Confiança Azul
01
Mar

2014

Sinais de vida

Por Tomé Moreira

 

Demonstração de grande coração e carácter da equipa ontem! Um daqueles jogos que enche as medidas a qualquer adepto pela emoção.
A direcção decidiu manter o Paulo Fonseca e parece acreditar que a culpa está nos jogadores dando-lhe o n-ésimo benefício da dúvida. Houve puxões de orelhas certamente. E funcionaram, porque entrega não faltou. Já quanto ao plano de jogo, não faltam lacunas, mas que podem ser um pouco atenuadas com a falta de tranquilidade da equipa.
Não vou entrar em detalhes de apreciação técnica ao jogo de anteontem para não alongar muito este post. Farei uma pequena dissertação sobre o momento da equipa.

 

Síndrome do sapo a ferver

O momento actual do Porto faz-me lembrar a história do sapo a ferver. Tal como o sapo, o futebol do Porto tem sido cozinhado numa espiral de degradação qualitativa e neste momento o coração já pouco bate de tão debilitado que está o pobre sapo.
Mas, tal como o sapo salta quando é colocado numa panela de água a ferver, se os adeptos ou a direcção do Porto vissem a equipa a jogar neste momento pela primeira vez esta época (e nem falo de olhar para os resultados), acho que depois do próprio salto aflitivo, quem já tinha saltado também da cadeira é quem se senta no banco todos os jogos.
Somos todos a dizer o mesmo, mas vou ter de o redigir e dar também texto às minhas palavras. É gritante a “falta de Porto” nesta equipa. Tudo o que alicerçou os êxitos dos últimos 35 anos desvanece progressivamente a cada mês. A organização, a raça, a motivação, o fio de jogo, as ideias... Em suma, a qualidade!
É usualmente atirado que o plantel sofreu muito com as perdas do Moutinho e do James e de que se trata do pior plantel dos últimos anos. Não consigo concordar em pleno. Primeiro, o Porto já teve baixas bem mais significativas noutras oportunidades e recuperou. Segundo, há jogadores que parecem uma sombra do que fizeram no ano passado. Por exemplo, a defesa é a mesma, mas os jogadores parece que desaprenderam a jogar.
Depois há os equívocos que não páram de surgir. Há jogadores que chegaram, jogaram, não mostraram quase nada e ficaram titulares ad æternum, outros que prometiam e foram apenas encostados e há o Carlos Eduardo não contava para nada até “ter” de entrar e passar automaticamente a titular depois da 2ª parte de Braga.

 

Espero que o alento trazido da Alemanha seja o embalo necessário para corrigir muita coisa. Que à entrega se siga a melhoria de planos táticos. O Porto vai jogar a Guimarães contra uma equipa que fecha bem. Será um desafio sério porque o Porto precisará de colocar inteligência no jogo e não apenas a garra que pareceu ter ganho esta semana.