A Selecção
13
Jun

2014

WC2014 - Dia 1

Por José Miranda

 

O Campeonato do Mundo iniciou-se ontem no Brasil num dia reservado para a Cerimónia de Abertura e para o respectivo jogo. Quando Brasil e Croácia abriram o Mundial já existiam brasileiros detidos nas várias manifestações que deflagraram ao longo do país. Nada de especial tendo em conta os cenários que foram previstos.

O estádio estava "pronto", o gramado tinha uma altura razoavelmente baixa para o hemisfério em que se joga a Copa e só alguns ressaltos aqui e ali. À vista desarmada só faltava mesmo iluminação nalgumas áreas. Também nada do outro mundo para o que os velhos do Restelo tinham pintado.

 

Passando para o futebol jogado, o que interessa, nenhuma surpresa nas equipas iniciais. Anfitriões com o 11 expectável, Croácia com Jelavić no lugar do castigado Mandžukić, uma baixa de vulta para os artistas dos balcãs.

O Brasil iniciou o jogo em ritmo de Brasileirão, a entregar a bola mesmo no pé como se o exercício fosse esse. Entretanto a Croácia foi usando as faixas para meter 4 bolas na área do Brasil. Uma foi cortada por David Luiz in extremis, outras duas resultaram em cabeceamentos perigosos e a outra numa oportunidade flagrante desajeitadamente desperdiçada por Jelavić. Felizmente para a Croácia, Marcelo foi enganado pelo falhanço do avançado do Hull e encostou.

O Brasil só conseguiu construir jogo a partir das laterais, muito pelo recuo de Oscar e Neymar para tentar dar ritmo ao jogo do Escrete, usando Fred como pivot. O veterano avançado só mostrou moves de Futsal, limitando-se a receber bolas de costas e a passá-las a quem vinha de frente para o jogo. Um pouco contra a corrente do que se passava, Oscar roubou uma bola a meio-campo, soltou para Neymar e com um remate à Nuno Gomes estava feito o empate.

A segunda parte foi mais do mesmo e quando a Croácia parecia estar a ficar com o controlo do meio-campo, aquele penalty caído do céu mudou a feição do desafio até ao final.

O Brasil passou a ter mais oportunidades com a obrigatória subida em campo dos croatas e pela contabilização das mesmas até poderá parecer que o jogo foi fácil. Mas não foi. Após a última oportunidade da Croácia, já no desespero e para lá dos 90', Oscar tirou da cartola o momento do jogo e naquele bico à Ronaldo (o original, o Fenómeno) deu cor aos 3 pontos que os brasileiros levaram do jogo.

 

Apesar das circunstâncias especiais e atenuantes em que se realiza - cerimónia, primeiro jogo, equipa da casa, etc - ficam-me algumas coisas deste jogo acerca de ambas as equipas. Em primeiro lugar que burro velho não aprende línguas e em segundo que "quem vai com os putos à escola", lixa-se.

Este Brasil é quase uma cópia de Portugal circa 2004, com Oscar a fazer de Deco e Neymar a fazer de Figo. Paulinho e Luiz Gustavo podiam ter jogado de mãos dadas tal a proximidade que tiveram. Conheço muitos casais que não aguentam tantos minutos no mesmo espaço como estes dois aguentaram ontem. Fred nunca esteve de frente para a baliza. E Hulk precisa de espaço.

Na Croácia não gostei da orientação do triangulo do meio-campo. Preferia Modrić e Rakitić à frente de um trinco, do que atrás de um falso #10 que não organiza nada. Acho que assim ficam muito longe das áreas de decisão e muito sobrecarregados com tarefas defensivas. Olić e Jelavić também discutiram mais entre si do que jogaram à bola. A falta de Mandžukić foi por demais evidente, e talvez o verdadeiro motivo para irritação do Ivica, para estarmos aqui a bater nessa tecla. Vamos só admitir que sem ele o futebol da Croácia fica automaticamente manietado e que o jogo directo acaba nesse momento. Quem mais sofreu com isto acabou por ser Perišić que costuma ser o beneficiário de todo o holding play do avançado do Bayern.

 

Hoje já tivemos uma surpresa daquelas, à hora de jantar, pelo que podem contar com muito sumo amanhã, no resumo do Dia 2.