Área Técnica
21
Mai

2013

A Continuidade

Por Alberto Carvalho

 

Com o aproximar do fim da época, a palavra continuidade é das mais proferidas, seja em relação a jogadores, a treinadores ou às políticas desportivas. Ao analisarmos os clubes com maior sucesso desportivo, facilmente constatamos que a presença do elemento continuidade, é algo em comum.

O Paços de Ferreira, tem assegurado o seu desenvolvimento com base na continuidade de uma política desportiva no âmbito do recrutamento de jogadores e de treinadores (Rui Vitória, Paulo Fonseca) que elevaram a qualidade de jogo para além do esforço e da entrega que caracterizou o clube, nomeadamente durante a vigência de José Mota. Na próxima época será difícil garantir a continuidade dos resultados desportivos alcançados, do treinador e de alguns jogadores. Mas certamente, que será dada continuidade à politica desportiva, reiniciando-se outro ciclo.

O Estoril é outro dos casos de sucesso desta época, onde a presença da continuidade se faz sentir. Numa análise meramente cartesiana, a afirmação anterior é facilmente comprovada se tivermos em linha de conta que no onze base da equipa apenas Luís Leal, Carlitos e Evandro não faziam parte da equipa na época anterior, mas só o último estava no clube pela primeira vez. O treinador também era o mesmo e a ideia de jogo teve continuidade ao longo da época e foi evoluindo, com adaptações estratégicas que nunca descaracterizaram a identidade da equipa. Fica a curiosidade sobre o que poderá fazer o clube da linha na próxima época. Tal como o Belenenses, que segue um trajecto algo semelhante, dentro e fora do campo.

No Benfica, apela-se à continuidade de Jesus, face à época realizada, considerando-se que essa condição é um dos factores que conduzirá o clube ao patamar seguinte: vencer competições em vez de as disputar até ao fim.

Por outro lado, no campeão nacional, e que continua a dominar a conquista de troféus nacionais e a ser presença regular nas últimas fases de competições europeias, há duas épocas atrás aquando da saída de Vilas Boas e a entrada de Vítor Pereira falou-se em continuidade e na sua importância para a evolução de jogo da equipa. Lançou-se o debate táctico, sobre a evolução de Fernando de médio equilibrador/recuperador, adquirindo também a capacidade de construir, bem como a migração de James da faixa para a posição 10, assumindo o 1-4-3-3 uma maior flexibilidade.                  

Desta vez, não se prevê a continuidade do seu treinador e muito provavelmente de alguns jogadores-chave. No entanto, a cultura de vitória e de jogo estão de tal forma embutidas nos alicerces do clube, que assumem uma dimensão que inibe o surgimento da descontinuidade. Neste cenário, provavelmente iniciar-se-à um novo ciclo. Mas na continuidade dos anteriores.A continuidade é um elemento fundamental para que haja evolução, embora por si não seja um garante para que tal se verifique. Mau na continuidade é ausência de evolução porque conduz à estagnação, ou pior ainda à continuidade do erro, sendo o Sporting o melhor exemplo nesta matéria. Aguardemos então pelo desenrolar dos próximos capítulos.

 

 

 

Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.