Confiança Azul
12
Abr

2014

Referências e União

Por Tomé Moreira

 

Mas o que é que aconteceu com o nosso Porto? No fundo, o jogo de quinta-feira vem na sequência de todo um ano de equívocos: má escolha de reforços, má escolha de treinador... resumindo: mau planeamento geral.

 

Sevilha

O jogo tinha tanto de decisivo como de difícil: decisivo, porque era a derradeira oportunidade de salvar uma época; difícil, porque íamos jogar frente a uma equipa de remontadas apenas sem duas das nossas principais referências. O resultado? Toda a gente tentou compensar aquilo que não era compensável. Os laterais tentaram poupar o meio-campo e amenizar a falta do, normalmente, elemento mais forte. O que conseguiram foi não mais do que um chorrilho de erros despropositados. Mangala, Danilo e Alex Sandro, insistiam em tentar sair a jogar, tentando resolver o que deveria ser o papel de um conjunto e entregavam invariavelmente a bola ao adversário... e o meio-campo não participava, desesperava e a frente ficava ansiosa. Toda a estratégia para o jogo ruiu e as expectativas não eram boas.

A 2ª parte trouxe alguma serenidade e com ela... esperança. O Porto assentou, pressionou e ficou perigoso. A superioridade numérica exponenciou o sentimento de possibilidade e a confiança surgiu. O Porto era novamente uma equipa. Beto, a barra, ou apenas a infelicidade não permitiram o golo até aos 70’ e o pânico surgiu de novo. Quaresma, Ricardo, Quintero e Kelvin a acabar o jogo são sintomas de desespero e do pouco sentido de equipa, tanto pela individualidade do primeiro como pela juventude e inexperiência dos restantes. O resultado foi justo e a época acabou como já se temia há muito tempo.

O Porto deste ano não apreendeu a sua própria filosofia. Os jogadores não sentem aquela camisola, o antigo treinador ficou agarrado a uma pré-época em que a única coisa que ganhou foi um falso sentimento de qualidade que o convenceu do que não devia, a direcção anda sem soluções.

 

Devaneios da SAD

Tudo está errado no momento do clube e quando isso aconteceu no passado, as respostas foram fortes e convenientes, mas agora há algo de novo: paira no ar a dúvida sobre a durabilidade do presidente e toda a gente parece querer ter uma palavra na sucessão.

A SAD é, sem dúvida, um dos responsáveis por esta situação porque perdeu muito rapidamente demasiadas referências que tornaram a equipa principal de futebol órfã de qualidade. Desde uma defesa sem líder a partir das saídas de Rolando e Otamendi, agravada, incompreensivelmente, pela falta de alternativas nas alas aos brasileiros desgastados, passando pela ausência do virtuoso e insubstituível Moutinho, acabando numa frente saudosa de Hulk e Falcão.

Tudo terá de ser repensado para que o passado recente volte a estar presente... para que voltemos a ter o nosso Porto autoritário e grande de volta. Aquele Porto que nos últimos 10 anos ganhou 3 competições europeias, que foi campeão 70% das vezes nas últimas décadas. Indiscutivelmente o clube de quem este Portugal se orgulha.