A Selecção
10
Set

2013

Silly Season, o Rescaldo

Por José Miranda

Acabou na segunda-feira da semana passada a Silly Season do Futebol. Tal como prometi em Maio, acompanhei a par e passo o festival de nomes que passou diante dos nossos olhos nos últimos meses. Conforme explicado no lançamento deste mini-projecto, somente foram considerados nomes que preenchessem as seguintes condições:

  - Apenas na imprensa desportiva escrita diária (com cores atribuídas aleatoriamente nos gráficos)

  - Que fosse a primeira vez que era mencionado nesta Silly Season (porque não queremos cá repetições)

  - Viesse para aquele desporto que é "Os 3 grandes" (por motivos de amostra)

  - Aparecesse ou na capa do jornal ou no site online (por estar acessível para todos)

 

E só com estes 4 critérios chegámos aos 180 nomes. Nada mau. 180 nomes. Estamos a falar de 8 equipas de futebol completas. No final das contas vemos também que acabaram por ser confirmados 45 jogadores. Ou seja, estas 3 equipas sozinhas compraram 2 plantéis completos, com artistas para os mais variados fins e destinos inclusive, pois alguns destes nomes nem sequer calçaram pelo novo clube e nem se espera que o venham a fazer durante esta época.

Somos também uns sortudos, porque nesta "carrinha de gelados" que são as compras de verão que estão quase quase confirmadas, tivemos direito a nomes dos bons, daqueles que fazem sonhar. Além do principal nome confirmado esta pré-época, Quintero, que andou a espalhar magia pelo Mundial Sub-20, povoaram também a imaginação de outros como eu muitos que seriam mais-valias para o futuro, como o pequenino Bernard, o avançado espanhol Iago Aspas que joga mesmo "à espanhol" ou ainda Bony, o novo tanque costa-marfinense.  Andaram também nas bocas da imprensa jogadores de créditos firmados como o piccolo Diamanti, o prolífico Kevin-Prince ou o mágico uruguaio Lodeiro. Clássicos como Stracqualursi ou Jô foram novamente mencionados mas este foi, finalmente, o ano em que vimos Funes Mori e Siqueira ingressarem nos encarnados, depois da terceira pré-época consecutiva naquela rábula do Beto, o que ia para o Real Madrid.

Tivemos também o sempre presente rol de internacionais portugueses de regresso a casa, várias estrelas (ou potenciais estrelas) que poderiam mudar-se entre rivais e ainda contratações em massa de júniores de apenas um clube. No final, de entre os 180 nomes, há sempre muito por onde escolher, desde o internacional brasileiro em fim de carreira ao lateral-esquerdo indonésio de 20 anos. A panóplia e a variedade de nomes mencionada é deveras impressionante, mostrando a também a criatividade com que somos brindados diariamente. Como nota final, o aproveitamento da novela "Patrício", a mais duradoura deste defeso, que sozinha contribuiu com 7 nomes diferentes.

No total foram lançados mais 34 nomes que em 2011/12, representando uma subida igual ao IVA da restauração, fruto de um crescimento proporcional dos vermelhos e de uma colagem a nível da distribuição dos azuis aos verdes, que mantiveram praticamente o seu número, sendo o total agora partilhado num rácio de 2-1-1 que muito provavelmente não deve andar longe do número de adeptos de cada um na actualidade (esta uma teoria/noção para outra ocasião). Ao nível do ritmo a que foram sendo revelados, Junho foi o mês com a maior incidência, como esperado até porque não hà jogos para acompanhar e nas equipas ainda não se passa nada de relevante

Depois do brilharete há dois anos, "A Bola" assumiu neste verão a liderança do gossip do mercado de tranferências referenciando quase tantos nomes como "O Jogo" e "Record" juntos. Infelizmente, a alcoviteira da nossa imprensa desportiva diária apenas acertou 1 em cada 4 nomes, deixando o lugar mais alto do pódio para um novo campeão da pré-época. Com menos 20% de nomes que em 11/12, o "Record" tentou primar pela qualidade em vez da quantidade, e conseguiu-o, tendo acertado em praticamente tantos como "A Bola" mas em apenas perto de metade das tentativas, com 1 contratado a cada 3 nomes.

Relativamente ao "O Jogo", ao quase duplicar os nomes lançados imiscuiu-se este ano na luta pela proeminência da pré-época. Mas a sua taxa de sucesso foi a menor de todas, acertando apenas 1 em cada 5 jogadores. Mais estranhamente, e aparentando ser um case study com algum interesse depois da distribuição 22-100-0 a nível da percentagem de sucesso por clube em 2011/12, desta vez apenas acertou em jogadores que indicou estarem a caminho dos azuis, falhando redondamente nos nomes lançados para verdes e vermelhos. Nem um.

Isto vale o que vale, e usando algumas analogias poquerianas para contextualizarmos o alcance dos números, aparentemente é tão certo que "O Jogo" acerte um nome como um 66 ganhar a AA, com "Record" na outra ponta do espectro a parecer-se mais com um open ended straight draw. A amostra, embora pequena estatisticamente, não deixa de já ser grande o suficiente para ser engraçada, dar alguns dados importantes e lançar algumas questões para debate, que são simultaneamente engraçadas e importantes.

 

Quanto aos jogadores que chegaram, é nos seus ombros que recai o peso de não serem o próximo Jeffrén, Emerson ou Kléber. São eles que terão que jogar o suficiente para não ficarem imortalizados como "matrecos" na memória histórica colectiva do seu clube e de não se tornarem parte do glossário adversário. Não vai ser fácil para alguns, até porque são 45 e não podem ser todos bons, pelo que a renovação da expressão "é mais um Balboa" - que noutros tempos já foi "é mais um Quintana" e "é mais um Kmet" - não está certamente em risco (e há já um "camisola amarela" nesta corrida).

Mais que os "Balboas" deste mundo mundo, acabam sempre por ser as estrelas, que agora começam a despontar e a mostrarem o nível que deles expectámos em Junho mal foram lançados na órbita do futebol português, que nos fazem vibrar. A qualidade estará assegurada no meio disto tudo, com naturalidade e também porque são 45 e não podem ser todos maus, mas há já alguns que começaram a comprová-lo em campo como Montero, Marković e Quintero. E estes 3 são um excelente exemplo do sonho que comanda a Silly Season. E que sempre comandará.