A Selecção
22
Out

2013

Palestra de Terça-Feira

Por José Miranda


Afinal a festa da Taça foi só mesmo festa, porque "Taça" houve muito pouca. Ao contrário do que se esperava da competição com a maior paridade regulamentar do futebol português, apenas dois dos sonhos que se foram criando após o sorteio desta 3ª eliminatória se concretizaram em campo.

Dos 33 jogos realizados de Norte a Sul neste fim-de-semana, 24 foram disputados entre equipas de escalões diferentes do futebol português, e na sua grande totalidade a superioridade teórica acabou por se manifestar na prática. Independentemente da margem de vitória, que nalguns casos surpreendeu não só pela escassez de golos mas também pelas dificuldades em manifestar a vantagem competitiva, só Portimonense e Nacional não foram capazes de levar a água ao seu moinho.

Em Portimão, a festa foi forasteira após um empate a zero no final dos 120 minutos acabou por levar a eliminatória para a roleta dos penalties, onde o Cova da Piedade acabou por ter a "sorte" do seu lado. Em Galegos, freguesia no concelho de Barcelos, casa do Santa Maria, 6º classificado da série A do CNS, aconteceu "Taça" e da boa, pois os locais eliminaram o actual 4º classificado da Liga Zon Sagres. Pelas imagens que nos chegaram, foi o clássico nick one and keep a clean sheet, meter tudo dentro da área e rezar pelo melhor. A enorme festa que se seguiu ao apito final do árbitro parece ter sido motivo para finalmente deixar Manuel Machado parco e rústico nas palavras, com a primeira press em anos em que percebemos imediatamente tudo o que quis dizer.

 

Resultados aparte, em realce esteve novamente o momento de forma decepcionante de algumas equipas do escalão principal. Porto e Benfica - independentemente dos jogadores utilizados - e Olhanense jogaram pouco, muito pouco mesmo, mas só a passagem dos algarvios esteve realmente em causa - tal como aparentemente o lugar de Faisal começa a ficar. No outro lado da balança, o Estoril voltou a convencer, vencendo em Moreira de Cónegos a aclamada "melhor equipa da Liga 2" mesmo tendo ficado reduzido a 10 elementos ainda com o resultado em 0-0.

Dos vários momentos bonitos que vimos entre sábado e domingo, sublinho a reacção dos adeptos sportinguistas ao decorrer dos eventos na goleada aos amadores do Alba - sinal dos tempos actuais em Alvalade, tanto a goleada como a reacção - e a recepção a Rui Vitória no jogo em Fátima, onde o seu contributo no passado não foi esquecido, tendo direito àquela homenagem sentida no pré-jogo, que muitas vezes também serve para adormecer o lobo.

 

Além das já mencionadas vitórias de Cova da Piedade e Santa Maria, acabámos por ter outra história com um final bem feliz no Domingo. No seu 36º jogo pelo Vitória local, Miguel Pedro teve 20 minutos à Cristiano Ronaldo e por causa disso esteve com um pé de fora do clube.

Quando minutos após ter deixado passar em claro uma flagrante oportunidade de remate, onde preferiu passar para o lado, tendo ouvido alguns impropérios e muitos assobios vindos da bancada do Bonfim, fez aquilo que CR7 tanto gosta de fazer, marcou um golo, algo que os adeptos sadinos ainda não tinham visto da sua parte.

À boa maneira do nosso melhor jogador, olhou desafiante para a bancada, o dedo indicador sobre os lábios, apontado ao nariz, para festejar. Todos sabemos o que isto quer dizer. Os colegas aperceberam-se quase todos e bem que tentaram tapar o gesto mas em vão. E quem já viu jogos na cidade do Sado, também sabe o que estava para vir.

Nos minutos até ao final do jogo, recebeu o tratamento "Figo em Barcelona" por parte das hostes setubalenses, chegando a temer-se o pior pois o Bonfim já não tem vedação entre protagonistas e espectadores e só faltou mesmo a cabeça de leitão (vá, um exagero, estavam 5 tifosi lá em baixo agarrados ao varandim enquanto vilipendiavam o extremo).

Mas apesar de tudo o domingo era de Taça e as coisas não podiam acabar assim. Puxando do melhor CR7 que temos visto - e também o mais recente, visto que tinha acontecido na véspera - Miguel Pedro decidiu pedir desculpa na hora e mal terminou o jogo dirigiu-se a ambas as centrais em busca do perdão dos vitorianos. Em concordância com o espírito do fim-de-semana, o dito perdão foi concedido, Miguel Pedro já não tem o futuro em risco em Setúbal e foram todos para casa contentes.

 

Hoje volta a Champs, numa semana de reencontros com sentimentos diferentes - Hulk e Roberto - no início do home-away que será determinante no futuro dos nossos dois representantes. Quinta-feira regressa a Liga Europa, onde Paços e Estoril precisam de começar a amealhar pontos na esperança de seguir em frente. E na sexta-feira, exactamente 18 dias depois, regressa finalmente o nosso campeonato, e com ele o muito antecipado clássico no Dragão. Não vamos ter a mesma festa da Taça, mas é a nossa festa preferida.