A Selecção
14
Jun

2014

WC2014 - Grupo C

Por 11para11

 

Uma das principais ausências do Mundial começa hoje a fazer-se sentir. Radamel Falcao terá que esperar por 2018 para poder garantir o seu lugar na história da selecção colombiana e além da sua equipa quem fica a perder somos nós. O Grupo C é também o melhor exemplo da diversidade do futebol, técnica, táctica e fisicamente.

 

1. Quem segue em frente no Grupo C?

Bernardo Sousa (O Cantinho da Mágica) - Colômbia e Japão.

José Miranda (A Selecção) - Colômbia e Costa do Marfim. Por muito que me custe deixar de fora o futebol nipónico, que com Zacheroni deu um salto qualitativo apreciável, custaria-me ainda mais mandar para casa em três jogos aquele que emergiu este ano como o melhor médio-centro do mundo (acho que ninguém discute isto).

Paulo Pereira (No Caldeirão, Domingo às 4) - Colômbia e Grécia. É, porventura, o grupo mais aberto e o único onde todos podem passar. Ganha a Colômbia, pela qualidade individual e pelo entusiasmo, mesmo sem Falcão, e a Grécia, mais experimentada e maquiavélica por ADN.

Tomé Moreira (Confiança Azul) - Colômbia e Costa do Marfim. Provavelmente, este será dos grupos menos previsíveis. Tirando a mais favorita Colômbia, as restantes têm hipóteses semelhantes de seguir em frente. O pragmatismo defensivo grego, os talentos individuais da Costa do Marfim e a criatividade e rapidez do meio campo do Japão  poderão fazer deste um grupo equilibrado. Fora destas contas, deverá estar a Colômbia, mais equilibrados e completos em todos os sectores.

Tubarão (O Tubarão) - Colômbia e Costa do Marfim. A Grécia é uma seria candidata a dois empates e uma vitória por 1-0 mas acho que o talento vai levar a melhor neste grupo. Mesmo sem Falcao os colombianos tem muitas soluções de qualidade no meio campo para a frente e a geração de ouro dos “Elefantes” tem a sua melhor, e última, oportunidade de passar esta fase num Mundial.

 

2. Qual será a maior surpresa?

BS - Qualquer das quatro equipas acabar com 0 pontos. É de longe o grupo mais equilibrado do torneio e o mais provável é que se uma equipa estiver um pouco acima das suas possibilidades tem muitas hipóteses de se qualificar.

JM - A qualidade da Colômbia mesmo sem Falcao. Uma das poucas selecções que teria alternativas credíveis à perda do melhor ponta-de-lança da actualidade (esta posso discutir com quem quiser) terá assim forma de colocar em campo a sua verdadeira identidade, sem ter que se focar demasiado num só jogador. Há capacidade e arte suficiente nos 23 cafeteros para manter o sonho vivo.

PP - Acredito que, mesmo sem um ‘grande’, pode ser dos grupos mais espectaculares. Colômbia, Costa do Marfim e Japão têm óptimos ataques.

TM - O Japão tem revelado bastantes fragilidades no sector defensivo, mas a entreajuda poderá ser um talismã. O meio campo é forte. Acredito que possam fugir ao anunciado 4º lugar e quem sabe, discutir o 2º lugar.

T - Apesar do que disse acima, julgo que a Grécia vai arriscar mais que o habitual. Prevejo que são capazes de marcar 3 golos.

 

3. E qual será a desilusão?

BS - A desilusão será sempre a ausência de Falcao... muito se esperava do artilheiro colombiano para este Mundial.

JM - A Grécia. O futebol actual está cheio de equipas que defendem muito bem mas poucas que consigam contra-atacar (ou contra-golpar de acordo com o léxico moderno) e a Grécia não é definitivamente uma delas. O tempo em o primeiro atributo que mencionei aliado às bolas paradas de qualidade era suficiente para ganhar já lá vai.

PP - A Costa do Marfim chega com menos crédito do que em outros Mundiais, mas continua a ter homens de referência. No entanto, mesmo na melhor época da carreira do Yaya e na despedida do Didier imortal, não me parece que seja desta o primeiro apuramento para uma segunda fase.

TM - Demasiadas limitações na Grécia. Apesar de serem apontados como os segundos mais fortes, acredito que serão ultrapassados e ficarão pelo caminho.

T - Mesmo seguindo em frente, a Colômbia vai ser uma desilusão para os entendidos que prontamente os vão considerar underdogs frente a um dos “colossos” saídos do Grupo D. Posto isto os cafeteros seguem para os quartos.

 

4. Este Grupo merece a minha atenção porque...

BS - Será na medida em que neste grupo há quatro galos para dois poleiros, ninguém pode levar uma equipa menos a sério com receio de poder sofrer as consequências por isso a qualquer instante.

JM - Tanto a Grécia como o Japão podem seguir em frente, deixando Colômbia e Costa do Marfim para trás. É o grupo em que a diferença do 1º ao 4º, no papel, é menor.

PP - Imprevisibilidade, menor pressão, qualidade ofensiva.

TM - Este grupo é apontado por muita gente como o mais fraco da competição. Discordo completamente. Grupo interessante especialmente pela diversidade táctica. Todos os jogos terão resultado imprevisível.

T - É dos grupos menos apelativos mas ver a Grécia a frustrar equipas supostamente mais fortes é sempre um exercício de cultivação futebolística.

 

5. Quem é o jogador a não perder no Grupo C?

BS - Juan Guillermo Cuadrado, motor dos flancos colombianos, será certamente dos seus pés que vão nascer muitos dos contra ataques colombianos.

JM - Shinji Kagawa. Em primeiro lugar porque tem momentos de brilhantismo que mais nenhum jogador neste grupo atinge. Em segundo porque há muito que não vemos o Shinji do Dortmund. E em último porque tem o melhor twitter falso da net.

PP - Carlos Bacca. Depois de uma época gorda em Sevilha, resta saber se ganha a lotaria do ataque. Mas é craque (desde os tempos em que, no Brugge, marcava golos uefeiros ao Marítimo...). De resto, muita expectativa por todo o ataque colombiano, James e Cuadrado em especial.

TM - James Rodríguez. Já não é promessa nenhuma, mas pode ser a verdadeira explosão. A ausência de Falcao poderá ajudá-lo a evidenciar-se mais.

T - Yaya Touré. O melhor médio da Premier League é um daqueles jogadores acusados de não conseguir na selecção a mesma qualidade exibicional que exibe no clube. Este Mundial será a sua oportunidade de enterrar esse rótulo.