Confiança Azul
22
Abr

2014

Acção-Reacção

Por Tomé Moreira

 

Parabéns Benfica

Inequívoca a atribuição do título este ano, não só pelas faltas de comparência dos rivais (desportiva pelo Porto, financeira pelo Sporting) como também pela inegável qualidade do plantel e competência do técnico.

Passei a Páscoa na aldeia Benfiquista da minha infância e, sem surpresas, velhos amigos, bateram à porta a convidar à participação na festa.

Infelizmente, sofro de bronquite asmática e havia demasiado pó no ar, pelo que tive de ficar em casa :p .

 

Porto 3 – Rio Ave 0

Compreendo que a motivação para época seja nula, mas isso não é desculpa para a tão fraca qualidade apresentada neste jogo. Confesso que a vontade de ver este jogo já não era muita e o jogo acabou por me dar razão.

Mal começou e já estávamos a ver aquelas trocas de bola displicentes na defesa que só não deram mau resultado porque o adversário também estava em modo stand by. Depois tanto espaço no meio-campo... E o resultado foi bem melhor que a exibição.

O filme de ontem não é novidade e não adiantam as desculpas de não haver Fernando nem Quaresma, nem sequer da pouca importância do jogo. Os sintomas não são recentes e nem mesmo uma época muito mal planeada justificam tudo.

 

Desmoronamento?

É verdade que não há qualidade suficiente nem soluções porque não se percebe a falta de opções para as várias posições. É verdade que não existem referências na equipa: Helton já não joga, dispensaram-se bons centrais incrivelmente (Rolando e Otamendi), decidiu-se não dar concorrência aos laterais, apostaram-se em extremos de qualidade muito duvidosa e perdeu-se a força do meio-campo com a saída a saída de Moutinho, mas talvez a principal razão esteja para além disto.

O golo de Kelvin no ano passado camuflou muita da contestação que já se vivia no ano passado e mergulhou os adeptos numa falsa ilusão de qualidade que viria a ser reforçada com uma nova cara no comando da equipa e uma promissora pré-época. Mas a ilusão foi dando lugar à realidade exposta plenamente apenas neste mês pela inegável evidência dos números do insucesso.

Fala-se que é altura de remodelação e que o Porto emergirá já para o ano como tantas vezes o fez, mas há um sinal que me faz ficar francamente pessimista. Este Porto já não é o mesmo clube de liderança forte em que o presidente falava e todos reagiam remando para o mesmo lado. Há francos sinais de fraqueza vindos do lado da SAD, personificados em primeira instância por um Antero de opções erráticos. Urge retomar o pulso a um clube sem rumo, mas falta responder à questão do momento: haverá a capacidade de outros tempos para o fazer?

 

Ainda sobre a semana passada

Há uns anos treinei uma equipa de miúdos para torneios de verão e, as poucas vezes que castiguei alguém, foi por fitas... daquelas normais no futebol que conhecemos. Mais do que um treinador, assumia-me formador de jovens utilizando o desporto como meio.

Só porque estão generalizadas, não quer dizer que as considere toleráveis. De facto, não percebo porque é que o futebol não pode ser um jogo de homenzinhos como a grande maioria dos outros desportos. Isto apesar de o reconhecer enquanto negócio gigantesco. Mas há coisas que não são justificáveis, até porque a importância social que o futebol ganhou não pode ser descurada.

Ponderei bastante, mas os comentários que fui recebendo, precipitaram este esclarecimento. Eu, em momento algum, referi que o anti-jogo era exclusivo de algum clube. Aliás, se há algum comentário com o qual concordo plenamente é que “não há virgens nestes assuntos”. Na minha cabeça, isso estaria subentendido, mas enganei-me.

Na semana passada, referi-me ao encontro em questão e acabei por estender o raciocínio aos últimos anos da equipa do Jorge Jesus porque, na minha opinião, a equipa parece formatada nestes moldes. A diferença entre a atitude do Porto até ao minuto 79 e a do Benfica após, é gritante.

Bem sei que a inferioridade conta, que estas coisas se intensificam nos finais dos jogos, mas também acho que isto é demasiado recorrente e que existem francos sinais de uniformidade na equipa: há jogadores que não se poupam ao trabalho de arrancar faltas, outros entram em frequentes picardias, outros tratam de bloqueios, etc. O treinador ainda nesse jogo parece ser expulso por entrar em campo com o intuito de evitar que o Jardel separe o Maxi e o Quaresma e vai para a bancada fazer aquelas figuras habituais. 
Se algum jogador fizer fita ou perder a cabeça, eu entendo-o perfeitamente enquanto ser humano cansado e sujeito a uma imensa pressão, agora não compreendo estas atitudes enquanto estratégia.

Mas isto é a minha opinião. Eu não estou obrigado a nenhuma ética ou imparcialidade jornalística nem pretendo ser um comentador isento, estilo Rui Santos. Eu dou a minha opinião enquanto adepto portista porque foi para isso que me convidaram. Também ninguém me colocou limites nas minhas análises e, meus amigos, isto anda mau mas ainda não estamos na Coreia do Norte e esta semana até já faz 40 anos...

Compreendo que alguns adeptos possam ter saudades desse tempo, mas pelo que vou lendo, não gostava de o viver. Sempre falei abertamente de assuntos que considero mal tratados no Porto e percebo que me legitimem pouca autoridade para falar do Benfica, ainda assim, reservo-me o direito de expor, educadamente, as minhas perspetivas.

Mencionei que critiquei pressões a árbitros por parte de jogadores do Porto porque não concordo com elas. E aliás, a única vez em que quase tive problemas num estádio, foi ao ridicularizar um mergulho do Deco num Porto – Benfica.

Relativamente à parcialidade, não assumo a presunção de não a praticar. A minha vivência enquanto adepto assim o exige e sinto-me bem com isso. Os meus olhos abordarão a realidade sempre de uma forma singular, o que é extraordinário.
Se há algo que reconheço como infeliz na minha crónica, foi o facto de não ter dado os parabéns ao adversário pela vitória. Escrevi logo a seguir ao jogo, a quente, e não o devia ter feito.

Quanto aos comentários, serão sempre bem-vindos, então se construtivos... maravilha. Posso não concordar nada com eles, mas certamente terão o meu respeito enquanto uma valiosa forma de diferenciação.

Um abraço a todos.