Confiança Azul
28
Mar

2014

Táctica e atitude

Por Tomé Moreira

 

Uma semana depois de uma goleada ao Benítez, Luís Castro voltou a dominar um jogo do banco. Desta vez ao proclamado mestre da táctica! De tal forma, que Jesus não conseguiu esconder o nervosismo durante e após o jogo. Quem sofreu foram os seus jogadores e... os jornalistas.

Tivemos muito Porto! As previsões estão a bater certo e temos finalmente equipa para o final de temporada. Invertemos o ciclo e melhoramos a cada jogo numa subida de forma vertiginosa.

Pinto da Costa saiu-se com um (verdadeiro) “quase vulgarizamos o benfica”. Pode não ter sido vulgarizado, mas a equipa contra quem jogámos ontem foi pouco mais que banal.

 

O adversário

Como se trata do nosso principal rival, vou abrir um pequeno parêntesis e fazer uma pequena análise pela perspectiva do adversário, apesar de não ser um expert na matéria.

O futebol é, de facto, imensamente efémero. Até ontem, Jorge Jesus era imensamente louvado pela sua nova capacidade de rotação perspicaz do seu plantel, hoje é globalmente crucificado pelo mesmo motivo. O próprio assumiu no final do jogo ter colocado uma equipa mais débil em campo para justificar o fraco rendimento, realçando o mau momento de Cardozo, entre outros. Não creio que isto por si só justifique o que se viu em campo, mas a resposta será dada daqui a 15 dias, quando as desculpas não pegarem. Vejamos as grandes diferenças para o suposto 11 titular.

Oblak deu lugar a Artur que não comprometeu: no golo nada podia fazer e ainda tirou um golo que parecia certo a Varela entre outras boas defesas. Sílvio rendeu Siqueira e na minha opinião até defende melhor. Onde o Benfica perdeu o jogo foi no meio e Fejsa já lá costuma estar, Amorim tem-se revelado uma excelente opção. Na frente, Sulejmani não é de facto a mesma coisa que Gaitán, mas Cardozo até podia servir melhor os interesses de uma táctica mais defensiva pedida pelo treinador.

O Benfica não perdeu o jogo pelos jogadores, perdeu-o porque o Porto dispôs muito melhor as peças. E ninguém me convence do contrário. Mas já chega de falar sobre o que pouco interessa...

 

O segredo está na leitura

Luís Castro, mais uma vez, abordou bem o adversário que tinha como o seu ponto mais forte as transições. Como resolver o problema? Evitar que o Benfica consiga fazer as transições.

Mas fez mais, transformou a força do adversário num pesadelo para o próprio aplicando-lhe o mesmo veneno.

“Fernando, tu tratas do que sabes, ficas ali sozinho à frente da defesa e libertas os teus colegas para pressionar à frente. Sandro e Danilo, sempre que for preciso ajudem um pouco no meio e tornem a equipa mais compacta e coesa. Para isso, preciso que Varela e Quaresma ajudem a fechar as laterais que eles têm 4 jogadores fortes nas alas. Herrera e Defour, não há cá poupanças, é pra jogar tipo carraça, eles não saem a jogar. Não podem! Se passar a bola, alguém tem de cair. Jackson, anda receber como tu sabes que temos mesmo de jogar em bloco. Façam o que vos peço e vamos dominá-los!”