Área Técnica
03
Set

2013

Saber perder

Por Alberto Carvalho

A transição defesa-ataque é um dos aspectos do jogo mais referido por treinadores e analistas no balanço do sucesso de uma equipa. O mesmo não se verifica com a transição ataque-defesa!

A perda da posse é indiscutivelmente uma inevitabilidade do jogo, que tem como consequência a recuperação da posse de bola por parte do adversário. É neste momento do jogo que ocorrem as transições. Defesa-ataque para quem recupera a posse de bola e ataque-defesa para quem a perde, podendo sistematizar-se o momento da perda/recuperação segundo dois critérios:

Sob o ponto de vista táctico, um dos pontos mais interessantes do derby de sábado passado centrou-se precisamente neste momento do jogo: a perda da posse de bola! 

Sabendo-se que o Benfica de Jesus tem uma matriz de jogo em que após a recuperação da posse de bola, procura de imediato a progressão em direcção à baliza adversária, com o objectivo de aproveitar eventuais desequilíbrios decorrentes da transição ataque-defesa do adversário, sob o ponto de vista estratégico o momento da perda da posse da bola, a par da reacção à perda, seria um aspecto a considerar por parte da equipa leonina no seu plano de jogo.

 

No entanto, por aquilo que a equipa de Leonardo Jardim tem vindo a mostrar, o critério na perda da posse, mais do que uma opção estratégica para este jogo, é um dos traços da identidade de jogo da equipa, que tem sido tão salientada pelo técnico madeirense.

Quando a equipa se encontra na fase de construção, ao sentir que a posse está em risco e não conseguindo circular a bola pela última linha de apoio ofensivo, opta por um passe longo, algo que é diferente de um pontapé para a frente, e em diagonal, procurando quase sempre o lado oposto do campo, onde depois em situação numérica e espaço-temporal mais favorável, procura ganhar a segunda bola.

 

Esta opção leva-nos para outra dimensão do jogo, a qualidade da posse! Quase sempre desconsiderada em relação à quantidade da posse.

Se por absurdo, considerarmos que uma equipa tem 100% de posse de bola, isso não é garante de vitória! Na melhor das hipóteses o adversário não marcará golos. O mesmo já não se pode afirmar no que diz respeito à qualidade da posse. Quando uma equipa perde a bola no corredor central do seu sector defensivo, se correr bem, até se pode livrar de sofrer um golo, mas do susto não se livra de certeza.