A Selecção
19
Jun

2014

WC2014 - Dia 6 e 7

Por José Miranda

 

E ao sexto dia descansei… Uma combinação de amuo pela reacção nacional à tareia dos alemães, cortes de electricidade e fadiga levaram a dois dias de costas voltadas para o Mundial.

 

Razão tinha “O Especialista” que disse que eu não ia aguentar o ritmo e que assim depressa estaria de regresso a casa como o Fábio. Um dia de folga,  baterias recarregadas, ontem estava pronto a recomeçar. Austrália-Holanda a gravar. Jantar já feito para me sentar a ver tranquilamente um dos jogos que mais esperava da fase de grupos, o Chile-Espanha. Mas é mais complicado quando não tens luz. Ouvi dizer que foi muito bom, mas ainda estou à espera de um tempo livre para recuperar esse jogo. Camarões-Croácia também foi ao ar e o dia terminava em grande. Sobretudo porque ao final da tarde já estava um pouco azedo por ter que falar com outras pessoas acerca do Mundial.

 

Detestei aquilo que ouvi acerca da nossa prestação. De um lado, na opinião “especializada”, um festival de tubarões a quem cheirou a sangue e não puderam deixar escapar mais uma oportunidade para enterrar quem bem lhes apeteceu, desde mister até ao roupeiro, do outro uma nação a passar do oitenta para o oito em apenas nove minutos, a distância entre a expulsão de Pepe e o final da primeira parte, aquele que levou muitos de em frente ao televisor para outras actividades, metendo os segundos quarenta e cinco minutos no saco.

Se da imprensa já esperava esse tipo de postura, até porque a história nunca pára de se repetir, esperava mais do português comum, o que torce pela Selecção, enche espaços públicos para ver o jogo em comunhão e festeja vitórias no carro em excursões por avenidas principais até a buzina acabar. A frase comum que ouvi a todos estes energúmenos foi “nem sequer vi a segunda parte”, normalmente dita com orgulho. O elo comum que os une a todos é o pouco futebol que vêm e acompanham realmente. A maioria não viu jogos de qualificação, não sabe quem é o Rafa e nunca ouviu o termo overlap.

No entanto isso não os coibiu de na terça e na quarta andarem por aí, à Velhos do Restelo, a anunciar a nossa tragédia em Salvador como um fim anunciado e previsível. Zandingas dos tempos modernos. Ouvi uma miríade de motivos para o falhanço colectivo a que assistimos na segunda. Pepe deixou de ser um dos melhores centrais do mundo para ser mais um naturalizado, Cristiano ou não quis ou não pode, Clube Paulo Bento, Jorge Mendes, Nike, etc… Foi um fartar vilanagem. Enfim, o habitual.

 

Claro que isto pesa mais quando ainda estamos sensíveis depois do nosso harakiri na estreia no chamado “Grupo da Morte” - esta definição gerou uma discussão muito interessante antes do Mundial pois as opiniões divergiram sobre várias opções - e essa sensação ainda se exponencia quando vemos que até os nossos adeptos se viraram contra a equipa das Quinas. Mas sei que vou ter que me resignar. Sei que se no domingo ganharmos aos Estados Unidos, nem que seja 1-0 com um golo do Hélder em fora-de-jogo, são os primeiros a sair de casa, meter-se nos carros e irem começar a parada da vitória numa rua qualquer ao pé de vocês.

Eu? Eu vou levantar-me do sofá e pensar o que fazer até começar o jogo seguinte.