Área Técnica
31
Jul

2013

Uma questão lateral

Por Alberto Carvalho

 

Depois de Emerson e Capdevilla, de Melgarejo e Luisinho, chega agora Bruno Cortez, a quinta contratação para a lateral esquerda da linha defensiva encarnada desde a saída de Fábio Coentrão.

A ideia de jogo de Jesus sob o ponto de vista ofensivo assenta na verticalidade e na objectividade do processo. Pelo que numa equipa que passa mais tempo a atacar, como o próprio já afirmou, para a posição em causa mais do que um defesa, preconiza um lateral.

Com excepção do ano pós-Coentrão, é nesse sentido que as opções de mercado têm incidido. Procura jogadores que sejam rápidos na condução de bola, fortes no 1x1 no último terço e nas combinações directas e indirectas. Quase que se pode dizer, que mais do que um lateral esquerdo, opta por um segundo médio/extremo.

A opção por laterais em detrimento de defesas, tem obviamente implicações na organização de jogo de uma equipa, face à exposição defensiva que as sucessivas subidas dos primeiros pode provocar em caso de perda da posse de bola. Uma das contra medidas mais utilizadas e também das mais fáceis de operacionalizar, consiste no estabelecimento da subida alternada dos defesas laterais, contando com o equilíbrio do trinco/médio defensivo. Mourinho simplifica ainda mais e opta por um defesa (Ivanovic) e por um defesa lateral (Ashley Cole), para cada uma das laterais, com um dos médios centro em cobertura sobre o lado esquerdo e o outro na zona central do meio campo.  

No Porto estão os dois melhores defesas laterais do campeonato! Quando chegaram, tal como é natural nos jogadores oriundos do campeonato brasileiro, vinham mais como laterais do que como defesas. No entanto, o jogo interior do meio campo portista nunca os deixou desamparados. Hoje desempenham ambas as funções com qualidade, embora a de lateral confira maior visibilidade, sendo de assinalar a evolução de Alex Sandro enquanto defesa.

A opção de jogo de Paulo Fonseca sob o ponto de vista estrutural, contempla uma dupla de médios centro lado a lado em detrimento da opção por um único jogador (Fernando). Com esta opção, procurará o técnico portista conferir maior protagonismo ofensivo aos seus defesas laterais, assumindo-se os médios centro como elementos de cobertura e de equilíbrio da equipa?


No caso do Benfica, coloca-se a questão sobre o que será mais produtivo, eficiente. Promover o desenvolvimento defensivo de Bruno Cortez? Ou criar na organização de jogo da equipa princípios equilibradores e simultaneamente potenciadores da acção do ex-São Paulo, para além dos conferidos por Matić?


Aguardemos então pelo culminar da pré-temporada e pelos indícios que esta nos for dando.

 

 

Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.