Área Técnica
26
Jul

2013

O erro conceptual

Por Alberto Carvalho

Há algumas semanas atrás estabeleceu-se a polémica na Fórmula 1, nomeadamente após o Grande Prémio da Grã-Bretanha, em virtude dos sucessivos rebentamentos de pneus, com os pilotos a reclamarem falta de segurança e a exigirem a intervenção da marca fornecedora.

Apesar de não serem usados no futebol, neste também existem situações cuja consequência é semelhante ao rebentamento de um pneu, que em último caso pode levar ao despiste do carro, da equipa.

É comum dizer-se que o guarda-redes, o defesa central, médio e avançado, são elementos em torno dos quais se constrói a equipa. Tantos como os pneus de um carro!

É também do senso comum, que a função primária de um defesa é defender, pelo que deve possuir características tais como: bom sentido posicional, ser forte nos duelos defensivos, agilidade no corte, capacidade de jogo aéreo, leitura de jogo para a intercepção, velocidade de deslocamento para recuperar defensivamente, quando ultrapassado.

É também previsível que determinadas combinações sejam pura e simplesmente impraticáveis. Se o modelo de jogo preconizar uma defesa subida, será difícil para um defesa com reduzida velocidade de deslocamento ter sucesso, ser eficaz na sua acção quando a bola lhe for metida nas costas, por muito bom que seja o seu posicionamento ou a sua intervenção defensiva no 1x1.
Esta praticabilidade da equação agudiza-se ainda mais, se considerarmos que a concepção de jogo estabelecida exige a participação do defesa na construção do processo ofensivo e este revela dificuldades na relação com a bola.

A forma como os objetivos defensivos são concretizados variam com o modelo de jogo definido pelo treinador e dependem das características do jogador, do que ele tem para oferecer. Pelo que não basta ter um pneu, leia-se jogador com características para a posição, é preciso selecionar um pneu adequado às condições do terreno (molhado, seco, duro, macio), ou seja, à concepção de jogo. Caso as condições financeiras não permitam a aquisição do jogador, torna-se óbvio que é necessário escolher o tipo de piso, concepção de jogo mais adequada às circunstâncias. 

Apesar de ser óbvia, a combinação do pneu/tipo de traçado, jogador/concepção de jogo, nem sempre é fácil! Mas quando tal não se verifica, mais cedo ou mais tarde, ocorre o inevitável, ou se quisermos, o óbvio! O pneu rebenta e o carro despista-se!

 

 

Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.