A Selecção
28
Ago

2013

Top of the Pops

Por José Miranda

 

Terça-feira, 5 de Março de 2013, reuniu pela última vez Sir Alex Ferguson e José Mourinho num encontro competitivo. Nessa ocasião, contextualizada pelo abandono anunciado de Sir Alex, e apesar da importânica do encontro, todos se portaram com a maior candura possível (com excepção de Nani!). Os adeptos do United receberam o Zé como se de um velho amigo se tratasse, aplaudindo e cantando por ele. Em retribuição o Zé não festejou, quase que pediu desculpa por ganhar, deu aquele bacalhau ao velho adversário e saiu ainda antes do final da partida.

Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013, marcou o regresso de José Mourinho a Old Trafford desde aqueles 90 minutos que ditaram a eliminação do Manchester United ao pés do Real Madrid. Não regressou como treinador do United, conforme se começava a supor que seria há 6 meses atrás, mas sim ao comando dos Blues, o maior entrave ao completo domínio da EPL por parte da dinastia de Sir Alex nos anos 00'. E há boa maneira inglesa, os adeptos vermelhos, sacaram daquele que promete ser o melhor cântico do ano logo à 2ª jornada, só para zombarem o Zé.

 

Quem priva comigo e debate estes assuntos, sabe que praticamente venero a atitude dos adeptos britânicos perante o Beautiful Game, pelo menos a atitude dentro do estádio. E sabe também que os cânticos e a forma como vão surgindo com a corrente do jogo são um dos principais motivos para essa adulação. Mas dentro desse tópico, há ainda um nicho que me fascina de sobremaneira. Não as melodias de apoio à própria equipa, pois dessas há às centenas mundo fora e normalmente muito mais elaboradas que as britânicas, mas sim as pequenas cançonetas dedicadas aos adversários.

Não vos vou maçar com a extensa lista de tudo o que nos trouxe até este ponto, com o que já ouvimos para trás, mas posso garantir-vos que no país que "inventou" a Britcom, é o tão português Escárnio que serve como o mote principal para essas manifestações de carinho pelos adversários. Como introdução ao assunto, vou só deixar aqui aquilo que considero o Top-3 desde que presto realmente atenção ao fenómeno:

"Fat Eddie Murphy, You're just a fat Eddie Murphy" - dedicada ao nosso bem conhecido Jimmy Floyd Hasselbaink

"When you're sat in row Z, and the ball hits your head, that's Zamora, that's Zamora" - ao som de "That's Amore"

"Two Andy Gorams, there's only two Andy Gorams" - dos rivais Celtic para o guarda-redes que admitiu sofrer de esquizofrenia

 

Na época passada, o vencedor desta categoria imaginária e decidida por mim foi um momento em que os adeptos do Everton, em terreno alheio, viram Puncheon sair para os balneários a correr e voltar também a correr, enquanto a sua equipa fazia uma alteração. Logo ali, em cima do joelho, ouvimos aquele sector todo começar um brilhante "He went for a shit", com direito a gargalhada geral no final, que Puncheon e até os comentadores televisivos reconheceram na emissão em directo (outra diferença brutal que fica para outra altura).

Esta Segunda, foram os azuis que abriram as hostilidades. Mal sairam os jogadores do Man United para aquecer, os já muito viajados adeptos do Chelsea começaram logo a piscar o olho ao internacional inglês entoando um "Wayne Rooney, we’ll see you next week", só para ele sentir a aprovação para a tão falada transferência que ainda poderá fazer mudar mais 10 avançados de clube nos próximos 4 dias, e também para meter o dedo na ferida nos adeptos "mancunianos".

 

A resposta não podia ter sido melhor. Já durante o jogo, no mítico Stretford End e após terem desenrolado uma faixa de apoio a Moyes, os da casa soltaram aquele que, para já, vai no topo da leaderboard dos cânticos deste ano. Pegaram no best-seller dos londrinos ("We know what we are", ouvido até ao enjoo em Amesterdão) e deram-lhe o seu toque, indo pegar nos eventos de Março, para espetar a bandarilha bem fundo nos costados dos rivais. É este então o primeiro candidato a cântico do ano:

 

"You wanted this job,
You wanted this job.
Rouzay Muri-No 
You wanted this job."