

A frase tem centenas de anos, e muitas são as versões, mas continua a ser bastante útil quando se exige que seja concretizado aquilo que tanto se apregoa. O presidente Bruno de Carvalho tem vivido na onda dos bons resultados e da pouca pressão que se tem instalado para os lados de Alvalade desde a época passada. Idealista por natureza, tem puxado bastante pela alma sportinguista e pela nossa capacidade de acreditar, sempre, que é possível chegar ao êxito. No início desta pré-época as espectativas tornaram-se mais elevadas. Ao Sporting exigem-se, sempre, títulos e a capacidade de ombrear com os principais rivais.

Para dizer a verdade estranhei a forma como Bruno de Carvalho assumiu a candidatura ao título, sem reservas e sem a cautela necessária que se deve ter num clube que está sedento de conquistas há alguns anos. Em ano de Champions a pré-época parecia promissora, mas rapidamente as expectativas diminuíram quando Leonardo Jardim foi noticiado como possível treinador do Mónaco.

Dentro dos últimos anos, esta seria a época em que um treinador conseguiria iniciar o campeonato com um balneário estável que, não sofrendo grandes alterações, poderia fortalecer o grupo de trabalho e assumir outros objectivos. Da mesma forma que Leonardo Jardim aceita a ida para o Mónaco, onde figuravam, à data, James Rodriguez e Falcao, e acabou treinador de uma equipa “vulgar”, o mesmo senti em relação à equipa jovem, mas consistente, que o Sporting “trazia” da época 2013-2014 e à chegada do treinador Marco Silva.

 

Em ano de Champions, como acima referi, impunha-se um treinador de renome. Por questões financeiras ou, meramente, “visionárias”, acabámos por receber em Alvalade um treinador de 37 anos que apenas treinou o Estoril e atingiu um 4º lugar na prova. Imaginem que Sebastian Vettel me convida para conduzir o seu protótipo de F1 e, simplesmente, diz “ Senta-te e acelera”.

Obviamente que é preciso muito mais que isso para se poder conduzir um F1, da mesma forma que entendo que é preciso muito mais do que 4 épocas no Estoril para se ser treinador do Sporting. Voltando ainda um pouco mais atrás, neste assunto dos treinadores portugueses dos últimos anos, e por incrível que pareça, parece-me que Portugal está, ainda, refém da figura de José Mourinho.

Depois dele, apareceram André Villas-Boas, Vítor Pereira, Pedro Emanuel, Domingos Paciência, Sérgio Conceição, Paulo Fonseca e Marco Silva (não obrigatoriamente por esta ordem) e todos eles sofreram do “síndrome José Mourinho”. Pergunta: Qual deles se revelou um treinador promissor, de forma tão imediata como Mr. Mourinho? Julgo que todos concordarão que nenhum!

Voltando ao Sporting, e a Marco Silva, parece-me que os resultados imediatos que se pretendiam estão muito ao nível daquilo que se verificou com Paulo Fonseca no FCP. Por muito que possa concordar com a maioria das decisões que o presidente Bruno de Carvalho tem tomado, estamos a chegar ao limite da teoria e a prática não tem trazido aquilo que se ambicionava. À quarta jornada o Sporting tem 3 empates e 1 vitória, traduzidos em 4 golos marcados, 3 sofridos e um total de 6 pontos conquistados. É pouco! Muito pouco, para um início de época que não foi assim tão exigente: Académica (F), Arouca (C), Benfica (F) e Belenenses (C).

 

O jogo contra o Belenenses foi fraco, sem grandes momentos de bom futebol. Slimani não é bom jogador, quando se trata de dar mais do que dois toques na bola antes da finalização. Nani continua a insistir no drible, muitas vezes forçado, e as perdas de bola são uma constante. Adrien e William Carvalho, juntos, devem ter contabilizado mais passes errados do que todos os outros passem que foram feitos no jogo.

A equipa parece não funcionar, os jogadores não estão a demonstrar o bom futebol da época passada (onde anda a cabeça de Sir William?) e o treinador não consegue tomar as decisões certas, nos momentos mais difíceis do jogo. Que dizer da substituição de Maurício pelo Montero, fazendo recuar o William Carvalho? Em Alvalade? Contra o Belenenses? Aos 80 minutos? Por momentos pensei que estávamos a jogar no Estádio António Coimbra da Mota e o clube da casa não era o Sporting.

Esta semana estou desiludido. Não estou a conseguir conter a revolta que sinto pelo facto de o Sporting não estar mais acima na tabela classificativa. De momento, apetecia-me colocar as culpas na equipa médica do Sporting e assobiar para o lado, como se nada se passasse, à boa maneira da FPF. Mas é impossível. Está à vista de todos que as escolhas técnicas não são as mais acertadas e a equipa não está a conseguir montar o “carrossel” que já se vislumbrava no final da época passada.

 

Segue-se o desafio da Champions. É importante para a equipa que a prova se inicie com uma vitória, em solo esloveno, e que seja, finalmente, dada uma resposta convincente. A equipa necessita de estabilidade e de confiança, antes do embate com o FCP.

Como sportinguista, acreditarei, sempre, que as vitórias irão chegar, mas gostava de poder sentir que o nosso “comandante” era um homem talhado para os momentos difíceis. Peço desculpa, mas não será com Marco Silva que o Sporting irá devolver as maiores alegrias aos seus adeptos.

Ainda assim, tenho esperança que o único a estar errado seja Eu!

Em frente Sporting!