A Selecção
22
Mai

2013

Silly Season, o Início

Por José Miranda

 

Começou oficiosamente nesta segunda-feira a Silly Season do Futebol. Esta é a altura do ano em que os plantéis começam a ser construídos, os objectivos começam a ser balizados e os sonhos começam a ser formados. Nestes meses quentes em que o Beautiful Game é jogado exclusivamente fora das quatro linhas, no 11para11 vamos fazer uma pequena experiência estatística e detalhar os nomes que são lançados diariamente pela nossa imprensa.

 
Esta foi uma recolha que já efectuei em 2011-12, e para efeitos de demonstração estatística foram apenas considerados os 3 principais jornais desportivos portugueses ("A Bola", "O Jogo" e "Record") e os jogadores referenciados para os 3 clubes com maior expressão a nível de adeptos (Benfica, Porto e Sporting), isto porque o bolo de jogadores falados para os restantes clubes não é muito significativo numericamente, um claro reflexo do facto de os portugueses e os média nacionais seguirem maioritariamente aquele desporto designado por "Os 3 Grandes". Para este estudo são apenas contabilizados os "craques" que vêm mencionados nas capas desses jornais ou nos respectivos sites entre a 2ªF a seguir à última jornada do campeonato e o dia 31 de Agosto, último dia do mercado de transferências em Portugal.
 
 
Como ponto de partida para esta análise vamos utilizar os resultados do defeso de 2011-12 em que foram identificados 146 jogadores dados como certos ou que interessavam a estes 3 clubes. Os vermelhos foram presenteados com quase metade dos jogadores referenciados, os azuis-e-brancos, acabados de recuperar o título nacional foram os que menos notícias motivaram, também um reflexo da sua cultura e da sua política de comunicação. Os verdes-e-brancos, em ano de novo "Projecto" e com Domingos acabado de chegar, "ficaram" com um terço dos nomeados.
 
Relativamente à distribuição por jornal, vemos que não existem grandes diferenças de jornal para jornal, sendo que "A Bola" lançou nomes abaixo da média para o Benfica e acima para o Porto e "Record" acima para o Benfica e abaixo para o Porto. De realçar o jornal "O Jogo", que não só teve uma distribuição igual à média como também o facto de apenas ter noticiado 13% do contingente de jogadores que poderia vir parar ao futebol português.
 

Destes 146, um total de 44 jogadores acabaram por ser contratados, o que para 3 clubes apenas considero um número muito elevado. A nível do sucesso nestas contratações, "A Bola" acertou um pouco mais 1 em cada 3 ao invés da concorrência que só acertou 1 em cada 4 do, aparentemente, barro atirado à parede. Alguns números são muito "engraçados", como os 0% de jogadores mencionados para o Sporting que o "O Jogo" acertou ou os 100% que o mesmo jornal acertou para o Porto, pelo que os dados que vamos recolher este ano servirão também para identificar estes números como outliers ou não. Neste capítulo "A Bola" é quem mantém a maior coerência, não existindo grandes diferenças nos resultados por clube.
 
Dentro dos jogadores realmente adquiridos, há somente 2 anos atrás, verificamos que para os actuais campeões nacionais, 3 membros do seu 11 foram adquiridos nesse defeso (Danilo, Mangala e Alex Sandro, a base da sua defesa) e ainda o seu suplente de luxo (Defour) e o homem que resolveu o campeonato em 3 golos (Kelvin). Nos clubes de Lisboa, temos 5 titulares adquiridos neste período em ambos os clubes (Carrillo, Rinaudo, Van Wolfswinkel, Schaars e Capel no Sporting e Artur, Matic, Melgarejo, Pérez e Garay no Benfica) o que não é uma das melhores indicações a nível de estabilidade com o destaque ainda para 3 jogadores que entretanto já foram vendidos ou emprestados mas com qualidade muito acima da média (Insúa, Elias e Witsel) e que, independentemente dos motivos pelos quais aconteceram, sao claramente percas na qualidade dos respectivos plantéis.
 
Das "vedetas" que vieram mesmo, há também destaque para os flops, para os erros de casting que tantas vezes acontecem, o que tendo em conta os totais de jogadores contratados é algo inevitável. Fazendo uma mini-selecção de 3 por clube apenas como amostra - Djalma, Kléber, Iturbe, Bojinov, Jeffren, Onyewu, Émerson, Léo Kanu e Wass - há belos exemplares aqui que ou mostraram que não tinham o que era preciso ou que nunca chegaram a ter a oportunidade certa para brilhar.
 
Mas o melhor mesmo, o verdadeiro sal da Silly Season são aqueles que são apenas mencionados. Nomes de referência no panorama europeu que são lançados ininterruptamente, alguns dos quais vemos logo que é notícia para vender jornal naquele dia. Entre estes "notáveis", encontramos clássicos como Miccoli, Jô, Diego (o que já esteve no FCP), Guardado, Bryan Ruiz (um jogador fantástico, fantástico), Bendtner ou então jovens em ascensão como Drenthe (na altura), Piatti, Leandro Damião, Courtois, Oriol Romeu, Savic, Funes Mori, Ogbonna, Coates, Lukaku ou Ganso, nomes que já dão para criar um plantel daqueles mas apenas "acessíveis" a fanáticos da saga CM/FM ou às mentes mais delirantes.
 
E é destes que nós estamos à espera, dos mirabolantes, que já sabemos à partida que não vêm mas que ainda assim nos dão aquela esperança adicional para a época que aí vem. Hoje, 4ªF, no terceiro dia da Silly Season já temos 15 nomes mencionados, fora as contratações já confirmadas anteriormente como Djuricic, Ricardo ou Tiago Rodrigues, pelo que da forma que a nossa imprensa funciona os próximos 100 dias vão com toda a certeza ser prolíficos em promessas e sonhos.