Área Técnica
15
Jan

2013

12º Jogador

Por Alberto Carvalho

 

Todos os anos, desde a temporada 82/83, a NBA atribui o Sixth Man Award, reconhecendo o jogador mais valioso da Liga, entre aqueles que saíram mais vezes do banco, comparativamente ao número de jogos em que foram titulares. No caso do futebol, essa valorização encontra-se associada ao conceito de "arma secreta". Isto é, o jogador que sai do banco e que resolve, por norma com golos, os problemas que mais ninguém foi capaz.
 

César Brito, que na época de 90/91, entrou nas Antas para marcar dois golos decisivos para a conquista desse campeonato, tem nesse momento o cartão de apresentação da sua carreira. Juary, no Porto de Artur Jorge, na final da Taça dos Campeões Europeu contra o Bayern, vindo do banco, como tantas outras vezes, marcou o golo decisivo. Mantorras, no Benfica de Trapatonni, no pouco tempo que jogava face às suas limitações físicas, mais do que os golos que marcava, a sua entrada provocava uma onde de entusiasmo na bancada e na equipa, contribuindo para inversão do sentido do jogo. Também no Benfica, no final da década de oitenta, Vata, foi dos que se enquadram nesta categoria.
 
No actual campeonato não existe nenhum jogador que vindo do banco, se destaque pela sua capacidade de resolver jogos vindo do banco.Mas existe um que pelo seu contributo à equipa, pode ser claramente considerado o 12º jogador: Defour. 
 
O médio belga foi titular 6 vezes, tendo sido sempre substituído e foi suplente utilizado outras tantas vezes. No entanto, é o 11º da equipa em tempo de jogo, com  647 minutos. Participou em 12 dos 13 jogos da equipa, tal como Lucho, um dos pilares da equipa. Foi opção do treinador face aos impedimentos de Fernando, Lucho e ao de James, agora no jogo da Luz. Defour, não tem a capacidade de equilíbrio defensivo de Fernando, nem a imponência de Lucho ou a capacidade criativa de James. Mas tem qualidade suficiente para entrar e oferecer mais-valias à equipa. Na posição 6, o que não em segurança, equilíbrio defensivo, compensa com segurança ofensiva pela sua qualidade de passe. Não sendo imponente no jogo, permite que Moutinho assuma na totalidade na ausência de Lucho. Não sendo um criativo no último terço, oferece consistência à equipa, através da gestão da posse de bola e pela pressão no momento da perda nessa zona do terreno.
 
Não sendo um fora de série, destaca-se pela sua cultura de jogo, que lhe permite interpretar, desempenhar diferentes posições ou funções não só no dispositivo táctico da equipa como nos diferentes momentos do jogo em cada uma dessas posições, o que faz dele uma peça importante para que a equipa possa ter uma bola mais redonda para jogar...
 
 
 
Alberto Carvalho é um Treinador de Futebol que colabora regularmente com o 11para11. Escreve desde 2007 no "Bola Mesmo Redonda" e debruça-se sobre todas as vertentes do Beautiful Game.