Área Técnica
18
Set

2013

Do Improviso à Criação

Por Alberto Carvalho

 

Marković e Quintero, dois dos jogadores mais entusiasmantes do campeonato foram no passado sábado titulares pela primeira vez nesta época. Até aqui, só tinha sido possível observar o seu brilhantismo, quase sempre, na última meia hora de jogo.

Relativamente ao verificado no presente fim-de-semana, a entrada destes jogadores no último terço do jogo, permitiu-lhes expressar de forma mais acentuada a sua qualidade. Marković na Luz, contra o Paços de Ferreira e em Alvalade. Quintero em Setúbal e frente ao Paços de Ferreira.

Na última meia hora dos jogos, a intensidade organizacional das equipas vai decrescendo, mais numas do que noutras sendo este aspecto diferenciador da sua qualidade. Nesse sentido, a oposição defensiva oferecida pelo adversário disponibiliza a quem ataca uma maior liberdade espaço-temporal. Por outro lado, na equipa que ataca, os processos de comunicação/cooperação dentro da equipa vão tornando-se menos eficientes, o que cria condições para o surgimento da acção individual. Foi nestas circunstâncias que os dois jovens talentos apresentaram argumentos, para que adeptos e analistas defendessem o seu acesso à titularidade.

 

Os factos apresentados levam-nos para outro debate! Temos perante nós dois criativos ou dois improvisadores? A livre experimentação, o Improviso caracteriza-se pela expressão de um sentimento, de um movimento segundo uma perspectiva muito pessoal, apresentando-se como o ponto de partida para a Criação, sendo esta atingida quando pela acção desenvolvida é gerado algo valioso e significativo.

Fruto da sua capacidade de improviso, da sua capacidade individual, ambos os “artistas” já viveram mais do que um momento valioso. O significativo da sua acção surgirá quando o improviso, o individual criar, não só algo valioso, mas simultaneamente importante dentro da organização de jogo da equipa, algo que se apresente uma mais-valia, que seja inovador, catapultando o coletivo para um patamar superior.

 

É deixá-los jogar, de início ou na meia hora final! É deixá-los jogar para que possam crescer, criar!

 

 

Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.