Área Técnica
18
Out

2013

Emoção no Bonfim

Por Alberto Carvalho


Foi em Setúbal que o chicote estalou pela primeira vez esta época na Liga Zon Sagres, com a saída de José Mota e a entrada de José Couceiro, que na sua apresentação fez soar o chicote psicológico, não fosse ele um acérrimo defensor dos processos de liderança e de comunicação, enquanto elementos determinantes do processo de treino.

 

Sob o comando de José Mota, predominava a emoção do dente cerrado, da luta, da entrega até ao fim e não para um fim. Uma emoção que saía directamente do coração para as pernas, esgotando-se em si própria!

Com Couceiro, a emoção é orientada, gerida a bem do colectivo, com cada um a contribuir com o que tem de melhor para que todos possam obter o que mais desejam. A emoção faz um desvio pelo cérebro antes de chegar às pernas.

Depois da chicotada psicológica, Couceiro fez soar a chicotada conceptual, inevitavelmente acompanhada da metodológica.

Com Mota, o meio-campo, coração de qualquer equipa digna desse substantivo, era constituído por três jogadores de luta, de garra, com Ney no banco, “para o que desse e viesse”!

Logo no primeiro jogo, Couceiro retirou garra (Tiago Terroso) e colocou inteligência (Miguel Pedro & Diogo Rosado), procurando que o trio de médios, na sua diversidade de emoção\garra e inteligência, contribua para a equipa com o que tem de melhor, a bem do coletivo, da ideia conceptual.

 

Outro ponto de interesse para acompanhar nas próximas semanas será a colocação de Rafael Martins na dispositivo tático. Será primeira opção para a avançado central e detrimento de Cardoso? Coabitará com Cardoso no ataque, baixando na zona de criação para ligar o sector ofensivo com o intermédio? 

Na gerência anterior, partia do corredor lateral, para em diagonais surgir no último terço em zonas mais interiores e finalizar, o que se verificava com maior sucesso quando não tinha de acompanhar o lateral adversário durante o processo defensivo. O cumprimento dessa missão defensiva era uma dificuldade e simultaneamente castradora do seu desempenho ofensivo do avançado brasileiro, porque a sua velocidade não está nas pernas, mas sim na sua cabeça. Na forma como lê o jogo, como segura a bola e a passa, ligando a equipa, contribuindo para que esta jogue com a velocidade máxima que o jogo exige, o adversário permite e a equipa necessita.

Tudo isso condimentado com a emoção típica do jogador brasileiro.

 

Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.